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Neste informe: 

1. A invisibilidade feminina na cobertura sobre Covid-19 

2. Incerteza científica e confiança pública na ciência 

3. Um panorama da desinformação sobre Covid-19 no Brasil  

4. Efeitos da pandemia no jornalismo  

5. Como atuar na luta contra a desinformação  

6. Como organizar festivais de ciência após a pandemia  

7. Encontro de Centros e Museus de Ciência terá em duas etapas: online e presencial

8. Últimas semanas: congresso internacional virtual recebe trabalhos  

9. Mulheres na ciência, em perspectiva histórica e cultural  

10. Prazos estendidos para dossiês de divulgação científica 

1. A invisibilidade feminina na cobertura sobre Covid-19 – Na cobertura jornalística sobre a pandemia do novo coronavírus, pesquisadoras e médicas são bem menos citadas do que seus colegas homens em meios de comunicação de diversos países. Uma das consequências da marginalização da voz feminina são os temas que acabam sendo priorizados (ou invisibilizados) nessa cobertura: sem o olhar e a experiência de pesquisadoras, interesses e questões importantes para as mulheres podem ser desprezados pela mídia e, consequentemente, por políticas públicas. Outro desdobramento é o reforço do estereótipo de gênero de que os homens são mais confiáveis em emergências e como tomadores de decisões. Esses e outros aspectos são abordados na reportagem “Women are systematically excluded from global coronavirus coverage, experts say”, publicada em outubro pelo jornal norte-americano The Washington Post, na qual a repórter Miriam Berger se baseia em entrevistas a pesquisadoras, que relatam suas experiências pessoais, mas também em diversos estudos. Um deles é o relatório “The Missing Perspectives of Women in COVID-19 News”, financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates (disponível em: <https://wapo.st/34Gi8HF>), que analisou meios de comunicação do Reino Unido, EUA, Kenya, África do Sul, Nigéria e Índia. Também foram citados o relatório “Rapport sur la place des femmes dans les médias en temps de crise”, do Ministério de Cultura francês (acesso livre em <https://bit.ly/37W0T7p>) e um estudo da Universidade de Zurique (Suiça), entre outras fontes. Acesse a reportagem em: <https://wapo.st/31ZqsRg>.   

2. Incerteza científica e confiança pública na ciência - A incerteza é uma parte essencial da pesquisa científica, mas deve ser abordada de forma cuidadosa, especialmente durante uma pandemia, como mostra o artigo “Model uncertainty, political contestation, and public trust in science: Evidence from the COVID-19 pandemic”, publicado no periódico Science Advances. Os autores testaram empiricamente, no contexto da pandemia de Covid-19, de que forma a identidade de quem está associado a uma informação e a forma como a incerteza é divulgada influenciam a opinião pública americana. Para tanto, desenvolveram cinco experimentos, cada um deles com diferentes condições, com linguagem e conteúdo baseados na cobertura jornalística americana sobre a pandemia. Especificamente, utilizaram um pequeno texto contendo críticas ou apoio da elite política americana – democratas ou republicanos – aos modelos epidemiológicos. Dados e informações em que a incerteza foi ignorada, reconhecida ou destacada também foram utilizados. Os experimentos foram incorporados em quatro enquetes online, respondidas por seis mil participantes, de maio a junho. Os resultados mostram que as críticas políticas aos modelos epidemiológicos podem diminuir mais a confiança pública na ciência quando realizadas por democratas do que por republicanos. Em se tratando da incerteza, os autores alertam que as interpretações fatalistas dos dados são eficazes para obter o apoio público em curto prazo. No entanto, se as projeções se mostram incorretas, críticas e argumentos que enfatizam as reversões podem diminuir o apoio público paras as políticas baseadas em pesquisa científica. Acesse o artigo completo em: <https://bit.ly/3oWufbI>.   

3. Um panorama da desinformação sobre Covid-19 no Brasil – No dia 21 de outubro, duas pesquisadoras brasileiras depositaram na base medRxiv o artigo “When governments spread lies, the fight is against two viruses: A study on the novel coronavirus pandemic in Brazil”. A base é um arquivo online gratuito de distribuição para artigos completos, mas não publicados, ou seja, que ainda não passaram pela avaliação por pares. No documento, as autoras destacam que um dos desafios colocados pela nova pandemia de coronavírus é lidar com a grande quantidade de informações publicadas, juntamente com desinformação e rumores. Com foco nestes dois últimos pontos, as pesquisadoras analisaram todo o conteúdo com desinformação examinado pelo serviço de checagem “Agência Lupa”, durante seis meses de 2020. Utilizando análise de conteúdo para classificar os 232 textos, as pesquisadoras relatam que a maioria foi publicada no Facebook (76%), seguido do Whatsapp, com 10% do total de casos. Metade das histórias (47%) são classificadas como “da vida real”, ou seja, o foco está em situações cotidianas ou circunstâncias que envolvem pessoas. Em relação ao tipo de desinformação, há uma preponderância de conteúdo fabricado, com 53% do total, seguido de contexto falso (34%) e conteúdo enganoso (13%). Por fim, as autoras destacam que a desinformação sobre a Covid-19 no Brasil parece ajudar a estabelecer uma agenda de definição política no país e que o enquadramento do material analisado está alinhado com a posição política do presidente Bolsonaro. O artigo completo está disponível em inglês no link: <https://bit.ly/3kYgerV>.  

