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Por Julianne Gouveia e Melissa Cannabrava

 

O interesse em conhecer as conexões entre itens de acervo, profissionais de museus e visitantes de reservas técnicas virou pesquisa para a museóloga Mayara Manhães. Desde os tempos de estagiária de instituições como o Museu Histórico Nacional e o MAST - Museu de Astronomia e Ciências Afins, ela se perguntava por que boa parte do acervo era mantido longe dos olhos do público visitante.

Mayara Manhães é profissional do Museu da Vida desde 2015, e direcionou seu foco para instituições museológicas de ciências no mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz). Ela buscou compreender a proposta da Reserva Técnica Visitável (RTV) do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP) na dissertação 'A preservação não é só deixar guardado: uma análise dos sentidos da concepção e desenvolvimento da Reserva Técnica Visitável do MAE-USP'.

Reservas técnicas são espaços de guarda da parte do acervo de um museu que não é exibido aos visitantes em exposições ou outras atividades educativas. As de formato visitável são aquelas que, sim, recebem público, mediante estratégias específicas – seja de forma pontual ou como parte da programação. 
A partir do caso da RTV do MAE-USP, Manhães discutiu o papel social e educativo dos museus e problematizou o acesso público aos acervos, identificando princípios e discursos que fundamentaram a criação do espaço. Também analisou de que maneira as perspectivas dos profissionais do MAE-USP em relação aos visitantes foram incorporadas na realização do projeto e das visitas, além de refletir sobre o potencial para a educação museal e a divulgação da ciência do acesso público às reservas técnicas.

Ela compartilha agora suas descobertas e responde a perguntas de seguidores do MV na edição de hoje do ‘Conta Aí, Mestre‘! Se liga!

 

Julianne Gouveia (@_amarelodeserto): Parabéns pela pesquisa, Mayara! A partir do que você descobriu na pesquisa, o que pode haver de vantajoso para as instituições neste tipo de estratégia de visitação às reservas técnicas? Quais são as implicações positivas, institucionalmente falando?
Mayara Manhães:
Olá, Julianne! Esse tipo de iniciativa, se planejada com propósito educativo e de divulgação científica, se soma a outras que buscam a participação mais ativa dos visitantes. No meu levantamento bibliográfico, por exemplo, vi casos em que os profissionais dos museus puderam repensar suas práticas com os objetos a partir do que os visitantes comentavam e perguntavam durante as visitas. Há também um entendimento mais aprofundado do trabalho que é realizado nos museus e que geralmente não chega até o público. Acredito que os museus que permitem acesso aos objetos guardados, a depender dos objetivos, estão cumprindo com sua função social.

 

Debora Menezes (@deboratsm): Parabéns pela pesquisa, @maymanoli ! Gostaria de saber a sua opinião sobre os aspectos que poderiam servir de referência para outras instituições, sejam do mesmo campo ou em geral. E também fiquei curiosa para saber qual o público que normalmente frequenta as reservas do MAE-USP.
Mayara Manhães:
Oi, Debora! Da iniciativa da RTV do MAE-USP, posso destacar aqui que é muito importante a integração entre profissionais de conservação, pesquisa e educação durante todo o processo para que levem em conta o que é preciso para manter a integridade física dos objetos e também possibilitar experiências significativas com os visitantes. O MAE-USP recebe principalmente grupos escolares, e há alguns anos mantém uma parceria com uma ONG do território, o Projeto Girassol, voltado para crianças. 

 

Melissa Cannabrava (@melmmcs): Parabéns pela pesquisa, Mayara! O que você pode destacar pra gente em relação ao que descobriu problematizando o acesso aos acervos?
Mayara Manhães:
Obrigada, Melissa! Com a pesquisa, pude entender que a conservação e a segurança dos acervos é fundamental, mas não podem ser entendidas, de antemão, como fatores impeditivos para o acesso dos visitantes a esses espaços. A depender das condições de cada museu, é possível e desejável que promovam visitas a esses espaços para dar visibilidade tanto ao acervo quanto ao trabalho realizado em reservas técnicas, que podem ser vistas como um dos “bastidores” dos museus.

 

Maria Paula Bonatto (@mariapaulabonatto): Oi, Mayara, parabéns por ter escolhido esse museu tão importante para os povos indígenas. O que vc descobriu sobre a visita de povos indígenas a reserva técnica desse museu?
Mayara Manhães:
Olá, Paula! Durante as entrevistas, profissionais do MAE-USP relataram a experiência de curadoria compartilhada em um projeto que reuniu grupos indígenas que moram no Estado de São Paulo. Esse projeto deu origem à exposição temporária ‘Resistência Já!’. No processo de desenvolvimento dessa exposição, aconteceram visitas técnicas com indígenas nos espaços do MAE-USP, incluindo as reservas técnicas. Na RTV, a experiência foi muito significativa e fez com que os educadores repensassem assuntos abordados e a forma de expor alguns objetos ali dentro. Convido você a ler a subseção 5.5 da minha dissertação para saber mais sobre esse ponto ;)

 

Renata Fontanetto (@renata_fontanetto): Mestra querida, boa tarde! Você pode me informar como você pretende aplicar sua pesquisa na reserva técnica do Museu da Vida, por exemplo?
Mayara Manhães:
Renata, querida! No Museu da Vida, antes da pandemia, tivemos experiências de visitação pontual à reserva técnica, com grupos escolares e de famílias. Foi muito interessante e nos ajudou a pensar em ajustes para que possamos fazer mais vezes. Em um futuro próximo, quero muito planejar com a equipe de Museologia, Mídias e Educação do Museu da Vida uma forma de realizarmos mais visitas pontuais lá. Para quem tiver curiosidade de ver nossa reserva técnica, pode acessar essa série de vídeos e também o e-book ‘Nos Trilhos da Ciência’.

Fotos: Página inicial do site - Maria Karla Belo; Texto Conta Aí, Mestre - Reprodução
Publicado em 21 de janeiro de 2022. 

 

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