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Informativo do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica/Museu da Vida Ano XVII n. 240 RJ, 1º de junho de 2018

Neste informe:

1. O otimismo exagerado das reportagens sobre novos fármacos
2. E a divulgação científica com isso?
3. Gênios, super-heróis, santos… calma, são só prêmios Nobel!
4. O sonho da Ciência Hoje não pode acabar
5. Série de documentários aborda a biodiversidade dos parques nacionais
6. Nova temporada de “Isaac no mundo das partículas”
7. Curso de um dia sobre comunicação pública da ciência
8. Olhares sobre a museologia
9. Prêmio John Maddox 2018
10. Oportunidade de mestrado e doutorado em divulgação científica

 

1. O otimismo exagerado das reportagens sobre novos fármacos – A descoberta de compostos biologicamente ativos – aqueles que podem se tornar medicamentos no futuro – mexe com a esperança da população e costuma ser anunciada com otimismo exacerbado e pouco crítico tanto por jornalistas quanto por cientistas. O artigo “Otimismo em um mar de incertezas: a cobertura jornalística sobre a pesquisa de novos medicamentos no Brasil", publicado em maio no Journal of Science Communication, traz novos dados que reforçam essa crítica, já levantada na literatura que debate o jornalismo científico. Os autores analisaram 214 reportagens sobre 40 compostos publicadas nos jornais Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo e na revista Pesquisa Fapesp entre 1990 e 2016. Embora jornalistas e cientistas tenham afirmado nas reportagens que tais compostos se tornariam medicamentos em poucos anos, apenas dois foram aprovados para comercialização. A análise da cobertura jornalística evidenciou, ainda, três aspectos recorrentes: o predomínio da abordagem estritamente biológica, o otimismo insustentado e o tom nacionalista. Poucas matérias abordaram outros aspectos, como obstáculos de financiamento para a continuidade dos estudos, dificuldades nas colaborações entre centros de pesquisas e empresas farmacêuticas, barreiras legais à inovação e incertezas sobre o êxito dos testes clínicos. Segundo o artigo, jornalistas e cientistas sobrevalorizaram a fase inicial das descobertas e subestimaram as dificuldades das etapas seguintes, refletindo um otimismo inconsistente, para chamar a atenção dos leitores. Leia o estudo em: <https://jcom.sissa.it/sites/default/files/documents/JCOM_1702_2018_A02_pt_0.pdf>.

2. E a divulgação científica com isso? – Em julho desse ano, as organizações não governamentais que representam as ciências “duras” e sociais irão formar um único Conselho Internacional de Ciência. Sendo a Agenda Global 2030 para o desenvolvimento sustentável o seu maior foco, um dos objetivos dessa “fusão” é melhorar a forma de enfrentar os desafios globais. Em artigo da seção In deph, na edição 41 da revista Spokes, o pesquisador Gordon Macbean, da Western University (Canadá), aponta que é preciso uma ciência integrada para contribuir com soluções transformadoras, trabalhar simultaneamente para proteger recursos e promover a equidade social e o bem-estar humano. Isso significa mudanças significativas na política científica internacional: trabalhar de forma interdisciplinar, global e com a sociedade. Nesse cenário de grandes desafios e objetivos ambiciosos, a divulgação científica terá um papel chave. O pesquisador destaca a importância do entendimento das evidências científicas e do engajamento social, de forma a motivar ações integradas e eficazes da sociedade. O artigo, em inglês, pode ser acessado gratuitamente em: <https://www.ecsite.eu/activities-and-services/news-and-publications/digital-spokes/issue-41#section=section-indepth&href=/feature/depth/integrating-sciences-address-global-agenda-2030>

