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A revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos (HCSM), editada pela Casa de Oswaldo Cruz e disponível em acesso aberto no portal SciELO, foi um dos primeiros periódicos científicos brasileiros a criar blogs e páginas nas redes sociais. O objetivo dessa iniciativa, que começou em 2013, era aumentar as citações e referências aos artigos publicados na revista. A prática, no entanto, revelou outros retornos positivos. 

Dados do SciELO, do blog e do Facebook da revista foram analisados pela jornalista Marina Lemle, que buscou compreender os caminhos trilhados pelo público e o potencial das redes sociais na comunicação e divulgação da ciência. O estudo enfocou somente as mídias em português. Ela conta pra gente um pouco do que descobriu nessa entrevista do “Conta aí, mestre”. Marina concluiu recentemente o curso de mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde, parceria entre a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o Mast, a Fundação Cecierj e a UFRJ. 

Museu da Vida: Por que, na sua dissertação, os pesquisadores são chamados de “pares” e o público leigo de “ímpares”?
Marina Lemle:
“Pares” é um termo muito usado no meio acadêmico para designar pesquisadores da mesma área do saber. Em contraposição, me permiti o uso do termo “ímpares”, com licença poética, para designar o chamado público em geral, ou público leigo, composto por todos aqueles que não são pesquisadores das áreas diretamente cobertas pela revista, e que são, portanto, mais diversos entre si. Daí a ideia de “ímpar”, como único - cada um é cada um.

Museu da Vida: Como o comportamento no mundo digital revela públicos com diferentes níveis de interesse?
Marina Lemle:
A relação entre os dados das três plataformas (Facebook, blog e SciELO) indica se houve um interesse mais ou menos profundo em cada assunto proposto. Uma curtida demonstra um interesse; um compartilhamento, um endosso; um clique no link, um desejo por aprofundamento; e o segundo clique no link, desta vez do blog para o SciELO, representa um interesse ainda maior por parte do leitor. Mas também acontecem fenômenos curiosos em alguns posts no Facebook da revista, como o número de compartilhamentos ser maior do que o número de cliques no link, o que sugere que algumas pessoas compartilham links sem clicar neles.

Museu da Vida: Ao analisar o engajamento no Facebook e os acessos ao blog e aos artigos da revista online, na base SciELO, o que você descobriu sobre os caminhos trilhados pelo público?
Marina Lemle:
A maior parte das visitas ao blog (45,3%) é gerada por busca orgânica, quase sempre feita no Google. As redes sociais aparecem em segundo lugar (35,8%), sendo o Facebook responsável por quase 98% das redes, seguido pelo Twitter, com menos de 2%. O acesso direto pelo endereço da homepage ficou em terceiro lugar (15%).

Os posts no Facebook direcionam o público a uma notícia específica no blog, e estes estímulos duram em média de um a três dias, dependendo dos compartilhamentos gerados. Ou seja, muitas pessoas acessam a mesma página em poucos dias, gerando picos de acesso no blog e às vezes também no SciELO, quando há um link para um artigo relacionado ao tema no fim da matéria ou quando o post no Facebook leva direto ao artigo. Já as buscas orgânicas no Google que levam ao blog resultam de demandas particulares, encaminhando muitas pessoas a notícias diversas, o que não gera picos de acesso, salvo em casos de curiosidade maciça por um termo específico, como o nome de uma doença que apresenta surtos no país.

Tanto a revista online quanto o blog, embora direta e indiretamente impactados pelo tráfego do Facebook, não dependem dele para exercerem seus papéis de comunicar ciência, graças ao intenso tráfego orgânico vindo do Google e dos acessos diretos. A revista sugere caminhos, o público pode segui-los e também construir os seus próprios.  

Os acessos à revista HCSM no SciELO aumentaram significativamente – cerca de 30% – se compararmos 2015 a 2012, antes do lançamento das redes e do blog. Mas o crescimento no SciELO estagnou nos anos seguintes, apesar do aumento contínuo dos usuários das novas mídias. É preciso ressaltar que, entre o SciELO e as redes, há o blog, que pode servir como “trampolim” para o artigo, mas também como obstáculo, por representar mais um clique. Dependerá do nível de interesse do usuário. 

Museu da Vida: Então, com base na sua pesquisa, por que é importante uma revista científica investir na comunicação por meio de um blog e das redes sociais?
Marina Lemle:
Os blogs fazem muito bem a ponte entre a comunicação científica – os artigos científicos – e o público leigo, que não está habituado à linguagem, ao formato e à extensão destes artigos. O texto jornalístico tem um potencial maior de sedução, principalmente quando acompanhado de boas imagens, e é mais fácil e rápido de digerir do que um artigo científico. A informação científica trabalhada jornalisticamente torna-se atraente a um público mais diversificado, que transcende os círculos acadêmicos. E as redes sociais são ótimas para disseminar tais conteúdos, pela sua própria natureza agrupadora de pessoas e compartilhadora de informações.

Museu da Vida: Qual o potencial dessas ações para a comunicação científica? E para a divulgação científica?
Marina Lemle:
Os resultados desta pesquisa mostram que as três mídias analisadas de HCSM – Facebook, blog e SciELO – funcionam bem em conjunto, mas cada uma, de forma dissociada, também cumpre um papel próprio em sua dimensão, de acordo com a sua natureza e propósito.

Para a comunicação científica entre pares, a chance de um pesquisador se interessar por algum artigo e indicá-lo a colegas aumenta. Além disso, a rede social ajuda a revista a anunciar suas novidades, como chamadas de artigos e outros informes para a comunidade de autores e autores potenciais, como estudantes de pós-graduação. A análise do retorno deste público-alvo sobre os posts no Facebook pode inclusive ajudar os editores a visualizarem campos em voga ou promissores, que possam ser trabalhados em dossiês temáticos, por exemplo.

Ao facilitar a divulgação científica, levando o conhecimento produzido na academia à sociedade em linguagem acessível, as novas mídias representam uma ponte entre o público e a ciência, o que também confere à iniciativa um papel de “contrapartida social” pelo investimento estatal em pesquisa e em periódicos científicos.

 

Para conhecer o trabalho da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos

Blog de HCS-Manguinhos: http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/

Blog de HCS-Manguinhos internacional (inglês e espanhol): http://www.revistahcsm.coc.fiocruz.br/english/

Facebook em português: https://www.facebook.com/RevistaHCSM 

Facebook internacional: http://www.facebook.com/JournalHCSM

Twitter: https://twitter.com/revistaHCSM

 

Marina Lemle é autora da dissertação "Para pares e ímpares: a experiência da revista História, Ciências, Saúde – Manguinhos no Facebook", defendida em 28 de agosto de 2018, com orientação do pesquisador Fábio Gouveia.

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