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Por Claudia Oliveira, com revisão de Edmilson Rocha e Paula Bonatto

Existem experiências na vida (ou seria na natureza?) das quais a gente jamais se esquece. Quem nunca parou para observar um inseto diferente, que cruzou, de repente, o nosso caminho? O que dizer do espetáculo poético, quase onírico dos vaga-lumes? Alguns besouros, por exemplo, podem ser dourados ou furta-cor. Outros são tão bonitos que parecem uma joia e, dependendo do ângulo de onde se olha, aparentam uma cor diferente. E há também aqueles que nos dão a impressão de que falam com a gente. Eu estou falando do louva-a-Deus, muito curioso porque parece estar em posição de oração. Há uma história de que em antigas civilizações foram considerados animais com poderes proféticos. É olhar e imediatamente se surpreender. Mas sagrado mesmo é tudo que move, como canta o compositor Beto Guedes.

Os entomólogos, cientistas que estudam os insetos, certamente concordam. Afinal, quem assume o trabalho de colecionar, preservar e estudar as inúmeras espécies existentes no nosso país, um lugar privilegiado com uma verdadeira explosão estética e uma megadiversidade de grande valor científico para a humanidade?

Outra questão é: quantas histórias conhecemos sobre os insetos? Se são bonitos ou exóticos, mais ou menos ameaçadores, maiores ou menores... A verdade é que tamanho não é documento, tampouco a aparência. Os insetos desempenham inúmeras funções na natureza e por isso são tão importantes para o equilíbrio do meio ambiente. Geralmente, eles são lembrados como comedores de plantas, isto é, como animais vegetarianos ou herbívoros, mas existem muitas atribuições desempenhadas pelos insetos. Há os que coletam néctar das flores, enquanto outros a visitam pelos seus grãos de pólen. Muitos são carnívoros, alimentando-se de vertebrados ou de outros insetos; alguns são predadores, outros são parasitos e alguns são sugadores de sangue. Há também os que se alimentam de animais mortos, e por isso são chamados de necrófagos. Muitas daquelas funções acabam beneficiando a nossa agricultura.

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Colecionar, preservar e estudar os insetos do Brasil, desde o início do trabalho no Instituto que hoje conhecemos como Fiocruz, foi uma missão dos cientistas que iniciaram uma coleção entomológica (sim, uma coleção de insetos!). Na verdade, trata-se de apenas uma entre outras coleções científicas da instituição, que sempre se dedicou a pesquisar, controlar e combater doenças do Brasil. Um time de cientistas teve tudo a ver com isso no início do século XX, com a tarefa de estarem atentos a novas espécies de insetos, nos primórdios, sob o apito de Oswaldo Cruz. Os estudos entomológicos do Instituto Soroterápico Federal - primeiro nome da Fiocruz por conta da grande produção de soro contra a peste bubônica - foram iniciados em 1901, quando o cientista publicou o primeiro trabalho científico. Tratou-se de descrição de uma espécie de mosquito chamada Anopheles lutzii, coletada e descrita por ele no Rio de janeiro. O nome da espécie é uma homenagem ao cientista Adolfo Lutz, parceiro e especialista em zoologia médica, célebre por seu trabalho na área de epidemiologia e na pesquisa de doenças infecciosas. Logo, outros mosquitos foram descritos pelos cientistas Carlos Chagas e Arthur Neiva, dando origem à Coleção.

Ângelo Moreira da Costa Lima, o maior entomólogo do Brasil e também parceiro de Oswaldo Cruz, contribuiu muito para o conhecimento de insetos relacionados a doenças. Ele ficou muito conhecido pelo estudo de insetos ligados à agricultura e nos deixou um tesouro: a importantíssima obra intitulada 'Insetos do Brasil', composta por 12 volumes publicados entre os anos de 1938 e 1962. Sempre vestido com um macacão, foi mesmo mais um operário da ciência.

No Castelo da Fiocruz, está localizada a Coleção Entomológica do Instituto Oswaldo Cruz, uma das mais importantes da América Latina. Lá também fica a sala que abriga duas mostras: 'A entomologia de Costa Lima' e 'Biodiversidade entomológica', que podem ser visitadas num tour virtual. Conhecer a história de coleções científicas é se preocupar com a compreensão dos contextos sociais, econômicos e políticos em que estão inseridas. É não perder de vista a responsabilidade e contribuição de cada um de nós no exercício da cidadania, imprescindível para construirmos, em colaboração, um mundo mais justo e saudável.

 

Publicado em 22 de fevereiro de 2022.

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