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Formado em comunicação social, o jornalista Sidney Coutinho sempre teve um fascínio por locais que aguçam a curiosidade das pessoas e levam à reflexão sobre variados temas. “É uma área em constante mutação conforme a evolução dos canais de informação e dos costumes”, conta o mestre em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde. Coutinho defendeu a pesquisa “O uso das mídias sociais por centros e museus de ciência: a comunicação interativa entre as instituições e seus públicos” em 2020, sob orientação da pesquisadora Marina Ramalho, do Museu da Vida.

Atualmente, ele trabalha numa instituição de ensino superior que realiza estudos e pesquisas para desenvolvimento de novos conhecimentos e tecnologias. As vivências que reuniu ao longo da vida acabaram influenciando a escolha do tema de estudo para o mestrado: Coutinho queria um assunto que tivesse relação com os novos meios de comunicação - as mídias sociais -, e os espaços que se propõem a divulgar ciências, como os museus e centros culturais. “O meu propósito foi tentar mostrar como essas instituições estão dialogando com os diversos públicos pelos canais digitais, sob o ponto de vista desses espaços museais”, explica.

Vocês enviaram perguntas e, agora, o mestre responde. Conta Aí, Sidney!

Aline Pessoa: Parabéns ao Sidney, por essa conquista!! Gostaria de saber se na pesquisa foi possível identificar se os museus de ciências têm usado as redes sociais para dialogar intencionalmente com públicos específicos. Em caso positivo, quais são esses públicos e nas redes de quais museus foi observada essa prática?

Sidney Coutinho: Pelo que pude apurar no trabalho, a maioria das instituições adota as mídias sociais para se comunicar com diversos públicos de forma indiscriminada, se apropriando de técnicas já adotadas em outros veículos de comunicação para isso. Ainda está em crescimento o número de museus e centros de ciência que usam as mídias sociais para divulgar ciência e ampliar o diálogo com público, independentemente da faixa etária ou formação educacional das pessoas que compõem esses públicos. Dentre os objetivos de uso das mídias sociais, os respondentes da pesquisa informaram que as usam mais para divulgar atividades relacionadas às instituições (como eventos, horário de funcionamento, entre outras) e tornar a instituição mais conhecida.

de.nyse9712: Muito interessante o tema do projeto, Sidney. Você conseguiu qualificar o público por faixa etária? Foi possível perceber conteúdo dirigido aos idosos?

Sidney Coutinho: Como o propósito do trabalho era principalmente retratar como os produtores de conteúdo dos Centros e Museus de Ciência enxergavam a própria atividade de se comunicar com o público, se o faziam com uma proposta de comunicação unidirecional ou múltipla e dialógica, não foram realizados questionamentos que pudessem qualificar o público por faixa etária. É notório que o público dessas instituições é variado, vão desde estudantes nas fases iniciais do ensino a pessoas em idade avançada com formação educacional em altos níveis, passando por famílias inteiras que querem aliar o entretenimento ao conhecimento em uma visita a um centro ou a um museu de ciência. Confesso que, assim que estava concluindo a minha dissertação, diversas outras questões surgiram para que eu aprofundasse pontos sobre formas de comunicação para faixas etárias diversas. Haveria diferenças na maneira de dialogar com as gerações X, Y ou Z, por exemplo? Mas acredito que, como foi um estudo exploratório, ele pode ter diversas lacunas que poderão ser preenchidas por outras futuras pesquisas. E isso já me traz grande satisfação.

museucasadocolono: Parabéns pela pesquisa e relevante trabalho! Gostaria de saber o recorte temporal da pesquisa ou se debruçou estritamente nesse contexto de pandemia? Teve algum comparativo do período pré e pós pandemia? Fico curioso, pois essa nova realidade forçou muitos museus a se renderem às redes sociais. O que vcs acham?

