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Informativo do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica/Museu da Vida - Ano XVII, n. 242, RJ, 3 de agosto de 2018

Neste informe:

1. Na onda dos podcasts
2. A diversidade na exposição e compreensão da biodiversidade
3. O fruto proibido da biologia
4. Duas décadas de divulgação científica em livro
5. Reflexões sobre a divulgação científica
6. Nova rede de jornalistas de ciência
7. Matemática no palco
8. With a little help from my friends
9. Ciência performática
10. Uma nova oportunidade de formação em divulgação científica
 

 

1. Na onda dos podcasts – A popularização da internet, dos smartphones e das ferramentas da web 2.0 está abrindo um leque de possibilidades para novas ações de divulgação científica. Uma delas, ainda subexplorada, é o podcast – uma mídia fácil e barata de produzir e de tornar acessível a um público amplo. O uso e o potencial dessa ferramenta no país foram analisados no artigo “Science communication in Brazil: the potencial and challenges depicted by two podcasts”, publicado na última edição dos Anais da Academia Brasileira de Ciências. Os autores utilizaram dados da PodPesquisa 2014, na qual cerca de 16 mil pessoas responderam a um questionário com 27 perguntas sobre comportamento, preferências e informações demográficas de ouvintes de podcasts em geral. Segundo o estudo, quase 80% dos respondentes começaram a escutar podcasts após 2010, o que mostra a ascensão da mídia nos últimos anos. No que diz respeito à ciência, quase 60% afirmaram ouvir programas com conteúdos sobre tecnologia e pouco mais de 42% disseram escutar programas com conteúdos científicos. Para os respondentes, o humor e a linguagem informal são os atributos mais atraentes de um podcast (tanto os de ciência, quanto os de outros temas) e a maioria dos ouvintes (56%) consome essa mídia enquanto realiza outras ações, como tarefas domésticas e atividades físicas. A maior parte do público é homem (quase 90%), jovem (média de 25 anos) e reside nas regiões Sul ou Sudeste. Leia o artigo em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0001-37652018000401891&script=sci_arttext&tlng=en>. Se você é ouvinte de podcasts, aproveite para responder à PodPesquisa 2018 até 15 de agosto em: <http://abpod.com.br/podpesquisa/>.

2. A diversidade na exposição e compreensão da biodiversidade – Estudos sobre os processos educativos em museus de ciência são, ainda bem, cada vez mais comuns, como aponta o artigo “A compreensão da biodiversidade por meio de dioramas de museus de zoologia: um estudo com público adulto no Brasil e na Dinamarca”, publicado na última edição da Ensaio Pesquisa em Educação em Ciências. O estudo qualitativo – baseado em questionário, gravação da interação dos participantes na exposição e entrevista – se soma a outros que tentaram entender o papel educativo dos dioramas, espécie de cenários que visam representar ambientes naturais, muito utilizados em museus de ciência. A coleta de dados foi realizada em exposições no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo e no Zoologisk Museum da Universidade de Copenhagen (Dinamarca). Ao todo, dados de 15 adultos entre 25 e 40 anos compuseram a amostra, mas, para o artigo, foram selecionados os resultados de apenas quatro sujeitos, dois incluídos na coleta de dados no Brasil e dois, na coleta feita na Dinamarca. As autoras destacam que a abordagem mais presente nos dioramas foi sobre a organização de espécies – abordagem humana e nível genético estiveram ausentes. A pesquisa reitera estudos anteriores que demonstram o papel relevante destes objetos para promover o entendimento sobre vários aspectos da biologia e de biodiversidade e conservação, mas as autoras apontam também que os dioramas poderiam apresentar uma visão mais complexa da biodiversidade, com suas dimensões econômicas, culturais e sociais. Leia o artigo completo em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-21172018000100216&lng=en&nrm=iso&tlng=pt>.

3. O fruto proibido da biologia – Embora o campo da biologia sintética desperte questões éticas entre cientistas e membros de governos, tais reflexões parecem não chegar à população em geral. Até o jornal norte-americano The New York Times, que chegou a se referir à biologia sintética como o “novo fruto proibido da biologia”, não pautou o tema com frequência e o abordou de forma dúbia, entre 2005 e 2015. Essa é uma das conclusões do artigo “The story is that there is no story: media framing of synthetic biology and its ethical implications in The New York Times (2005–2015)”, publicado recentemente no Journal of Science Communication. Os autores fizeram uma análise de conteúdo de 32 matérias desse jornal, buscando observar se elas abordavam a relação do campo com a engenharia genética; se mencionavam ameaças da biologia sintética à natureza; se levantavam questões éticas; e se, segundo as notícias, os produtos da biologia sintética já estavam em desenvolvimento ou seriam gerados num futuro próximo ou distante. Os pesquisadores encontraram informações ambíguas. As questões éticas, por exemplo, estiveram presentes, mas eram vagas e a relação da biologia sintética com a engenharia genética não ficou clara na maioria das matérias. Já o aspecto temporal foi abordado de forma conflitante: alguns entrevistados afirmavam que o campo se desenvolveria rapidamente, enquanto outros diziam ser pouco provável. Para os autores, essas características da cobertura – reduzida e ambígua – contribuem para a falta de engajamento do público com o tema. Leia o artigo em: <https://jcom.sissa.it/sites/default/files/documents/JCOM_1703_2018_A02.pdf>. 

