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Informativo do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica/Museu da Vida - Ano XIX, n. 254, RJ, 1º de agosto de 2019

Neste informe:

1. Brasileiros seguem otimistas em relação à ciência
2. TED Talks como fontes de informação sobre câncer
3. Quebrando barreiras entre ciência e sociedade por meio da poesia
4. A ciência nas publicidades
5. Selfies desafiam a percepção pública dos cientistas
6. A exclusão na divulgação da ciência
7. Museu da Vida estreia peça sobre a força das mulheres na sociedade
8. Mulheres na ciência (e na divulgação científica)
9. Inspira Ciência no Museu do Amanhã
10. Edital Varia História

1. Brasileiros seguem otimistas em relação à ciência – As percepções dos brasileiros sobre a ciência e a tecnologia (C&T) têm dado o que falar, sobretudo após a divulgação no mês passado dos dados coletados pela Wellcome Trust em iniciativa ambiciosa que investigou as atitudes relativas à C&T em 140 países (ver C&S 253). A enquete global aponta um pessimismo maior em relação ao setor na América do Sul do que no resto do mundo, inclusive no Brasil, diferentemente do que apontam todas as pesquisas do tipo realizadas na última década na região, inclusive a mais recente realizada no Brasil. A partir de 2200 entrevistas realizadas em março deste ano, em todas as regiões do país, a nova enquete indica que os brasileiros continuam otimistas em relação à ciência – 73% acham que C&T trazem só benefícios ou mais benefícios que malefícios para a sociedade. Essa visão otimista se estende aos cientistas: para 41% dos entrevistados, estes são vistos como “pessoas inteligentes que fazem coisas úteis à humanidade”. Além disso, 90% defenderam que o governo deve aumentar ou manter os investimentos no setor. Mas nem tudo é um mar de rosas. A visitação a museus de ciência diminuiu consideravelmente em relação à última pesquisa, indo de 12% em 2015 a 6,3% agora. Já em relação ao conhecimento dos brasileiros sobre a ciência nacional, os dados continuam sendo alarmantes: 7% conseguem lembrar de algum cientista importante do país, enquanto apenas 9% citam o nome de alguma instituição de pesquisa brasileira. Isso mostra que há algo de errado com a nossa divulgação científica, não? Os resultados completos da pesquisa, realizada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, em parceria com o Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, podem ser acessados em: <https://bit.ly/31p4691>.

2. TED Talks como fontes de informação sobre câncer – Cada vez mais populares, as TED Talks – palestras de até 18 minutos disponibilizadas em vídeo na internet pela organização TED (Technology, Entertainment and Design) – abordam uma ampla variedade de temas, incluindo os de ciência. Embora ridicularizadas por alguns por sua grande ênfase no entretenimento, as TED Talks têm sido também reconhecidas e valorizadas pelo seu amplo potencial como disseminadoras de informação. Nesse contexto, as autoras do artigo “Spreading Ideas: TED Talks’ Role in Cancer Communication and Public Engagement”, publicado em julho no periódico Journal of Cancer Education, analisaram as TED Talks sobre câncer e os comentários do público nesses vídeos. Para tal, aplicaram uma análise de conteúdo a 49 vídeos (selecionados a partir de busca pela palavra-chave “cancer” no site TED) e a 938 comentários. Entre outros pontos, o estudo observou que 33 vídeos estavam relacionados a aspectos científicos da doença, enquanto 11 focavam a experiência pessoal do apresentador. Dentre os 49, apenas três abordaram tópicos sobre prevenção – considerados pelas autoras como muito relevantes para audiências mais amplas –, enquanto 16 trataram de aspectos sobre terapias e 12, sobre diagnósticos. Uma crítica importante foi o fato de 20 vídeos fazerem extrapolações exageradas de resultados científicos. Do ponto de vista da audiência, as autoras observaram que os “vídeos não científicos” tiveram mais votos negativos e que o público demonstrou duas principais motivações para comentar: criticar as palestras e compartilhar histórias pessoais. Veja os resultados completos em: <https://bit.ly/2YsnzUy>.

3. Quebrando barreiras entre ciência e sociedade por meio da poesia – À primeira vista, a poesia parece ter pouco a oferecer à ciência. Mas, com um olhar mais atento, é possível enxergar nessa linguagem artística um meio extremamente eficaz para comunicar novas pesquisas e até mesmo fazer avançar o conhecimento científico. Essa é a opinião de Sam Illingworth, da Manchester Metropolitan University (Reino Unido), no texto “How poetry can help communicate science”, publicado no blog “Observations”, da Scientific American. Além de escrever poesias com conteúdo científico (disponíveis no blog “The Poetry of Science”: <https://thepoetryofscience.scienceblog.com>), Illingworth é autor do livro A Sonnet to Science, em que mostra como a poesia teve impacto importante no trabalho acadêmico de cientistas renomados. Mas a relação entre ciência e poesia pode ir além, contribuindo para ampliar o diálogo entre ciência e sociedade. Segundo Illingworth, ao desenvolver poesias conjuntamente e compartilhá-las, “não cientistas ganham permissão para expressar suas opiniões [sobre questões científicas] e cientistas ganham permissão para expressar suas emoções”. Para ilustrar o potencial dessa abordagem, ele cita exemplos de uma série de workshops de poesia que ofereceu para cientistas e pacientes com doenças mentais. Acesse o texto gratuitamente em: <https://bit.ly/2Kx9znw>.

