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Por Denyse Oliveira, coordenadora do Núcleo de Desenvolvimento de Público do Museu da Vida

A pandemia mal tinha se apresentado no Brasil e os idosos já foram destacados como o grupo mais vulnerável à Covid-19. E não interessava se você tinha 60 ou 80 anos, se a saúde era boa, se não tinha comorbidades e se seus hábitos eram saudáveis. Todos deveriam – e devem! – ficar em casa (em home office ou não) pelo bem da saúde pública e do sistema de saúde dos municípios.

Junto com as matérias sobre o perigo do contato social e as orientações de não sair para caminhar, fazer compras ou encontrar amigos, nem receber visitas de familiares, apareceram algumas características imputadas à maioria dos idosos – teimosia, resistência a perder autonomia, incapacidade de dialogar, falta de capacidade cognitiva para processar o risco etc. Será que podemos vislumbrar nisso o preconceito contra os idosos – etarismo, ‘velhofobia’, gerontofobia ou qualquer nome que se use para conceituá-lo? É preciso sempre contemplar que cada indivíduo é diferente e as mudanças fisiológicas inerentes ao envelhecer não são as únicas que determinam o comportamento do idoso.

Imagem: Nádia Lobo da Fonseca

Se você pertence à comunidade que assistiu à Copa do Mundo de 1970, ouviu os Beatles no rádio, viu o ‘rei’ Roberto Carlos começar o seu reinado e usou tênis Conga, então veja o que um grupo de amigas acha disso tudo. Há quase quatro anos, elas criaram um grupo no WhatsApp com o propósito de reunir amigas bibliotecárias que se conheceram na Uerj, sendo que, hoje, a maioria tem entre 60 e 70 anos e está aposentada. Com a necessidade de manter o isolamento social, o grupo passou a ser mais acionado, surgindo a ideia de um encontro semanal, sempre às quartas, com a motivação principal de sugerir e comentar filmes, e, claro, também conversar sobre o momento atual.

Aproveitamos para fazer uma enquete com elas e pedimos que nos contassem um pouco sobre as mudanças na rotina, os sentimentos e algumas dicas de atividades que estão ajudando a minorar esse período inesperado, longo e inquietante. Olha o que elas falaram:

Mudanças na rotina

A rotina foi bem abalada, pois, mesmo para aquelas que já estão aposentadas, as atividades que as levavam à rua eram muitas: idas ao supermercado, à academia, encontros com amigos, familiares, passeios pelo bairro etc. Por um lado, muitas sentiram o aumento da carga das atividades domésticas clássicas, como faxinar e cozinhar, ou porque o cuidado relacionado à assepsia aumentou como prevenção ao contágio, ou porque não podem contar com ajudantes. Por outro lado, para as que não moram sozinhas, o tempo compartilhado com quem mora junto aumentou, inclusive em atividades de entretenimento.

As adaptações foram sendo realizadas, principalmente, com o uso das redes sociais para trocar mensagens, aprender coisas novas, ver e conversar com quem está longe por meio de aplicativos disponibilizados gratuitamente. Então, se você puder ajudar alguém a lidar com essas novas tecnologias – tão importantes, especialmente, neste momento –, não deixe de fazer isso!

Algumas substituíram as aulas de ginástica presencias por exercícios indicados on-line. Outras começaram cursos a distância e continuam suas atividades religiosas pela TV ou por plataformas on-line. A maioria começou a usar aplicativos de delivery, o que também trouxe novos aprendizados. Para quem trabalha, a novidade veio com a exigência do home office, que alterou significativamente a maneira de desenvolver projetos e se comunicar com as equipes.

Sentimentos

Estar longe dos familiares, principalmente dos filhos e netos, é a causa maior de ansiedade. Já a questão do etarismo não foi mencionada pelo grupo de amigas: não o perceberam nem nos noticiários nem nas poucas saídas que foram necessárias. Apenas no início, quando o uso de máscara ainda não era obrigatório, uma amiga que já utilizava a proteção percebeu comentários debochados de vizinhos.

Algumas dicas

É importante dar uma sacudida na zona de conforto, buscando reinventar o dia a dia, a forma de conviver com você e com as outras pessoas. Que tal meditar, ler mais livros, ver novas séries? O exercitar-se, para além daquele ligado à faxina, parece trazer um bem-estar e deveria ser incluído na ‘nova rotina’. O tempo assistindo a noticiários foi limitado pela maioria das amigas, assim como informações alarmistas não são levadas adiante. Segundo elas, deixar-se levar pela curiosidade e abrir-se para coisas novas tornou essa experiência tão ruim uma oportunidade de desenvolver algumas boas habilidades, especialmente aquelas que geram um sentimento de participação e valorização de quem é #60mais.

E agora me diga: como você está se virando? Envie um e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. para nos contar sua experiência como pessoa idosa!

#vaipassar

Grupo de idosos reunidos na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2019. (Foto: Acervo do Museu da Vida)

Quando o Museu da Vida reabrir, convidamos você – mesmo que já o conheça – a passar um tempo conosco. Neste período de pandemia, em home office, continuamos a desenvolver exposições, atividades e, acima de tudo, formas de melhor acolher nossos públicos de todas as idades!

Se você não é #60mais, mas está apoiando ou cuidando diretamente de um idoso, os gerontólogos dão alguns conselhos importantes para melhorar o diálogo:

  • Não invente mentiras para convencê-lo a ficar em casa, ameaçando-o com a possibilidade de prisão ou multa ao sair à rua. Você só estará reforçando a perda de confiança em você.
  • Não o trate como criança teimosa: a infantilização do idoso o afasta do compromisso de cidadão ativo, que deve contribuir para o bem-estar público e da família, e ser responsável por atitudes de promoção da saúde e da vida.
  • Não o afaste totalmente do noticiário. Tudo bem que ficar exposto a notícias o dia todo, inclusive com falas controversas, só aumenta a ansiedade e a preocupação, mas o idoso deve ficar a par da realidade. Isso pode ajudá-lo a compreender a gravidade da situação. Porém, evite repassar as notícias mais trágicas, que estimulem o pânico e a visão de um futuro fatídico.
  • Não tente ocupá-lo de qualquer maneira. A tentativa de ocupar o idoso com tarefas que ele não entende como interessantes ou produtivas pode gerar mais ansiedade e aborrecimento, em vez de entretenimento e tranquilidade. Se ele está dentro do convívio familiar, veja quais atividades sugeridas são do seu agrado e podem ser compartilhadas.
  • Não o deixe afastado do convívio familiar e social. Não é possível o encontro físico; então, faça uso do telefone e de aplicativos para amenizar a distância. Além disso, reforce a explicação de que crianças e jovens, aparentemente assintomáticos, podem ser agentes transmissores, justificando por que os netos não podem visitá-lo.

Fonte: Evite estes seis erros ao cuidar de idosos durante o ilosamento.

Aproveite a Live do Museu da Vida com a gerentóloga Sandra Rabello, membro da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia do Rio de Janeiro (SBGGRJ), que será realizada no dia 11 de junho, às 15h, no YouTube do Museu da Vida! O link é www.youtube.com/museudavida.

 

Publicado em 8 de junho de 2020

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