4. Duas décadas de divulgação científica em livro – A ComCiência, revista de jornalismo científico do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor/Unicamp), acaba de atingir o marco de 200 edições desde o seu lançamento em agosto de 1999. Para comemorar os quase 20 anos dedicados à divulgação de assuntos relacionados às ciências e também de muita reflexão sobre a prática, o Labjor lança o livro ComCiência e Divulgação Científica. A publicação é dividida em três partes. A primeira traz artigos publicados na edição de abril da revista, cujo tema central foi a divulgação científica, e alguns textos inéditos de colaboradores. A segunda reúne material elaborado pelos alunos da décima turma do curso de especialização em jornalismo científico e cultural do Labjor. Os textos abordam diversas facetas da divulgação científica, desde aspectos históricos até o jornalismo de dados. A terceira e última parte volta ao ano de 2008 e resgata textos publicados na 100ª edição da revista, que retratam experiências interessantes em museus, televisão, livros, entre outros espaços. O livro está disponível na íntegra, em PDF, em: <http://www.comciencia.br/wp-content/uploads/2018/07/livrocomciencia_cb.pdf>.

5. Reflexões sobre a divulgação científica – A comunicação efetiva e eficaz é uma demanda importante na carreira dos cientistas, necessária a atividades como, por exemplo, escrita de artigos e projetos ou para dar aulas e palestras. Comunicar-se com o público amplo, porém, envolve outros desafios e aptidões. Com o objetivo de sensibilizar e engajar a comunidade científica na discussão do assunto, a Academia Nacional de Ciência, Engenharia e Medicina (EUA) lançou a publicação The Science of Science Communication III: Inspiring Novel Collaborations and Building Capacity. O livro traz reflexões do Colóquio Arthur M. Sackler, realizado em 2017 pela Academia e que teve como tema a ciência da divulgação científica (DC). A importância de alinhar objetivos e estratégias de DC, ouvir e conhecer as necessidades e interesses dos diferentes públicos, identificar os desafios e possibilidades da divulgação, usar diferentes modelos de DC e tornar questões globais significativas ao nível local e pessoal são tópicos que norteiam a publicação.  O livro destaca a necessidade de discussões mais inclusivas sobre ciência e DC e mais pesquisas na área. Especial atenção é dada à organização, infraestrutura e incentivo necessário para o cientista realizar ações de divulgação científica e atuar em pesquisa no campo, além da avaliação das ações de divulgação realizadas pelos cientistas, com foco nas mídias sociais. O livro está disponível em: <https://www.nap.edu/catalog/24958/the-science-of-science-communication-iii-inspiring-novel-collaborations-and>.

6. Nova rede de jornalistas de ciência – Com o fim da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC) criada em 1977 e uma das pioneiras do gênero na América Latina, os profissionais da área ficaram sem uma representação oficial no país. Eis que um grupo de jornalistas atuantes no campo decidiram unir forças e criar um novo espaço para chamar de seu. Estamos falando da Rede Brasileira de Jornalistas e Comunicadores de Ciência (RBJCC). As atividades em torno da rede começaram no início do ano, com a criação de um grupo fechado no Facebook, com o nome de Rede Brasileira de Jornalistas de Ciência. Mas a existência da rede e suas propostas acabam de ganhar visibilidade com artigo no Observatório da Imprensa em que é apresentado seu protocolo de intenções. Como diz o texto, “a ideia é estabelecer um espaço físico e digital para estreitarmos os laços com os colegas da área, discutirmos nossa profissão sob os mais diversos ângulos e criarmos conteúdos e ferramentas para tornar o trabalho de todo mundo mais fácil, produtivo e significativo para as nossas audiências”. Uma marca da RBJCC é a diversidade de atores que pretende mobilizar, incluindo, além de jornalistas que cobrem ciência, assessores de imprensa, profissionais de comunicação interna, cientistas interessados em divulgação científica, entre outros. Que venham todos e vida longa à nova rede! Leia mais em: <http://observatoriodaimprensa.com.br/ciencia-no-brasil/criada-a-rede-brasileira-de-jornalistas-e-comunicadores-de-ciencia>.

