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Informativo do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica/Museu da Vida - Ano XVII, n. 243, RJ, 3 de setembro de 2018

Neste informe:

1. O preço da honestidade
2. Arte para engajar na ciência 
3. Cobertura sobre epidemias: como evitar o pânico
4. O que motiva cientistas a praticar divulgação científica?
5. Existe pesquisa no Brasil (e no Twitter)
6. RedPop 2019 lança chamada de trabalhos
7. Ecsite quer propostas!
8. Submissão de trabalhos para o XII ENPEC até setembro
9. Formação acadêmica em divulgação científica
10. Capacitação em jornalismo científico para mulheres
11. Curso on-line de comunicação pública da ciência

 

1. O preço da honestidade – Como comunicar ciência, de forma transparente, sem sofrer ataques por todos os lados? A pergunta-desabafo é da pesquisadora Kate Marvel, especialista em ciências do clima da Universidade de Columbia e do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, a agência espacial americana. Longe de ser novata na comunicação da ciência – Kate escreve para veículos importantes de divulgação, esteve no palco principal do TED e já falou até em clube de humor –, a pesquisadora relata em seu blog na Scientific American algumas experiências frustrantes de falar sobre ciência com a mídia e diretamente com o público. Em tempos de pós-verdade, Kate tem encontrado dificuldade de debater temas polêmicos como as mudanças climáticas de forma honesta, abordando as lacunas de conhecimento e as incertezas inerentes à área, pois não é raro que suas declarações sejam tiradas de contexto e usadas para embasar posições completamente contrárias à dela. Ainda assim defende a importância de admitir que a ciência não tem todas as respostas. E pede ajuda para aprender a fazer isso sem ser apedrejada. Alô, divulgadores! Leia o apelo de Kate, em inglês, em seu blog “Hot Planet”: <https://blogs.scientificamerican.com/hot-planet/the-truth-sometimes-hurts>.

2. Arte para engajar na ciência – Em um momento difícil para a divulgação científica (veja nota anterior), particularmente quando se procura debater seriamente temas polêmicos que envolvem a ciência, talvez seja uma boa ideia se voltar para a arte em busca de ajuda. É o que sugere Timothy Caulfield, pesquisador na área de saúde e direito da Universidade de Alberta, no Canadá. Em texto publicado em The Conversation, Timothy apresenta uma série de argumentos em prol da união entre ciência e arte. O primeiro deles é a eficiência da imagem para comunicar questões complexas de forma rápida e memorável, dom que pode ser bem explorado nas redes sociais. Outro argumento é o poder da arte de fazer refletir e ver o mesmo por diferentes ângulos e de engajar aqueles que não necessariamente têm interesse prévio por assuntos científicos. Com todas essas intenções em mente, o pesquisador e sua equipe vêm trabalhando com artistas em diferentes projetos. O mais novo deles é o SCI+POP, uma série de imagens que visa divulgar resultados de pesquisa, compartilhar ideias sobre ciência e políticas de saúde e, assim, engajar novas audiências. Em breve, nas redes sociais. Por enquanto, leia o texto, em inglês, publicado na The Conversation: <https://theconversation.com/mixing-science-and-art-to-make-the-truth-more-interesting-than-lies-100221>. Aproveite os vários links para diversos outros textos interessantes sobre temas similares. 