4. Efeitos da pandemia no jornalismo – Como em todos os setores da sociedade, a pandemia de Covid-19 também deixou marcas na indústria do jornalismo. A pesquisa Jornalismo e Pandemia, promovida pelo Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês) e pelo Centro Tow para Jornalismo Digital, da Universidade de Columbia (EUA), ouviu profissionais de diversos países para tentar entender os impactos da pandemia na saúde física e mental dos jornalistas, a disseminação da desinformação, os efeitos econômicos nas redações, as mudanças na forma como os jornalistas trabalham e os desafios à liberdade de imprensa. Em outubro, foram divulgados resultados preliminares da etapa feita com 1.406 profissionais de imprensa, falantes do idioma inglês, de 125 países, incluindo Brasil. Os dados foram coletados entre 13 de março e 30 de junho. O estudo apontou que 70% dos entrevistados classificaram o custo psicológico como seu maior desafio durante a pandemia. Sobre a onda de desinformação, mais de 80% deles disseram que tiveram contato com informações falsas semanalmente – segundo os respondentes, a desinformação circulou mais no Facebook (66%), Twitter (42%) e WhatsApp (35%). Muitos jornalistas relataram ameaças e restrições que afetam a liberdade de imprensa – um em cada cinco entrevistados, por exemplo, relatou que o assédio online era “muito pior” do que antes da pandemia. Acesse o relatório na íntegra, em inglês, em: <https://bit.ly/2I4pSL7>. Leia matéria em português da Rede de Jornalistas Internacionais, a respeito da pesquisa, em: <https://bit.ly/35VbNaU>.  

5. Como atuar na luta contra a desinformação - Numa antiga palestra TED (2006), com mais de 7 milhões de visualizações <https://bit.ly/34XYDdR>, Michael Sherman nos pergunta – e responde – por que as pessoas veem a Virgem Maria em um sanduíche de queijo ou ouvem letras demoníacas na música "Stairway to Heaven". Ele, que se define como debunker – ou, em português, desmistificador –, de forma divertida mostra como nos convencemos a acreditar ou ignorar os fatos. Mais de quinze anos atrás, já dava mostras de como lidar com a desinformação. Agora, acaba de ser lançado o guia The Debunking Handbook 2020, que resume o estado atual da ciência da desinformação e sua desmistificação. Escrito por uma equipe de 22 estudiosos da área, tenta buscar o consenso atual sobre a ciência da desmistificação para cidadãos, legisladores, jornalistas e outros profissionais. O manual foi criado a partir de uma série de etapas predefinidas, todas seguidas, documentadas e disponibilizadas ao público. Segundo os organizadores, os autores foram convidados com base em seu status científico na área e todos concordaram com todos os pontos apresentados no manual. O guia está disponível em inglês, gratuitamente, no link: <https://bit.ly/2Grw3Im>. 

6. Como organizar festivais de ciência após a pandemia – A Universidade da Silésia é uma das organizadoras do Festival de Ciência em Katiowice (Polônia), atualmente um dos maiores e mais populares da Europa. Estimulada pelo sucesso dos festivais de ciência – conhecidos pelo grande potencial de engajar a população –, a Universidade realizou, em janeiro, o 1º Fórum de Organizadores do Festival de Ciência da Polônia em colaboração com o Ministério de Ciência e Educação Superior desse país. Em resposta à pandemia de Covid-19, o fórum acaba de lançar a publicação Science Communication in the New Reality. How to organise science festivals after the coronavirus pandemic?. O livro reúne reflexões de divulgadores da ciência de vários países da Europa sobre o futuro dos festivais de ciência e os desafios enfrentados atualmente pelos promotores de eventos científicos. Organizado em três capítulos, inicia discutindo a importância da criatividade e do aproveitamento das oportunidades, como o alcance de novos públicos por meio da realização de festivais no formato remoto.  O segundo capítulo foca nos desafios, oportunidades e obstáculos enfrentados pelos festivais de ciência em tempos de pandemia, com contribuições da experiência remota do Festival de Edimburgo (Reino Unido) – um dos mais antigos do mundo – e da perspectiva sueca, com o Festival de Ciência de Gotemburgo. No último capítulo, as perspectivas polonesas são apontadas e o futuro dos festivais discutido sob diferentes aspectos. Um breve registro do evento realizado em janeiro está disponível no final do livro. Acesse gratuitamente, em inglês, em: <https://bit.ly/3mR3C69>. Confira informações do Festival de Ciência de Katiowice em: <https://bit.ly/38bIund>. 

