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Crédito: Paula Bonatto

Por Jannah Guató

O Acampamento Terra Livre (ATL), maior mobilização indígena do Brasil, reúne anualmente, em Brasília (DF), milhares de lideranças de diferentes povos para discutir direitos, políticas públicas e estratégias de resistência. Em 2026, o encontro, que acontece entre os dias 5 e 11 de abril, contará com a participação de comunicadores indígenas convidados pelo Museu da Vida Fiocruz (MVF), que farão uma cobertura especial do evento para o site e redes sociais do Museu e também para o Invivo, site de ciências do MVF.

A iniciativa faz parte da ação ‘Saúde indígena: trocas de saberes por uma aliança pelo bem viver’, promovida pelo MVF e pela Cátedra Oswaldo Cruz de Ciência, Saúde e Cultura, da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), e integra o 2º Abril Indígena da Fiocruz. A atividade conta com financiamento da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) da Fiocruz.

A partir do dia 5 de abril, eu, Jannah Guató, mulher indígena do povo Guató, produtora cultural, comunicadora e ativista, e João Ticuna, antropólogo indígena da etnia Ticuna, mestre e doutorando em Antropologia Social (PPGAS/Museu Nacional/UFRJ) e educador contracolonial, vamos registrar e compartilhar os principais debates e vivências a partir dos nossos próprios olhares. A iniciativa reforça a importância de democratizar a comunicação e garantir protagonismo indígena na produção de informação.

O comunicador João Ticuna, Paula Bonatto, educadora do MVF que também estará no ATL 2026, e a comunicadora Jannah Guató. Crédito: Kelly Toledano

 

Qual a importância do ATL?

Realizado desde 2004, o ATL se consolidou como um espaço central de articulação política indígena. Durante o encontro, são debatidos temas como demarcação de terras, saúde indígena, educação diferenciada e preservação ambiental, questões fundamentais para a garantia de direitos e para a continuidade dos modos de vida dos povos originários.

Mais do que um espaço político, o Acampamento Terra Livre é também um território de encontros entre culturas, saberes e espiritualidades. A diversidade dos povos indígenas se expressa em rituais, cantos, grafismos e formas próprias de organização coletiva, revelando a riqueza de conhecimentos que resistem ao longo do tempo.

A presença de comunicadores indígenas nesse contexto amplia a possibilidade de uma cobertura mais fiel às realidades vividas nos territórios. Historicamente, as narrativas sobre os povos indígenas foram mediadas por olhares externos. Ao retomar esse espaço, fortalecemos uma comunicação comprometida com a escuta, o respeito e a diversidade.

A atuação no ATL envolve não apenas o registro dos acontecimentos, mas também a tradução de pautas complexas para diferentes públicos. A comunicação se torna, assim, uma ferramenta de fortalecimento político e de construção de pontes entre os povos indígenas e a sociedade.

A participação do Museu da Vida Fiocruz, por meio da cobertura para os sites do Museu e do Invivo e para as redes sociais, reforça o compromisso da instituição com a divulgação científica e com o diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Ao incorporar perspectivas indígenas, amplia-se a compreensão sobre temas como saúde e território, que, para os povos originários, estão profundamente conectados.

Falar de saúde indígena é considerar o bem viver em sua integralidade, incluindo território, cultura, espiritualidade e acesso a políticas públicas. Nesse sentido, o ATL se apresenta como um espaço estratégico para dar visibilidade a essas conexões e às demandas dos povos indígenas.

Ao longo da cobertura, a proposta é produzir uma comunicação que informe e, ao mesmo tempo, contribua para ampliar o entendimento da sociedade sobre a importância dos povos indígenas para o Brasil contemporâneo.

A presença de comunicadores indígenas no Acampamento Terra Livre reafirma que contar nossas próprias histórias é parte fundamental da luta por direitos e por reconhecimento.

Publicado em 02 de abril de 2026.

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