Sidney Coutinho: O recorte temporal para coleta de dados ocorreu dois a três meses antes da Organização Mundial de Saúde (OMS) decretar a pandemia em fevereiro de 2020. Depois tudo mudou e as instituições ficaram fechadas em decorrência das medidas de isolamento social. Isso, sem dúvida, comprometeu o trabalho de apuração de novos dados. Todavia, como um estudioso do tema, embora não pudesse inserir esses dados em meu trabalho por carecerem de fundamentação, percebi uma gradativa mudança nas ações dos centros e museus de ciência assim como ocorreu em toda a sociedade. E na minha pesquisa, por exemplo, os respondentes informaram que pouco utilizavam a plataforma de vídeos YouTube para se comunicar com o público. Percebi que, no segundo semestre de 2020, muitos já estavam desenvolvendo nos próprios canais debates e outras formas de veicular informações. Devido ao prazo que tinha para apresentar a dissertação, não foi possível fazer esse comparativo e retratar essa mudança. Essa lacuna deverá ser preenchida por novos estudos, mas o meu trabalho pode ser útil para retratar como era antes da pandemia.

cynthiabiologa: Onde consigo o acesso a dissertação?
tenoriokjl: Onde posso acessar a pesquisa?

Sidney Coutinho: É possível ter acesso à pesquisa visitando o site do Programa de Pós-Graduação em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Casa de Oswaldo Cruz, na parte destinada à Produção Acadêmica. O endereço é este aqui

_amarelodeserto: Olá, Sidney! Pelo que você pesquisou, qual é o peso da divulgação científica no planejamento estratégico dos museus? Como esse tipo de conteúdo é trabalhado nas instituições pesquisadas?

Sidney Coutinho: Pelo que apurei e pude observar, ainda é baixo o uso das mídias sociais para divulgar ciência ou mesmo estabelecer um diálogo com o público em assuntos correlacionados. Acredito que isso não é negligenciado, mas que os responsáveis pelos museus e centros de ciência elencaram outras prioridades para a própria sobrevivência das instituições. Talvez seja um equívoco, pois pelas características das mídias sociais, que possibilitam uma comunicação mais dialógica, mais próxima com as pessoas, seria possível aprofundar melhor o que interessa ao público saber e debater. Consequentemente, no meu ponto de vista, isso poderia atrair grupos mais fiéis e interessados nos temas e exposições (de curta e longa duração) propostos pelas instituições.  

Julianne Gouveia: Você percebeu se há uma estratégia comum aos museus nas principais redes (Twitter, Instagram, Facebook, YouTube)? Se sim, qual seria ela?

Sidney Coutinho: As mídias sociais adotadas com maior frequência pelos Centros e Museus de Ciência foram o Facebook e o Instagram. Embora a estratégia de uso não tenha sido discriminada por rede social digital específica, ao questionar sobre os principais objetivos de uso das mídias sociais para as instituições, obtive como respostas predominantes a necessidade de divulgar atividades corriqueiras das instituições, tornar a instituição mais conhecida e ampliar o número de visitantes físicos. Sem dúvida, ficou evidente um esforço daqueles que lidam com as mídias sociais em apresentar à sociedade as instituições em que atuam, buscando gradativamente construir laços com os diversos públicos. Algo importante para instituições que dependem de visitantes, físicos ou virtuais, para existir.

Fernando Alves: Grande Mestre Sidney, Parabéns pela pesquisa! Ao realizar a pesquisa e análises, o que foi possível identificar do feedback do público alvo das comunicações institucionais? Como são abordados as trocas entre público e comunicadores? Existe movimento dos centros e museus de ciência para adequarem suas metodologias de comunicação para as demandas cada dia mais mutáveis das mídias sociais? Abração.