7. Encontro de Centros e Museus de Ciência ocorrerá em duas etapas: online e presencial – Previsto originalmente para ocorrer em setembro de 2020, em formato presencial, o IV Encontro Nacional de Centros e Museus de Ciências será realizado em duas etapas, a primeira delas nos dias 10 e 11 de novembro, por meio da plataforma YouTube. O evento virtual terá como tema "Centros e Museus de C&T em tempos de pandemia" e contará com mesas-redondas, palestras e debates em torno de dois eixos: cibercultura na divulgação científica – já que a pandemia impôs uma rápida migração “do presencial para o online” em função do afastamento do público –; e discussão sobre aspectos práticos de funcionamento dos centros e museus de ciência. Neste último eixo, algumas questões práticas serão discutidas, como: as exposições interativas devem permanecer abertas normalmente ou devem sofrer restrições? Será mantido o horário de funcionamento? Como promover a limitação do número de visitantes? Como capacitar os mediadores para o exercício da mediação online? As inscrições – gratuitas – podem ser feitas até 8 de novembro. Qualquer pessoa, entretanto, poderá acompanhar o evento pelo YouTube. A segunda etapa do encontro está prevista para ocorrer em 2021, em formato presencial. Confira a programação online completa e faça sua inscrição em: <https://bit.ly/2JBx6qy>. 

8. Últimas semanas: congresso internacional virtual recebe trabalhos – Professores, pesquisadores e divulgadores científicos têm até 30 de novembro para submeter propostas para o Congresso Internacional de Investigação em Didática das Ciências, a ser realizado virtualmente de 7 a 10 de setembro de 2021. Organizado pela revista Enseñanzas de las Ciencias – publicação conjunta da Universidade Autónoma de Barcelona e da Universidade de Valência –, sob o lema “Contribuições da educação científica para um mundo sustentável”, a 11ª edição do evento visa discutir e valorizar as contribuições da didática das ciências para a sustentabilidade, além de outros tópicos que compõem as 15 linhas temáticas do congresso. Os interessados devem se inscrever por meio de formulário online, nas modalidades comunicação curta e/ou simpósio, optar por uma linha temática e enviar uma proposta com até três páginas em arquivo Word de acordo com o modelo disponibilizado no site do evento. Os trabalhos, redigidos em espanhol ou português, devem conter resumo, palavras-chave, objetivos, referencial teórico, metodologia, resultados, conclusões e referências. Os simpósios devem ter um coordenador e quatro autores provenientes de pelo menos três instituições distintas. Não há limite de autores para as propostas, mas cada autor poderá apresentar até três trabalhos no congresso. Para participar, os interessados terão de janeiro a 14 de abril para pagar a taxa de inscrição de 195 euros. De 15 de abril a 30 de junho, a taxa aumenta para 240 euros. Para mais informações e submissão de trabalhos, acesse: <https://bit.ly/3oVGDIZ>. 

9. Mulheres na ciência, em perspetiva histórica e cultural – Uma revista sobre história e cultura popular da ciência, que publica uma variedade de vozes e trabalhos sobre mulheres e gênero. Assim se define a interessante revista Lady Science, lançada inicialmente como uma newsletter em 2014. Hoje, com uma revista e um podcast, são cobertos diferentes temas em seções como reportagens, que normalmente são realizadas a partir de grande apuração e enquadramento histórico, ensaios, críticas, comentários sobre eventos atuais e históricos, entrevistas, entre outros. Alguns exemplos de temas cobertos são “Quando as histórias de amor se tornaram remédios para soldados em guerra” e “500 cientistas mulheres usam STEM na luta contra Trump”. A revista aceita contribuições em diferentes seções, mas no momento estão recebendo sugestões de pauta apenas para a seção de reportagens. Para fugir do básico, a publicação deixa claro: não aceita biografias de cientistas particularmente famosas, como Marie Curie (ou qualquer coisa sobre Marie Curie). O site da revista, todo em inglês, é: <https://www.ladyscience.com/>.  Para tentar vender uma pauta, visite: <https://www.ladyscience.com/pitch>. 

10. Prazos estendidos para dossiês de divulgação científica – Dois dossiês especiais de periódicos envolvendo divulgação científica tiveram seus prazos estendidos. A revista Journal of Science Communication ampliou para 16 de novembro a data final de recebimento de manuscritos para o número temático “Re-examining Science Communication: models, perspectives, institutions”. Algumas das temáticas bem-vindas são: o panorama emergente da divulgação científica e os papéis e relações das instituições, cientistas e divulgadores científicos (online e offline); tendências e variações nos modelos e práticas de divulgação científica em diferentes contextos; e como os públicos navegam e se envolvem no panorama da divulgação científica. Mais informações em: <https://bityli.com/Lof9b>. Já o dossiê "Evidence-Based Science Communication in the COVID-19 Era", da revista Frontiers in Communication, recebe propostas de resumos até 30 de novembro. Nesse número, são esperados artigos que abordem temas como: aspectos conceituais da troca de conhecimento entre a pesquisa e a prática; como e por que integrar efetivamente evidências teóricas ou empíricas na prática; modelos para cocriação de evidências entre a pesquisa e a prática de divulgação científica, como esquemas de financiamento que incentivam a pesquisa colaborativa; como as evidências podem ser usadas para determinar e comparar a eficácia de diferentes atividades na prática, entre outras abordagens. Saiba mais em: <https://bit.ly/2TVzH0c>.  

 

 

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