4. A ciência nas publicidades – Temas de ciência, assim como o discurso científico, estão presentes em diversos gêneros de programas televisivos – de telejornais a programas de auditório, passando pelas telenovelas. Mas como a ciência aparece na publicidade de TV? No artigo “Ciência em publicidades: uma análise das emissoras televisivas de maior audiência no Brasil”, publicado na última edição da revista Chasqui, as autoras analisaram uma amostra de peças publicitárias veiculadas nas redes Globo e Record durante um período representativo de seis meses de programação de 2013. Foram selecionadas as peças que faziam menção direta à ciência e/ou tecnologia, citavam dados, processos ou termos científicos, ou que apresentavam um cientista/pesquisador. As autoras identificaram que a TV Record transmitiu mais publicidades com abordagem científica que a TV Globo e houve ênfase em assuntos da saúde e de estética. A ciência foi trabalhada de diversas formas: houve menção direta à “pesquisa científica”; presença de cientistas recomendando marcas e produtos; menção a nomes científicos e à nomenclatura técnica das substâncias e, ainda, animações que explicavam o funcionamento do corpo humano e a ação de remédios. Segundo as pesquisadoras, a ciência foi, em geral, utilizada como forma de legitimar os produtos e as marcas, de maneira a contribuir para o convencimento dos telespectadores. Leia o artigo completo em: <https://bit.ly/2TeAmZJ>.

5. Selfies desafiam a percepção pública dos cientistas – Fenômeno na internet, as selfies têm grande destaque nas mídias sociais, plataformas cada vez mais utilizadas também por cientistas para se comunicar com o público e divulgar suas pesquisas. Essa estratégia, entretanto, já gerou preocupação sobre a imagem pública desses profissionais: será que as pessoas confiam em cientistas que usam mídias sociais e aparecem nas postagens? De acordo com o artigo “Using selfies to challenge public stereotypes of scientists”, publicado em maio na revista científica PLOS ONE, depende de como os cientistas se apresentam. O estudo se baseia no trabalho seminal de Susan Fiske (psicóloga social e pesquisadora da Universidade de Princeton), que aponta duas características fundamentais para despertar confiança em relação a um indivíduo ou grupo social: a percepção sobre sua competência e cordialidade. Os autores disponibilizaram montagens com postagens do Instagram aos participantes do estudo para que pudessem explorar e, em seguida, responder a perguntas sobre os cientistas representados e cientistas em geral. Um total de 1618 respostas foram obtidas e analisadas. Os resultados mostram que os cientistas em selfies foram percebidos como significativamente mais simpáticos e mais confiáveis do que os cientistas que postam somente fotos científicas – as mulheres, além de simpáticas, foram percebidas como tão competentes quanto os homens. Esses resultados sugerem que as selfies no Instagram têm potencial para mudar estereótipos que retratam cientistas como pessoas frias e o trabalho em C&T como uma atividade somente de homens. Acesse o artigo, em inglês, em: <https://bit.ly/2JIxoK7>.

6. A exclusão na divulgação da ciência – Estudar os visitantes – seus hábitos, características e experiências museais – é uma prática comum para quem pesquisa museus de ciências. Menos comum é estudar os não visitantes, ou seja, aqueles que não vão ao museu. Pois é nesse público que a pesquisadora Emily Dawson, da University College London (Inglaterra), está interessada. Mais precisamente em entender por que algumas pessoas são excluídas dessa prática e como é possível mudar isso. Com esse intuito, conduziu um estudo com 59 pessoas, de cinco diferentes comunidades londrinas, incluindo entrevistas, grupos focais e visitas a museus de ciência. Os resultados, nada animadores, estão no livro Equity, Exclusion and Everyday Science Learning. Publicado este ano pela editora Routledge, conta uma história triste, marcada por uma série de preconceitos que parecem estar enraizados nos espaços e nas práticas de divulgação científica. Os relatos dos participantes deixam claro que o fato de alguns grupos não visitarem museus de ciência está muito mais ligado a essa exclusão imposta do que à falta de interesse ou de engajamento desses grupos em temáticas científicas. A pesquisadora reivindica um maior compromisso dessas instituições com a equidade em relação ao público que atendem, o que, a seu ver, passa por respeito, representação e reconhecimento dos até aqui excluídos. O livro está à venda em livrarias on-line por um preço bem alto, mas a autora tem investido em sua divulgação em diversos formatos, inclusive em zine, que podem ser acessados em: <https://equityandeverydayscience.wordpress.com>.