3. Cobertura sobre epidemias: como evitar o pânico – Reportagens sobre epidemias que não mencionam formas de prevenção podem gerar ansiedade e sofrimento. Para evitá-los, toda notícia sobre surtos de doenças deveria mencionar, mesmo que brevemente, informações práticas de prevenção. Essa é a recomendação de Yotam Ophir, pós-doutorando da Universidade da Pensilvânia (EUA) e autor do artigo “Coverage of Epidemics in American Newspapers Through the Lens of the Crisis and Emergency Risk Communication Framework”, publicado em junho em Health Security. Ele analisou 5 mil matérias dos principais jornais dos EUA sobre epidemias de gripe suína, Ebola e Zika nos últimos 10 anos e constatou que apenas uma em cada cinco matérias mencionava alguma medida prática de prevenção individual – como lavar as mãos, evitar viagens a áreas afetadas ou usar repelente. As matérias analisadas se enquadravam em três grandes temas: informação científica, sobre riscos de saúde e fatos médicos; histórias sociais, sobre o impacto das doenças no mercado, na política e em eventos culturais; e aspectos pandêmicos, com foco nas tentativas de impedir que doenças entrassem nos EUA. Nenhuma matéria de histórias sociais abordou informações preventivas, uma das críticas do autor à cobertura de tais jornais. Leia o texto “How the media falls short in reporting epidemics”, publicado na The Conversation, em que o autor fala de sua pesquisa: <https://theconversation.com/how-the-media-falls-short-in-reporting-epidemics-101216>.

4. O que motiva cientistas a praticar divulgação científica? – Cada vez mais cientistas procuram falar de suas pesquisas para o público amplo – uma iniciativa que tem sido estimulada, inclusive, por agências de fomento à pesquisa em seus editais. Mas quais são as motivações pessoais que levam pesquisadores a se envolver em atividades de engajamento público com a ciência? No artigo “The public-engaged scientists: Motivations, enablers and barriers”, publicado em julho no periódico Research for All, os autores analisaram a experiência de cerca de 40 cientistas voluntários do SISSA for Schools, um programa do instituto de pesquisa italiano International School of Advanced Studies (SISSA) que recebe crianças e adolescentes para participar de atividades envolvendo ciência. Por meio de grupos focais realizados de 2014 a 2016 com cientistas voluntários do programa, os autores identificaram dois tipos de motivações: as pessoais, como desejo de aperfeiçoar suas habilidades comunicacionais ou sair da rotina; e aquelas relacionadas ao papel do cientista na sociedade, como ajudar no aperfeiçoamento do pensamento crítico e encorajar crianças a seguirem carreira científica. Dentre os obstáculos para se participar de atividades do gênero, foram apontadas a falta de comprometimento das instituições de pesquisa em geral e a falta apoio para treinamento dos cientistas. Acesse gratuitamente em: <https://bit.ly/2C27UFo>.

5. Existe pesquisa no Brasil (e no Twitter) – Parece mentira, mas há quem diga que não há pesquisa no Brasil. Para combater esse pensamento e aumentar o acesso à informação, uma iniciativa chamou a atenção no início de agosto: um pesquisador lançou no Twitter a hashtag #existepesquisanobr, inspirando uma avalanche de tweets (postagens nessa rede social) em que cientistas brasileiros contavam sobre as pesquisas que desenvolvem no país. A ação acabou gerando uma onda de divulgação científica em massa – uma boa pedida para informar a população e também para estimular os cientistas a falar de suas atividades num momento em que tanto se fala em cortes de verbas para a ciência. A hashtag chegou a ficar em quarto lugar entre os assuntos mais comentados do Twitter no mundo e em segundo lugar no Brasil. Confira as postagens com a hashtag em: <https://twitter.com/hashtag/existepesquisanobr>.

6. RedPop 2019 lança chamada de trabalhos – Foi dada a largada para a realização do 16º Congresso da Rede de Popularização da Ciência para a América Latina e o Caribe (RedPop), que acontecerá de 22 a 25 de abril de 2019, no Panamá. Organizado nesta edição pela Fundação Cidade do Saber e pela Secretaria Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação do país-sede, o encontro acontece a cada dois anos e é um dos mais tradicionais da área. Em 2019, o tema motivador das discussões será “Viva a ciência!”. Os interessados em sugerir mesas e oficinas e apresentar trabalhos já podem submeter suas propostas ao comitê organizador, incluindo-as em um dos eixos temáticos ou áreas de trabalhos que compõem a programação científica do congresso. Todas as submissões deverão ser feitas online, até o dia 16 de outubro. Mais informações no site da RedPop (https://www.redpop.org/la-redpop-abre-su-convocatoria-para-el-xvi-congreso-en-panama-2019-vive-la-ciencia) ou pelo e-mail <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>.