7. Matemática no palco – A matemática está em tudo, mas, para muita gente, ela vira um bicho de sete cabeças. Para que isso não aconteça, há quem diga que ela precisa ser vivida e experimentada. Se for de maneira lúdica, melhor ainda! Essa é a proposta da nova peça teatral do Museu da Vida, que estreia em 15 de agosto, às 10h30: “O problemão da banda infinita”, dirigida a crianças de seis a 10 anos. A trama começa quando os cinco amigos integrantes da Banda Infinita estão prestes a se apresentar num show. A empolgação toma conta do grupo, mas algo acontece com um dos instrumentos: algumas partes da corneta Max-Mega-Super-Ultra-Sonora somem. Para recuperá-las, eles terão que usar a matemática e embarcar numa nave, desbravando mundos e esbarrando com personagens curiosos. Além do humor, a peça explora a música, com canções originais inspiradas em ritmos como o carimbó do Norte e o coco de roda do Nordeste. O texto é do dramaturgo Rafael Souza-Ribeiro, com direção geral de Letícia Guimarães e direção musical de Renato Frazão. A peça estará em cartaz às terças, quartas e quintas, às 10h30 e 13h30, e em alguns sábados, na Tenda da Ciência do Museu da Vida, que fica na Av. Brasil, nº 4.365, dentro do campus da Fiocruz em Manguinhos. Saiba mais em <http://www.museudavida.fiocruz.br/index.php/noticias/968-proxima-aventura-teatral-do-museu-da-vida-o-problemao-da-banda-infinita-estreia-em-15-8>.

8. With a little help from my friends – Em tempos de vacas magras, iniciativas de divulgação científica estão recorrendo cada vez mais às campanhas de financiamento coletivo como alternativa para sair do papel ou mesmo manter-se de pé. Um exemplo emblemático recente foi a reabertura, em 19 de julho, da sala do Museu Nacional que abriga o Maxakalisaurus topai, maior dinossauro já montado no Brasil, com 13 metros de comprimento. Fechada por oito meses, quando a base de sustentação do dinossauro foi atacada por cupins, a exposição foi renovada e ganhou outras novidades, graças à campanha "No Mundo do Maxakalisaurus", feita no site de financiamento coletivo Benfeitoria. Foi a primeira iniciativa do gênero realizada pelo Museu Nacional – uma estreia bem-sucedida, já que arrecadou quase R$ 57 mil em apenas 30 dias, doados por mais de 300 pessoas. Todas foram convidadas para o evento de reabertura da sala, que fez parte das comemorações do bicentenário da instituição. O Museu Nacional fica na Quinta da Boa Vista, Bairro Imperial de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. É aberto à visitação de terça a domingo, das 10h às 16h. O ingresso custa R$ 8 (inteira) e R$ 4 (meia). Crianças até cinco anos não pagam. A entrada é gratuita todo segundo domingo de cada mês. Para mais detalhes sobre preços e exposições, acesse: <http://www.museunacional.ufrj.br/>.

9. Ciência performática – Está chegando aquela época do ano em que cientistas desencalham suas sapatilhas, instrumentos, microfones e afins, para participar do Science Slam! O concurso de divulgação científica, organizado pela EURAXESS Brazil, é aberto a todos os pesquisadores ativos no país (de mestrandos em diante), de todas as nacionalidades e áreas da ciência. Nesta sexta edição, as inscrições ficam abertas até 15 de setembro. Para participar, os interessados devem gravar um vídeo de até três minutos – por smartphone ou equivalente – ou fazer uma chamada por Skype com a equipe da EURAXESS Brazil, dizendo como pretendem apresentar seu projeto de pesquisa. O mérito científico do estudo não é levado em consideração, o que importa é a criatividade da performance, direcionada ao público amplo: vale dança, teatro, canto, desenho, experimento ao vivo... Tudo é permitido! Os cinco melhores candidatos participarão da final no Rio de Janeiro, em 17 de Outubro de 2018, no âmbito da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, com tudo pago. As apresentações finais poderão ter até seis minutos. O vencedor – selecionado pela plateia e por um júri – ganha uma viagem para a Europa para visitar um instituto de pesquisa de sua escolha. Saiba mais em: <https://scienceslambrasil.splashthat.com/>.

10. Uma nova oportunidade de formação em divulgação científica – A importância da formação continuada e a necessidade de mais cursos na área de divulgação científica são inquestionáveis. Conscientes desta demanda, profissionais da Unidade de Divulgação Científica e dos programas de pós-graduação da University of the West of England (UWE), em Bristol, Reino Unido, acabam de lançar o curso “Science Communication Building Blocks”. Os interessados podem selecionar os temas de interesse a partir de um amplo leque de opções, que cobrem tópicos relevantes para a divulgação científica e o engajamento público na ciência. Cada tema é desenvolvido em uma sessão de 3h. Os preços variam de acordo com o número de participantes, o local de realização e a duração do curso. Um evento de 3h, na UWE, com 15 a 25 participantes, por exemplo, sai por 1000 libras no total – bebidas e alimentação não incluídas. Fora da Universidade, uma taxa adicional é cobrada, por professor, para cobrir custos com passagem, acomodação e subsistência. Os interessados em realizar o curso, e fazer uma cotação, devem preencher um formulário disponível na página da iniciativa. Confira as informações, em inglês, em: <https://courses.uwe.ac.uk/Z51000113/science-communication-building-blocks> ou entre em contato com: <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>.

 

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