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Como uma atividade de divulgação científica sobre insetos pode contribuir para despertar o interesse e o engajamento das crianças em relação à ciência? É o que nos conta a educadora Suzi Aguiar, do Museu da Vida, que estudou como a atividade “Ver de Perto” era recebida pelos grupos escolares e quais reações provocava no público infantil. Participaram da pesquisa turmas de escolas localizadas em comunidades do território de Manguinhos. Com esse trabalho, o objetivo de Suzi foi também contribuir para uma aproximação cada vez maior do Museu da Vida com essas escolas.

Suzi filmou a realização da atividade com as diferentes turmas e, ao analisar as gravações, identificou uma riqueza de trocas e interações relacionadas ao encantamento e à aproximação das crianças com os conteúdos científicos. Ela observou também a importância do papel dos mediadores, responsáveis por provocar, motivar e incentivar a participação das crianças na atividade. Os resultados do estudo estão na dissertação que Suzi defendeu no Mestrado em Divulgação da Ciência, da Tecnologia e da Saúde. No “Conta aí, mestre”, ela compartilha com a gente esse trabalho!

Museu da Vida: Qual é a proposta da atividade "Ver de Perto"? 
Suzi Aguiar:
“Ver de Perto” tem como temática principal os insetos, que costumam ser vistos negativamente – ou simplesmente passam despercebidos – no dia a dia das pessoas. Os objetivos da atividade são chamar atenção para a presença e a grande diversidade dos insetos no cotidiano; propiciar reflexões acerca da importância desses seres para o ambiente e para a espécie humana; e apresentar procedimentos e práticas relativos à entomologia (estudo dos insetos).

A atividade está dividida em três etapas. A primeira é a busca aos insetos no campus, onde as crianças – com folder, lápis, lupa e jaleco – assumem o papel de um cientista para a coleta dos insetos. Nessa etapa acontece também a acolhida dos participantes e uma conversa informal sobre o que as crianças conhecem sobre os insetos, o que pensam e sentem sobre eles e o que gostariam de saber mais. O segundo momento é a visita ao Borboletário Fiocruz, onde as crianças percorrem o espaço livremente para observarem as borboletas e os mediadores acompanham, tirando dúvidas, quando solicitados, e mostrando características do desenvolvimento, da alimentação e do habitat das borboletas. A última etapa é na Sala Costa Lima, no segundo andar do Castelo Mourisco, que abriga a exposição “A Entomologia de Costa Lima” e a mostra “Explosão Estética da Biodiversidade Entomológica”. Neste momento, o mediador conta quem foi o entomólogo Costa Lima e explica que os insetos expostos fazem parte de uma coleção científica, isto é, foram coletados para pesquisa e popularização da ciência, enfatizando que não devemos capturar e matar insetos por diversão, pois eles são importantes para o equilíbrio ambiental. 

“Ver de Perto” segue a proposta educativa do Museu da Vida, que privilegia a construção e a aproximação de conhecimentos científicos de forma lúdica, interativa e criativa, e utiliza mediação humana. A atividade foi colocada no quadro de agendamento do Museu da Vida e oferecida aos grupos escolares em 2016. Na minha pesquisa, me pareceu interessante analisar como uma atividade nova no Museu foi concebida, implementada e recebida pelos visitantes. 

Museu da Vida: Quantas turmas participaram da pesquisa? 
Suzi Aguiar:
A pesquisa foi feita com sete escolas da 3ª e 4ª Coordenadorias Regionais de Educação da rede municipal do Rio de Janeiro. Essas escolas estão localizadas em comunidades do território do qual a Fiocruz faz parte. A pesquisa contou com a participação de uma turma por escola, totalizando 231 alunos. A realização da atividade com as crianças foi filmada para o estudo, resultando na análise de mais de sete horas de vídeo.

Museu da Vida: Na análise, que aspectos e comportamentos você procurou observar? 
Suzi Aguiar:
Foram observadas as expressões de emoção das crianças; atitudes como apontar para os insetos reconhecendo os mesmos; o comportamento de colaboração entre as crianças na atividade; a participação nos diferentes momentos, por meio perguntas e respostas, conversas, diálogos. As crianças, quando correm em busca dos insetos, querem logo achar e mostrar aos amigos e mediadores; quando sentam em roda para conversar sobre os insetos, levantam a mão para participarem, para pegarem os insetos. Foi observado também o comportamento delas no deslocamento entre os espaços do Museu: as crianças ficam maravilhadas com o local e fazem perguntas sobre ele. 

Museu da Vida: De acordo com a sua análise, a atividade "Ver de Perto" proporciona quais tipos de trocas e interações?
Suzi Aguiar:
A atividade possibilita trocas entre as crianças; entre elas e a própria atividade; e com os mediadores. Isso acontece por meio de perguntas, respostas, conversas e colaborações; interações junto ao meio ambiente; na observação dos insetos com uso de folder, lápis, lupa e jaleco; quando as crianças veem e apontam as borboletas e os ovos das borboletas; quando elas têm a oportunidade de tocar nos insetos da caixa de terra; quando, na exposição do Castelo, apontam para insetos nunca vistos antes. As expressões de emoção das crianças durante a atividade nos mostram muito dessas interações. 

Museu da Vida: Quais fatores contribuem para um maior engajamento das crianças na atividade?
Suzi Aguiar:
O engajamento pode ser entendido como uma possibilidade das crianças se aproximarem da ciência, vivenciarem novas experiências e construírem cidadania. Na pesquisa, ele foi percebido nas reações, nas expressões, nos gestos, nas falas, na utilização dos materiais, na interação com os mediadores e o ambiente, e na participação das crianças na atividade. Os fatores que contribuíram para um maior engajamento foram: a atuação do mediador; a comunicação com linguagem mais próxima da realidade das crianças; a utilização dos materiais (folder, lápis, lupa e jaleco), que fazem com que as crianças se sintam cientistas; a dinâmica lúdica e interativa, pois as crianças compreendem os aspectos científicos da atividade brincando e se divertindo. 

Museu da Vida: Qual a importância do educador-mediador do museu para esse engajamento do público infantil?
Suzi Aguiar:
Na atividade “Ver de Perto”, há um mediador responsável pela condução das etapas e outros mediadores que dão apoio e também explicações em cada área específica. A atuação dos mediadores está diretamente relacionada ao grau de engajamento das crianças. Durante a atividade “Ver de Perto”, observou-se que os mediadores, ao utilizarem uma linguagem lúdica, relacionada à realidade das crianças e de fácil compreensão, possibilitaram uma maior aproximação do público infantil com os saberes científicos. Os mediadores são os responsáveis por provocar, motivar e incentivar a participação na atividade, envolvendo as crianças; e esse envolvimento levará ao interesse pela ciência. É importante que se valorize a atuação do mediador, pois é ela que estimula o processo cognitivo e as relações afetivas durante a atividade, permitindo, assim, que o engajamento aconteça. A mediação aproxima o público da ciência e dos temas científicos.

Suzi Aguiar é autora da dissertação “'Ver de Perto': a contribuição de uma atividade lúdica e interativa do Museu da Vida para despertar o interesse de crianças pela ciência", defendida em 16 de julho de 2018, com orientação da pesquisadora Luisa Massarani.

Publicado em 28/12/2018.

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