3. Gênios, super-heróis, santos… calma, são só prêmios Nobel! – Imagine um ganhador ou ganhadora do prêmio Nobel. Quais as características desta pessoa lhe vêm à cabeça? Talvez surja genialidade, muito trabalho e estudo, inteligência, trabalho científico de qualidade, entre outros elementos. É justamente sobre esse imaginário do cientista Nobel – e, por consequência, o que o prêmio faz com a ciência – que o corpo de artigos da nova edição da Public Understanding of Science se debruça. No editorial, o sociólogo Massimiano Bucchi traz o questionamento: como, exatamente, o prêmio contribuiu para definir a forma como pensamos a ciência e os cientistas? Mesmo sendo o prêmio científico mais comentado e midiatizado do mundo, nem sempre os ganhadores atingem o patamar da fama e prestígio eternos. Pelo contrário, há cientistas que permanecem num patamar mais modesto. Para entender o porquê, segundo Bucchi, é preciso atentar para algumas variáveis, como, por exemplo, a fama da pessoa antes da premiação, a área da ciência que estuda, o quanto ele ou ela divulga seu trabalho e aparece publicamente, entre outros fatores. A tendência da mídia, na cobertura do prêmio, é enquadrar o cientista em uma ou mais das seguintes narrativas: o pesquisador gênio, o pesquisador herói da nação (já que o prêmio atribui visibilidade à ciência de um determinado país) e o pesquisador santo (“o papa da física”). Mas, afinal, como isso beneficia ou prejudica a percepção pública da ciência? Segundo Bucchi, uma das hipóteses é que, ao dar muita visibilidade aos cientistas ganhadores, lançando-os como celebridades, algumas virtudes podem ficar de lado, como a modéstia e a humildade, o que prejudica a ciência também. O editorial (acesso aberto) e os artigos da edição (para assinantes) estão em: <http://journals.sagepub.com/toc/pusa/current>.

4. O sonho da Ciência Hoje não pode acabar – Nos anos 80, um grupo de cientistas integrantes da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência sonhava criar uma revista de qualidade para divulgar ciência em todo o país. Nascia, assim, em 1982, a Revista Ciência Hoje. Escrita por cientistas e jornalistas, não demorou para ser reconhecida e seu sucesso serviu de estímulo para a criação da Ciência Hoje das Crianças, além de outras iniciativas, como o Programa Ciência Hoje de Apoio à Educação. Porém, mais de três décadas depois de sua criação, por falta de recursos financeiros, o projeto se viu ameaçado e foi descontinuado. Tempos sombrios.  Mas o sonho continua agora, com o relançamento em junho de novas edições das duas revistas. Nesta nova fase, a revista será 100% digital, mas com a possibilidade de ser impressa, caso o leitor prefira. Os preços das assinaturas anuais partem de 130 reais, no caso da versão digital da Ciência Hoje das Crianças, ou 165 reais, para um ano da versão online da Ciência Hoje. Os sites já estão no ar: http://cienciahoje.org.br/ e http://chc.org.br/. Para fazer assinatura, acesse: http://cienciahoje.org.br/shop/ 

5. Série de documentários aborda a biodiversidade dos parques nacionais – A relação entre meio ambiente, saúde e qualidade de vida é explorada em belíssimas imagens na série Parques do Brasil, que será lançada em 6 de junho, às 14h no auditório do Museu da Vida. No evento (gratuito), será exibido o primeiro episódio, que trata da biodiversidade do Parque Nacional das Emas (Goiás). Ele fala sobre o cerrado – um bioma ainda pouco conhecido – e mostra a diversidade de espécies, como o veado-campeiro, a anta, o galito, a sucuri-verde, o queixada, a ema, a coruja-buraqueira e muitas outras. Também fala do uso do fogo e das ameaças geradas com o boom do agronegócio. Após a exibição, haverá um bate-papo com os realizadores, entre eles a pesquisadora do Museu da Vida Luciana Alvarenga, coordenadora do projeto pela Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz), e Carlos Sanches, diretor, roteirista e coordenador do projeto pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). Parques do Brasil é uma série de documentários de TV e web, fruto de parceria entre a Casa de Oswaldo Cruz, a EBC e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Cada episódio é narrado como um diário de expedição e conta com trilha sonora original, além de desenhos e mapas.  O primeiro deles será exibido também na TV Brasil, em 5 de junho (Dia Internacional do Meio ambiente), às 22:15h. O Museu da Vida fica na Av. Brasil, 4365, Manguinhos, Rio de Janeiro. Saiba mais em: <https://bit.ly/2ILirqP>.

