Ir para o conteúdo

Por Melissa Cannabrava
Colaborou: Renata Fontanetto

O ano de 2020 chegou com a notícia de uma pandemia que mudou a rotina de milhares de pessoas em todo o mundo. Uma das formas de conter o avanço do novo coronavírus, responsável por causar a doença Covid-19, é o isolamento social, justamente por estarmos falando de uma doença altamente contagiosa. Para isso, crianças deixaram de ir às escolas, o turismo teve uma grande queda e pessoas do grupo de risco, como aquelas que têm mais de 60 anos, tiveram que redobrar os cuidados com a saúde.

É considerado idoso aquele que tem 60 anos ou mais, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o número de pessoas nessa faixa etária chega a 13% da população brasileira, com mais de 28 milhões de indivíduos. Uma pesquisa feita pelo IBGE em 2018, a Projeção da População, aponta que esse quantitativo pode dobrar nas próximas décadas.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), de base domiciliar e de âmbito nacional, realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2013, 17,3% dos idosos apresentavam limitações funcionais para realizar as Atividades Instrumentais de Vida Diária (AIVD), como a utilização de meios de transporte, a realização de trabalhos domésticos, o controle dos remédios e o ato de fazer compras. 

A fragilidade dos idosos, muitas vezes, é vista com preconceito, e uma publicação do dia 7 de junho no Portal do Envelhecimento aponta a desvalorização dos mais experientes:

“Apesar de a Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhecer o direito à vida, à assistência médica e ao tratamento digno e igualitário ao longo da vida, durante o combate ao coronavírus o que observamos é uma discriminação cada vez maior às pessoas idosas, discriminadas pela idade e pela saúde, muitas inclusive se encontram desprotegidas em suas residências. A violência do olhar da sociedade para com os mais velhos se espalha nas redes sociais com vídeos mostrando idosos – muitos visivelmente em situação de grande fragilidade – como se fossem crianças, ou até em discursos de homens públicos e empresários anunciando a desvalorização da vida dos mais velhos.” 

É necessário pensar em coletividade, entendendo e atendendo todas as diferenças. A preocupação com a forma de vida dos idosos é vista na dissertação “A experiência museal dos idosos no Museu da Vida: acessibilidade, interação e diálogo”, da pesquisadora Denyse Oliveira, que se aprofundou durante o mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz. Em seu estudo, Denyse afirma que “quanto maior a faixa etária, mais afastados somos da vida cultural da cidade”. Um dos motivos seria a falta de companhia e acessibilidade para o público mais idoso.

Aproveitando o tempo livre com a família

Dona Vilma gosta de caça-palavras e passa o tempo com a família. Foto: acervo pessoal

Enquanto alguns idosos estão aproveitando a companhia da família durante a quarentena, outros buscam formas de substituir o tédio. “Sinto falta de algumas coisas, porque só ficar dentro de casa às vezes é chato. Mas estou levando bem. Eu e minha filha nos dividimos nas tarefas de casa e criamos uma rotina para o tempo passar sem ser chato”, conta a moradora de Olaria Vilma Henriques, de 68 anos, que comenta sobre os cuidados que tem tomado. 

“Não saio de casa sem necessidade; Mercado, farmácia e sacolão quem faz é a minha filha. E aí tem o sapato de ir na rua, que fica na varanda de casa, e é limpo sempre com uma mistura de água, água sanitária e sabão. Máscara e álcool em gel estão sempre em mãos quando preciso sair. Comprei até máscaras de Minnie Mouse para deixar a gente mais alegre”.

A aposentada confessa que é difícil escapar da rotina, mas tem traçado estratégias para aproveitar os dias da melhor forma. “Divido o tempo nas coisas de casa. Dona de casa tem aquela rotina, né? E aí, quando termino as coisas, subo e desço escadas como forma de praticar exercícios. Vejo programas de receitas e também pinto e faço caça-palavras", detalha.

Sem tempo para o tédio

Para a agricultora Juliana Medeiros Diniz, de 74 anos, o ritmo é outro. No Sítio Santa Bárbara, onde vive em Magé, ela cuida de mais de 80 tipos de frutas e mantém o espaço como uma ilha agroecológica.

“Eu estou trabalhando muito, pois a gente está entregando cestas dos produtos agroecológicos. Além disso, trabalho na cozinha também. O trabalho aumentou, pois agora só vem um funcionário por dia para evitar muitas pessoas no mesmo ambiente. Estou indo para a área da roça, já que a maioria dos meninos estão em casa”, relata Juliana. 

A agricultora afirma que não deixa de lado os cuidados para evitar a doença e que está costurando máscaras, itens que estão sendo doados. “Não tenho saído de casa para nada. Tenho apoio dos meus filhos, que levam os produtos para entrega. Me cuido e fico preocupada quando recebo as pessoas”, conta.

Namoro à distância também é uma possibilidade

Sandra encontrou um namorado em plena quarentena. Foto: acervo pessoal

Sandra Dahan, 70 anos, está viúva há dois anos. Pró-ativa e sempre com bom humor, ela arranjou um namorado durante a quarentena. Sim, isso mesmo! Pessoas idosas também namoram. O nome do pretendente ela prefere não revelar, mas conta que ele é músico, mora em São Paulo e tem 54 anos. Ela, de Itacuruçá, no Rio de Janeiro, mora sozinha. 

"Eu tenho um grupo de amizade na terceira idade, no Facebook. Num dia, veio a mensagem de um menino, com uma mensagem sobre silêncio. Eu respondi e coloquei uma florzinha. Outras mulheres estavam respondendo ele também. Ele começou a conversar comigo e, num determinado momento, pediu meu número de zap", relata Sandra. 

Desde então, lá se vão dez dias de conversas pelo WhatsApp e por vídeo no computador, com um sentimento e carinho crescentes. Com a proximidade dos Dia dos Namorados, ela lançou um verde: "Que que eu vou falar para as pessoas amanhã se me perguntarem se estou namorando?". A resposta: sim, pode dizer que sim. Para Sandra, o contato só tem feito bem, pois ela se sente querida ao receber mensagens pela manhã e ligações de alguém que está demonstrando afeto. O namoro, por enquanto, segue apenas on-line enquanto o distanciamento social durar. "Se não der certo, pelo menos eu curti e vou seguir tomando minha cervejinha", responde de bem com a vida.

 

Publicado em 12 de junho de 2020.

Link para o site Invivo
link para o site do explorador mirim
link para o site brasiliana

funcionamento terça a sexta-feira: 9-16h30, sábados: 10h-16h

agendamento de visitas 55 21 3865-2138

Fiocruz, Av. Brasil, 4365 - Manguinhos, Rio de Janeiro| CEP: 21040-900

Copyright © Museu da vida | Casa de Oswaldo Cruz | Fiocruz

museudavida@fiocruz.br

Assessoria de imprensa: divulgacao@coc.fiocruz.br.

O Museu da Vida faz parte de:

abcmc astc redpop ecsite icom

Amigos do Museu da Vida: uma rede de Saúde, ciência e cultura

Johnson & Johnson ibm conheça