Sidney Coutinho: Pelo que pude perceber em meu trabalho, ainda são incipientes as formas de avaliação por parte dos centros e museus de ciência para um retorno das ações de comunicação por meio das mídias sociais. A contagem de inscritos nas redes sociais, as verificações de visualizações e respostas e comentários a partir das publicações ainda são as formas mais adotadas para avaliar o uso das mídias sociais. Embora todas as instituições que informaram ter um documento de planejamento de comunicação tenham afirmado que o uso das redes sociais está contemplado no documento, não creio que exista um movimento das instituições para adequarem suas metodologias de comunicação para as demandas das mídias sociais.

liv.mascarenhas: Já quero ler!! Sidney, você chegou a observar se os museus ofertaram capacitação específica em mídias sociais para a equipe que trabalha com essa área?

Sidney Coutinho: Em meu trabalho, consegui ter uma ideia preliminar de quem estava lidando com as mídias sociais nas instituições pela formação educacional. A maioria das pessoas tinha formação superior em áreas diversas como Biologia, Letras, Museologia, Arquitetura, Física, Administração, Química, Pedagogia, entre outras. Havia grande número de profissionais com formação em comunicação social ou visual. Todavia, pude constatar que 57% das instituições que responderam ao questionário não adotavam um plano de comunicação, ou seja, não havia planejamento para realização de um trabalho estratégico, que delimitasse alocação de recursos, estudos e aprimoramento de profissionais e diagnósticos para aprimorar a comunicação com o público. Claro que, nos últimos anos, a falta de verbas comprometeu a manutenção de uma infraestrutura básica para museus e centros de ciência levando, inclusive, algumas instituições a serem fechadas. Acredito que capacitação específica em mídias sociais para a equipe que trabalha com essa área, até em decorrência da pandemia, deverá ser algo a ser pensado pelas instituições em curto prazo.

Saulo Moreno Rocha: Olá, Sidney. Parabéns pela pesquisa, muito importante para todes nós que atuamos em museus. Pergunta: quais foram os maiores desafios apontados pelos profissionais? Foi possível identificar paradigmas comunicacionais nas abordagens realizadas? Qual o perfil dos profissionais responsáveis pela gestão da comunicação via redes sociais? Foi possível inferir de que modo a comunicação por mídias sociais impacta as formas mais tradicionais de comunicar nos museus, como nas exposições e atividades educativas e culturais? Obrigado!!!

Sidney Coutinho: Em virtude da pandemia e em decorrência de um prazo para concluir o trabalho, infelizmente não pude aprofundar questões como os principais desafios apontados pelos profissionais. Pela maneira como os respondentes apontaram quais eram as prioridades ao usar as mídias sociais para se comunicar com o público, pudemos inferir que a comunicação ainda é no modelo de um para muitos, algo compreensível por ser uma característica de comunicação institucional. O perfil dos profissionais é bem variado, mas prevalece a formação superior, em especial em comunicação social. Como o estudo estava mais voltado para deixar que os responsáveis pelas mídias sociais retratassem como enxergavam o trabalho de se relacionar com o público, ficou difícil inferir de que forma as mídias sociais influenciam as formas tradicionais de se comunicar. Na minha opinião, as mídias sociais são mais um canal de comunicação possível para museus e centros de ciências se relacionarem com o público. Por terem características próprias que possibilitam segmentar e se aproximar melhor das pessoas, poderiam revelar e ajudar na construção de estratégias de atuação das instituições. Por exemplo, hipoteticamente, um museu de biologia poderia tentar apresentar em vídeos ou em entrevistas curtas com especialistas como é o processo de fabricação de vacinas existentes no mundo, bem como um museu de astronomia poderia trabalhar melhor exposições (quando possível, no futuro) relacionadas a Marte a partir de dúvidas e comentários que surgissem em decorrência da chegada de sondas espaciais ao planeta. Assim, as mídias sociais poderiam contribuir muito mais para divulgar ciência, não se limitando a apenas informar o horário e funcionamento de determinada exposição.
 

Edição: Renata Fontanetto

Publicado em 5 de março de 2021

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