6. Nova temporada de “Isaac no mundo das partículas” – Um menino vai à praia e se surpreende quando um grão de areia de repente ganha vida! É esse grão que vai levar o menino numa viagem que começa na Grécia e acaba no Cern (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), na tentativa de responder a uma série de perguntas sobre mistérios do universo. A peça infantil “Isaac no mundo das partículas” mostra que é possível falar de física quântica para crianças. Com muita música, o enredo é narrado por uma partícula subatômica, o Bóson de Higgs, com participação de “músicos-partículas” e cientistas. O texto é de Elika Takimoto, adaptado por Joana Lebreiro, que também assina a direção do espetáculo. Após uma temporada de sucesso de janeiro a março no Oi Futuro, a produção conseguiu custear sua segunda temporada a partir de um financiamento coletivo e fica em cartaz no Teatro Ipanema até 1 de julho, aos sábados e domingos às 16h (não haverá sessão em 17 de junho). O ingressos custam R$50,00 (Inteira) e R$25,00 (Meia). Moradores do Rio de Janeiro que apresentarem comprovante de residência na cidade pagam meia. O teatro Ipanema fica na Rua Prudente de Moraes, 824, Ipanema, Rio de Janeiro. Mais informações pelos telefones (21) 2267-3750/3518-5220 e em: <https://www.facebook.com/isaacnomundodasparticulas/>.

7. Curso de um dia sobre comunicação pública da ciência – Estão abertas as inscrições para o 5º Fala Ciência!, curso de comunicação pública da ciência e tecnologia oferecido pela PUC Minas e pela Rede Mineira de Comunicação Científica, que será realizado em 12 de junho, no Auditório do Museu de Ciências Naturais. A programação começa às 8:30h e inclui cinco palestras, com os temas “Mídia e Divulgação Científica: mais inquietações, menos certezas” (de Denise Tavares, da Universidade Federal Fluminense), “Indicadores de Impacto da Atividade de Divulgação Científica” (de Silvania Sousa do Nascimento, da Universidade Federal de Minas Gerais), “Um Raio X dos Jornalistas de Ciência: há uma nova ‘onda’ no Jornalismo Científico no Brasil?” (de Luís Amorim, do Museu da Vida/Fiocruz), “Boatos, Fake News, Fake Issues: como lidar com a desinformação em ciência e tecnologia” (de Yurij Castelfranchi, da UFMG) e “Novas Linguagens para a Divulgação Científica nas Redes Sociais” (de Luana Cruz, da PUC Minas). O auditório do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas fica na Rua Dom José Gaspar, 290 - Coração Eucarístico, Belo Horizonte (MG). Inscreva-se pelo link: <http://www.sistemas.pucminas.br/gpi/SilverStream/Pages/pg_INSC_InstrucoesProcesso.html>.

8. Olhares sobre a museologia – Você realiza pesquisa sobre aspectos da museologia? Fique atento: o I Encontro de Pesquisa em Museus e Museologia da USP está recebendo propostas de trabalho de interessados em apresentar projetos até 15 de julho. O encontro será sediado nos museus Paulista e de Zoologia nos dias 3 a 6 de dezembro. Ao todo, oito temas orientam as submissões: acessibilidade; educação em museus; coleções museológicas, estudos de colecionismo e documentação; comunicação museológica; conservação preventiva e restauro; gestão museológica; teoria museológica; virtualidades e ações museológicas. Poderão ser apresentadas pesquisas de pós-graduação, graduação ou em nível técnico. Para pesquisadores do primeiro nível, com pesquisas concluídas ou em andamento, o tempo de apresentação é de 20 minutos e a modalidade disponível é comunicação oral. Já para os outros níveis, é necessário enviar um pôster digital para o e-mail <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>; o tempo de apresentação será de dez minutos. As propostas selecionadas serão comunicadas a partir de agosto de 2018. As taxas de inscrição variam de acordo com a modalidade: R$ 40 para pôster comentado e R$ 50 para comunicação oral. Confira o edital com mais informações no link: <https://drive.google.com/file/d/1guoNGMzKQXpRe9ZNVkWhCO24Dz_AIO6F/view >.

