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Por Priscilla da Silva e Renata Oliveira
Educadoras das Ações Territorializadas do Museu da Vida


Desde 2015, as Ações Territorializadas do Museu da Vida (AT) atuam em favelas e periferias da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, promovendo a divulgação da ciência a partir da mediação de exposições e oficinas itinerantes. É notório que, com a emergência sanitária ocasionada pela pandemia do novo coronavírus, as relações sociais foram significativamente alteradas. Diante disso, questões importantes como o acesso e garantia ao trabalho, à educação, à saúde, à cultura e outros direitos foram fortemente afetados, principalmente nos territórios favelados e periféricos.

Partindo deste contexto, perguntamos quais os impactos da pandemia de Covid-19 para alguns professores da rede pública de ensino que participaram de atividades desenvolvidas pelas A.T entre os anos de 2015 e 2019. Escutando estes profissionais, buscamos estabelecer uma reflexão sobre as nossas ações atuais e futuras, além de pensar a relação entre a educação não formal e as desigualdades educacionais existentes nas favelas e periferias.

Os educadores que contribuíram para esta reflexão atuam respectivamente nas redes estadual e municipal de ensino do Primeiro Distrito de Duque de Caxias e também no Complexo de Favelas da Maré. Lecionando as disciplinas de biologia e geografia, ambos os professores buscam estabelecer um processo de ensino e aprendizagem crítico e reflexivo, que tenha um sentido real para seus alunos.

Foram realizadas quatro perguntas aos professores via aplicativo de mensagens. A primeira, de caráter mais geral, abordou o contexto da pandemia; a segunda, mais específica, tratou da importância de atividades e ações de divulgação da ciência; a terceira questão pontuou o desenvolvimento de lives e atividades educacionais on-line; e a quarta e última pergunta focou a questão do acesso à internet para os alunos e profissionais da educação.

Em relação à primeira, alguns professores nos disseram:

“A pandemia em si já afetou a estrutura da sociedade completamente, tanto financeira quanto pessoal”
(Professora da Rede Estadual de Caxias)

“A pandemia tem sido um momento bem diferente. Passamos por várias fases, muitas incertezas e medos”
(Professor da Rede Municipal do Rio de Janeiro)

 

Sobre as ações de divulgação científica, uma professora que atua na rede estadual de Duque de Caxias relatou:

“É de extrema necessidade mais ações de divulgação da ciência para a sociedade. Eu acompanhei algumas lives de especialistas da área da saúde, psicologia e educação. Pra mim é acessível, as palestras são gratuitas. Mas para meus alunos, há a mesma dificuldade que eu citei antes, falta de recursos, como computador, celular e internet. As lives deveriam continuar pós-pandemia. Para pessoas, como eu, com filho pequeno, que não podem sair a qualquer momento de casa, seria de grande importância. Pude acompanhar muito mais assuntos que antes. E, voltando à divulgação, se tivéssemos esse trabalho mais aprofundado anteriormente, não teríamos, talvez, o número tão alto de mortes por covid-19.”
(Professora da rede estadual de Caxias)

Em relação à terceira questão, sobre lives e outros formatos on-line durante a pandemia, um professor que leciona em uma das favelas do complexo da Maré destacou:

"Acho importantes as lives, os alunos principalmente do fundamental são muito curiosos, e essa sensibilização à ciência é muito salutar. Acredito que vídeos curtos ou a utilização de podcast podem ser boas estratégias. Tipo uma entrevista em cada vídeo, respondendo algumas perguntas."
(Professor da rede municipal do Rio de Janeiro)

O acesso à internet também foi um ponto de debate entre os professores, tema de nossa última pergunta:

Muitos alunos não possuem internet, computadores, nem celulares de ponta e têm dificuldades de acessar o conteúdo. Os alunos não gostam de aulas on-line, tento minimizar as dificuldades deles. Mesmo assim, a participação dos alunos é mínima. Muitos não têm o acesso necessário para um bom aprendizado à distância.
(Professora da rede estadual de Caxias)

Atividade realizada na Escola Municipal José Aparecido do Prado Sarti, Inhaúma, no ano de 2018 (arquivo pessoal)

A partir dos relatos dos professores, observamos que a pandemia do novo coronavírus tornou as desigualdades educacionais ainda mais evidentes, além de intensificar as circunstâncias de ausência e violação de direitos básicos. O acesso à internet não é igualitário. Não considerar esta realidade é fortalecer o processo de exclusão social. É necessário pensarmos em estratégias e ações de divulgação da ciência que considerem esta realidade e que promovam, efetivamente, a participação social de quem mora e atua em territórios de favelas e periferias. Isso possibilitaria um retorno concreto e eficaz às demandas destas populações, sem priorizar somente as necessidades institucionais de museus e centros de ciências. Precisamos avançar no entendimento do nosso papel e também do nosso lugar enquanto educadores e divulgadores científicos.

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(Um agradecimento especial ao professor Jonata Jesus e Vanessa Lins!)

Publicado em 10 de setembro de 2020

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