7. Museu da Vida estreia peça sobre a força das mulheres na sociedade – Na cidade de Vem Quem Quer, as mulheres só falam quando os homens saem, uma regra criada por homens e passada de geração em geração. No enredo da nova peça do Museu da Vida, “Cidadela”, que estreia em 16 de agosto, o silêncio feminino parece ser aceito pela moradoras da cidade, com exceção da jovem Nina Garota, inconformada com a situação. A vida seguia normalmente em Vem Quem Quer até que os habitantes são pegos de surpresa por um problema que atinge a todos: a falta de água, justamente num momento em que os homens estão fora da cidade. Para resolver o desafio, as mulheres terão que se organizar e, juntas, descobrir sua força e valor. Nessa jornada em busca da água, contarão com a experiência de Marina Lá Se Foi, ex-moradora da cidade que retorna para ajudar. Com elenco formado por quatro atrizes negras cis e trans, o espetáculo expõe questões de gênero de forma delicada e descontraída, ao mesmo tempo em que provoca a plateia a rever seus (pre)conceitos. Produção própria do Museu da Vida, com texto de Renato Souza-Ribeiro e direção de Letícia Guimarães, Cidadela será exibida às sextas-feiras a partir de 16 de agosto, na Tenda da Ciência, com sessões às 10h30 e 13h30. Entrada gratuita. O Museu da Vida fica na Av. Brasil, 4.365, Manguinhos, Rio de Janeiro. Mais informações pelo tel: (21) 2590-6747 e, em breve, no site: <www.museudavida.fiocruz.br>.

8. Mulheres na ciência (e na divulgação científica) – Nos dias 30 e 31 de agosto, acontece o II Congresso de Mulheres na Ciência (CMC), no campus Pampulha da UFMG, em Belo Horizonte. Organizado por mulheres estudantes de graduação e pós-graduação de diversas áreas, o evento está com inscrições abertas e contará com palestras e mesa-redonda para tratar de temas como diversidade na comunidade científica, assédio no ambiente acadêmico, visibilidade das mulheres nas humanidades, seu papel nas ciências exatas, reconhecimento de cientistas brasileiras no exterior e nomes femininos que passaram despercebidos na história da ciência. A programação termina com a palestra “A importância da divulgação científica”, com Aline Ghilardi. Bióloga e pesquisadora na área de paleontologia, Ghilardi é criadora e produtora do blog e do canal do YouTube “Colecionadores de Ossos” – o vlog faz parte do coletivo Science Vlogs Brasil. Vale lembrar inclusive que, nesse coletivo, composto por cerca de 50 vlogs, somente quatro são apresentados apenas por mulheres. O II CMC ocorrerá no Auditório A104 do Centro de Atividades Didáticas II (CAD II) do campus Pampulha da UFMG. Veja a programação completa do evento e os preços de inscrição em: <https://cmcufmg.46graus.com/>.

9. Inspira Ciência no Museu do Amanhã – Estão abertas as inscrições para a 3ª edição do Inspira Ciência (IC), programa de formação organizado pelo Museu do Amanhã e British Council. Desenvolvido especialmente para professores da Educação Básica, o IC visa auxiliar professores na difícil tarefa de desenvolver aulas instigantes que estimulem o interesse dos alunos pela ciência. Combinando teoria e prática, em uma perspectiva interdisciplinar, o Programa irá tratar de novas abordagens de ensino por investigação, elaboração de planos de aulas criativos e temas como a origem do Universo, o Sistema Solar e a Terra, origem da vida, evolução, biodiversidade e expansão da espécie humana sobre o planeta. O Inspira Ciência é estruturado em quatro encontros, com um total de 32h, que ocorrerão nos dias 24/08, 07/09, 28/09 e 05/10, das 9h às 17h. Professores interessados e com disponibilidade devem se inscrever por meio de formulário on-line na página do Programa até o dia 18 de agosto. Todos os selecionados irão visitar as exposições do Museu do Amanhã e receber um livro do Inspira Ciência. As inscrições são gratuitas e o Programa concede certificado de participação. Confira os critérios de seleção e acesse o formulário de inscrição em: <https://bit.ly/2ZGFc45>.

10. Edital Varia História – A revista Varia História, publicação da Pós-Graduação em História da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, recebe até o dia 31 de agosto propostas para a publicação de dossiês temáticos para o biênio 2020/2021. A Revista tem como missão publicar artigos originais e inovadores sobre história – incluindo temáticas de história da ciência –, promovendo diálogos entre membros da comunidade acadêmica e contribuindo para a renovação historiográfica. A proposta deve ser apresentada por dois pesquisadores doutores, oriundos de instituições diferentes e, preferencialmente, uma delas estrangeira. Pode ser encaminhada nos idiomas português, inglês, francês ou espanhol e deve conter título e vinculação institucional dos editores proponentes; nome dos autores que farão parte do dossiê, com dados institucionais de cada um deles, título e resumo dos artigos que farão parte do dossiê; apresentação da proposta contendo de dois a quatro parágrafos; e indicação de um dos quatro cronogramas estipulados pela revista. O dossiê deve ser composto por um mínimo de quatro e um máximo de seis artigos, todos originais e inéditos. As propostas devem ser submetidas para avaliação para o e-mail da revista <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>. Verifique o edital em: <https://bit.ly/31kp9JM>.

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