9. Prêmio John Maddox 2018 – Foi lançada a chamada para a sétima edição do Prêmio John Maddox. O prêmio, uma iniciativa da Sense of Science e da revista Nature, visa reconhecer indivíduos que se destacam na luta em defesa da ciência e das evidências científicas sobre temas de interesse público, mesmo quando enfrentam dificuldades e hostilidade por parte de alguns setores da sociedade. De caráter internacional, candidatos de qualquer país e área de atuação podem concorrer, caso tenham desempenhado alguma das seguintes atividades: abordou informações enganosas sobre qualquer assunto científico (incluindo ciências sociais e medicina); trouxe evidências sólidas para um debate público ou político; ou ajudou o público a entender uma questão científica complexa. Os candidatos devem ser indicados por pessoas familiarizadas com o seu trabalho. A indicação deve ser feita pela internet até 13 de agosto, às 24h (horário de verão britânico). O responsável pela indicação deve solicitar a permissão do candidato, preencher uma ficha (em inglês) na qual deve incluir uma carta de recomendação com no máximo mil palavras -  incluindo bibliografia e a descrição do trabalho realizado pelo candidato. Após submissão do formulário, uma carta formal de indicação pode ser encaminhada para o e-mail: <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>. O vencedor será escolhido por uma comissão julgadora e receberá a quantia de 3.000 libras. Para obter detalhes sobre o Prêmio, critérios de avaliação e ficha de indicação, acesse:  <http://senseaboutscience.org/activities/maddox-nominations/>.

10. Oportunidade de mestrado e doutorado em divulgação científica – O programa de Pós-graduação Stricto sensu em Ensino em Biociências e Saúde do Instituto Oswaldo Cruz/Fiocruz está com inscrições abertas para o seu mestrado, até 15 de junho, e para o seu doutorado, até 31 de janeiro de 2019. Criado em 2004 e atualmente reconhecido pela Capes com nota 6, numa escala que vai até 7, o programa conta com 27 doutores orientadores em seu quadro e disponibiliza dez vagas para o mestrado e outras dez para o doutorado. Além da linha de pesquisa Divulgação, Popularização e Jornalismo Científico, há ainda outras três: Ensino e Aprendizagem em Biociências e Saúde; Ciências Sociais e Humanas Aplicadas ao Ensino em Biociências e Saúde; e Ciência e Arte. O edital para o mestrado pode ser conferido neste link: https://pgebs.ioc.fiocruz.br/sites/pgss.ioc.fiocruz.br/files/u25/ChamadaPublica%202018%20-%20MA-30abril2018%20-%20Final.pdf. Já o de doutorado está online em: https://pgebs.ioc.fiocruz.br/sites/pgss.ioc.fiocruz.br/files/u25/ChamadaPublica%202018%20-%20DO-30abril2018%20-%20Final.pdf. As inscrições podem ser feitas na Plataforma Siga, da Fiocruz: http://www.sigass.fiocruz.br/.

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Ciência & Sociedade é o informativo eletrônico do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz). Editores de Ciência & Sociedade: Marina Ramalho e Carla Almeida. Redatores: Luís Amorim, Renata Fontanetto e Rosicler Neves. Projeto gráfico: Luis Cláudio Calvert. Informações, sugestões, comentários, críticas etc. são bem-vindos pelo endereço eletrônico <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>. Se você não quer mais receber Ciência & Sociedade, envie um e-mail para <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>.

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