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Apesar de ser um público com grande potencial, é baixa a frequência de idosos em museus. Denyse Oliveira percebeu esse fenômeno através de sua experiência profissional no Núcleo de Desenvolvimento de Público do Museu da Vida. Ela decidiu se aprofundar na questão no mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz. O resultado foi a dissertação “A experiência museal dos idosos no Museu da Vida: acessibilidade, interação e diálogo”, que revelou a necessidade de incentivos para uma inclusão real dos idosos nas experiências de arte e cultura do Rio de Janeiro. “Quanto maior a faixa etária, mais afastados somos da vida cultural da cidade”, afirma. A pesquisadora responde agora às muitas perguntas que os seguidores do Museu da Vida enviaram nas redes sociais em mais uma entrevista da série “Conta Aí, Mestre”. Fala pra gente, Denyse!

Maria Fernanda Marques Fernandes (@mariafernanda.marquesfernandes): Como os idosos vão ao Museu: sozinhos ou em grupo? Se em grupo, grupo familiar ou de amigos?

Denyse Oliveira: Um dos motivos que me levou a estudar o público idoso foi perceber que eles não estão presentes nas famílias que nos visitam. Quando chegam ao Museu da Vida, vêm através de iniciativas de associações ou instituições, isto é, em grupos maiores. Raramente, nos visitam enquanto casais e, mais raramente ainda, sozinhos.

Maria Fernanda Marques Fernandes (@mariafernanda.marquesfernandes): Do que os idosos entrevistados mais gostaram no Museu? Quais temas, instalações, objetos e atividades mais despertaram o interesse deles?

Denyse Oliveira: A satisfação em estar em um ambiente que é amigável e cuidadoso com as limitações inerentes da idade é o primeiro destaque. A visitação ao Castelo Mourisco emocionou a maioria. Percebemos se tratar de desejo antigo, gerar sensação de pertencimento cidadão e orgulho pela ciência brasileira.

 

“O poder público precisa desenvolver políticas que apoiem uma sociedade que vai estar entre as seis populações com mais idosos no mundo em 2025.”

 

Renata Fontanetto (@renata_fontanetto): Denyse, a fim de contextualização, quais são os públicos que mais frequentam museus no Brasil? É possível avaliar que os museus não recebem tantos idosos porque não dialogam e priorizam esse público em suas atividades?

Denyse Oliveira: O público escolar sempre foi a base dos museus de ciência e tecnologia, que é o segmento do Museu da Vida. Porém, existe um movimento positivo de visitação das famílias que estão ampliando os números de visitantes livres. Acredito que se o público idoso se percebesse incluído pela instituição museal – na divulgação, primeiramente – poderia considerá-la como uma opção cultural.

rafa (@partiurafa): Como atrair ainda mais esse público para os centros de ciência? A abordagem que vejo é sempre para as crianças (ou a maioria, no caso)... Gosto muito de atender a esse público e sempre fico animada quando vejo que consigo alcançar o objetivo com eles.

Denyse Oliveira: Acho que o movimento deveria acontecer por iniciativa das famílias, instigando-as a trazer seus idosos e assegurando que o museu é um ambiente capaz de atender às necessidades e interesses diversos. Caberia às instituições se preparar para isso. Atualmente, esse movimento é feito principalmente por clínicas públicas, instituições religiosas e empresas de turismo.

A Ciência Explica (@acienciaexplica): Quais são os motivos dos idosos não frequentarem os museus? E os que visitam, o que os motiva a ir? E estando nos museus, como é a relação deles com exposições e módulos digitais?

Denyse Oliveira: Uma questão fundamental é a falta de companhia. A outra é que, se não houve a formação de hábito de visitação a museus por parte da família ou da escola, na idade mais avançada ele não aparece como opção de entretenimento cultural. A motivação maior parece ser a socialização, mas se a exposição tiver um conteúdo atrativo para o idosos, o espaço pode se mostrar interessante e conseguir atrair a atenção para além do convívio com o grupo. Quanto a tecnologia, a inclusão digital parece bem incipiente para essa faixa de idade. A maioria não teve iniciativa de interagir com os módulos digitais e a ajuda dos educadores foi importante.

Maria Fernanda Marques Fernandes (@mariafernanda.marquesfernandes): Essas motivações [dos idosos para irem aos museus] são diferentes se comparadas às dos mais jovens?

Denyse Oliveira: Acredito que a força do convívio social serve para ambos, mesmo que, para os estudantes jovens, a visita aos museus faça parte de uma programação obrigatória em que a apreensão do conteúdo possa ser cobrada posteriormente. De qualquer forma, o resultado dessa experiência vai depender muito de questões pessoais, culturais, podendo o acolhimento, a mediação e o espaço influenciar bastante.

Catarina Chagas (@catarinachagas): Você conhece algum museu com uma iniciativa de sucesso para atrair idosos?

Denyse Oliveira: Alguns museus em São Paulo estão buscando manter programas e atividades especificamente para idosos, mas não me aprofundei nessa possibilidade. Pode ser o próximo passo.

Maycon Rosembarg (@MayconrosemBarG): Parabéns pela pesquisa, mestra Denyse! Com base apenas na minha pesquisa sobre aplicativos móveis de museus e centros de ciência, foi identificado que os idosos não possuem interesse por smartphones, e deste modo, eles não seriam parte do público-alvo de um futuro aplicativo móvel para museus e centros de ciência, sendo necessário auxílio de outras pesquisas mais focadas em idosos para poder abrangê-los no aplicativo. De alguma forma, a sua pesquisa observou algum aspecto do envolvimento dos idosos com novas tecnologias, como a dos smartphones? Bjus querida!

Denyse Oliveira: Oi, mestre Maycon. Um dos aspectos que observei na visitação dos idosos era que a maioria estava preocupada em registrar a visita por selfie ou no grupo formado por alguns participantes mais próximos. Porém, o mais interessante é que alguns registravam o conteúdo de painéis, vitrines e objetos que despertavam sua atenção. Assim, a preocupação em compartilhar estava presente. Por outro lado, não se aproximavam dos aparatos digitais. Parece que ainda há um longo caminho a percorrer na inclusão digital, principalmente para os de baixa renda. 

Mirian Goldenberg (@mirian.goldenberg.3): Querida mestra, como fazer com que cada criança, cada jovem, cada adulto, em suas casas, escutem, cuidem, respeitem e valorizem os mais velhos? Como cada um de nós pode contribuir concretamente para a invenção de uma bela velhice?

Denyse Oliveira: Prezada Mirian, acredito que o olhar em relação à velhice começa a ser construído nas próprias famílias, pautando-a com respeito. O poder público precisa desenvolver políticas que apoiem uma sociedade que vai estar entre as seis populações mais velhas do mundo em 2025. Da mesma forma, as instituições culturais, ao se tornarem mais acessíveis, vão receber simultaneamente crianças, jovens, adultos e idosos, possibilitando reflexões e aprendizados importantes para todos.

(Edição: Julianne Gouveia)

Publicado em 22/8/2019

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