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Cédula de 50 Cruzados com efígie de Oswaldo Cruz 
Fabricante: Banco Central do Brasil
Material: papel
Local: Rio de Janeiro – 1886-1990
Dimensões: 7,4 x 15,4 cm 

 

Figuras de pessoas ilustres, como políticos e religiosos, cunhadas em moedas é uma prática bastante antiga. Mas, após a utilização de cédulas de papel no sistema monetário, essa prática tornou-se ainda mais frequente. As notas de 50 mil Cruzeiros, que circularam na economia brasileira entre 1984 e 1990, e, posteriormente, as de 50 Cruzados, entre 1986 e 1990, utilizaram essa tradição para homenagear o médico Oswaldo Cruz e a instituição que leva seu nome. 

A homenagem foi feita em um contexto bem específico da história recente do Brasil. Ao longo da década de 1980, ocorreu o período de redemocratização, no qual o governo militar, estabelecido desde 1964, abria um espaço de transição política para o retorno da ordem democrática.

 

Foto do lançamento da nota de 50 mil Cruzeiros. À esquerda, Antonio Carlos Braga Lemgruber, presidente do Banco Central; à direita, Guilardo Martins Alves, presidente da Fundação Oswaldo Cruz. Foto: Departamento de Arquivo e Documentação – COC/Fiocruz.

 

O Brasil passava por um período de baixo crescimento econômico, marcado por muitas crises, que fizeram com que os anos 1980 ficassem conhecidos entre os economistas como “década perdida”. O endividamento externo do país, a elevação dos juros e a desvalorização da moeda nacional em relação ao dólar, dentre outras medidas, provocaram um cenário de estagnação econômica e inflação descontrolada. 

O Plano Cruzado foi o primeiro plano econômico adotado após o término do regime militar. A moeda brasileira foi substituída de “Cruzeiro” para “Cruzado”, embora as duas cédulas tenham circulado simultaneamente até 1990. Nesse plano, houve congelamento da taxa de câmbio e dos salários, e a correção automática da inflação toda vez que ela ultrapassasse 20% ao mês.

Esse foi, no entanto, um plano de curta duração. O principal motivo de fracasso do Plano Cruzado foi o congelamento dos preços, que gerou prejuízos para muitos produtores. Alguns itens essenciais ficaram ausentes dos mercados, estimulando as pessoas a estocarem diversos produtos perecíveis em suas casas.

Nesse cenário conturbado, optou-se em evidenciar a memória nacional, visando um sentimento de “nação brasileira” que caminhava para se tornar democrática. As cédulas de Cruzados foram estampadas, em sua maior parte, com imagens de grandes personalidades brasileiras do período republicano, como, por exemplo, o pintor Candido Portinari, o escritor Machado de Assis, o ex-presidente Juscelino Kubitschek e o político Rui Barbosa.

A homenagem a Oswaldo Cruz, realizada na cédula de 50 Cruzados, somou-se a inúmeras outras que o médico sanitarista recebeu em reconhecimento a sua curta e intensa trajetória científica. O anverso da cédula tem uma representação do cientista e um microscópio, objeto de trabalho essencial para as pesquisas científicas. Em seu reverso, está uma representação do Castelo Mourisco da Fundação Oswaldo Cruz, importante símbolo da institucionalização dos estudos sobre medicina experimental no Brasil, localizado, desde de 1918, na cidade do Rio de Janeiro.

O Castelo está aberto à visitação gratuita de terça a sábado e, lá, o público pode encontrar em exposição um microscópio como o da cédula de 50 Cruzados e outros objetos que pertenceram a Oswaldo Cruz.  

 

Para saber mais:

CASA DA MOEDA DO BRASIL. Cédulas encontradas em: <https://www.bcb.gov.br/htms/Museu-espacos/cedulabc.asp>. Acesso em: 10 de agosto de 2018.
GOMES, Ângela de Castro; KORNIS, Mônica Almeida. Com a história no bolso: moeda e a República no Brasil. In: Seminário Internacional "O outro lado da moeda". Livro do Seminário Internacional. Rio de Janeiro: Museu Histórico Nacional, 2002. p.107-134.

 

Para conhecer outros objetos da Reserva Téncnica do Museu da Vida, acesse a seção Objeto em Foco.

 

Publicado em 25/07/2019.

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