7. Ecsite quer propostas! – A conferência da rede europeia de centros e museus de ciências, mais conhecida como Ecsite, chega a sua 30ª edição. Para comemorar em grande estilo, o comitê organizador está em busca de propostas criativas e inovadoras para compor sua programação, que será motivada pelo tema “Empurrando barreiras”. O evento acontecerá de 4 a 8 de junho de 2019, em Copenhagen (Dinamarca), mais precisamente no Experimentarium, um centro interativo de ciências que foi reformado recentemente e que promete inspirar os proponentes. É que alguns espaços inusitados do museu – como a exposição “A praia”, o bar que funciona como bancada de experimentos e a escada que imita o formato em dupla hélice do DNA – poderão ser usados para a realização de sessões da conferência. A chamada para submissão de propostas está aberta até o dia 18 de outubro. Mas, antes de submeter a sua, vale dar uma navegada no site do evento, onde é possível conferir as sessões das conferências anteriores, acompanhar as propostas submetidas para esta edição e também buscar parcerias para a elaboração de novas. Também vale ler as dicas do comitê organizador, por exemplo, incluir participantes de diferentes países e novatos no evento. Informações completas em: <https://www.ecsite.eu/annual-conference>.

8. Submissão de trabalhos para o XII ENPEC até setembro – Termina em 28 de setembro o prazo para submissão de trabalhos para o XII Encontro Nacional de Pesquisa em Educação em Ciências (ENPEC), evento bienal promovido pela Associação Brasileira de Pesquisa em Educação em Ciências (ABRAPEC). A próxima edição será realizada em Natal, Rio Grande de Norte, de 25 a 28 de junho de 2019, com a temática “Pesquisa em Educação em Ciências - Diferença, Justiça Social e Democracia”. Os trabalhos completos devem conter entre 15 mil e 20 mil caracteres, seguindo o modelo disponível em: <http://abrapecnet.org.br/wordpress/pt/2018/08/11/modelo-de-trabalho-do-xii-enpec-2/>. No evento, os que forem selecionados serão apresentados em sessões de pôsteres. O XII ENPEC visa reunir e favorecer a interação entre os pesquisadores das áreas de Ensino de Física, Biologia, Química, Geociências, Ambiente, Saúde e de áreas afins, com a finalidade de discutir trabalhos de pesquisas recentes e tratar de temas de interesse da ABRAPEC. Os organizadores também estão recebendo, até o dia 10 de setembro, sugestões sobre possíveis palestrantes e temas a serem abordados nas mesas-redondas e debates. As propostas devem ser enviadas para: <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>. Para mais informações sobre o evento, acesse: <http://abrapecnet.org.br/wordpress/pt/2018/08/26/3a-circular-do-xii-enpec>.

9. Formação acadêmica em divulgação científica – O Mestrado em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) está com inscrições abertas até 31 de outubro para a seleção de candidatos a compor sua quarta turma. Todo o procedimento é realizado online, pela plataforma SIGA. Os documentos necessários para validar as inscrições devem ser entregues presencialmente na secretaria do curso até as 16h do dia 31 de outubro ou enviados pelo correio até 21 de outubro. As aulas começam em março de 2019. O curso, um dos únicos no país a se concentrar especificamente na divulgação científica, tem como objetivo a formação de pesquisadores qualificados para a produção de novos conhecimentos que visam incrementar o diálogo dos campos da saúde, da ciência e da tecnologia com a sociedade. O programa é resultado de uma parceria da Fiocruz com o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), a Fundação Cecierj e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para ler o edital de seleção e obter mais informações sobre o mestrado, acesse: <http://coc.fiocruz.br/images/PDF/Edital%20Mestrado%20DC2019.pdf>. 

10. Capacitação em jornalismo científico para mulheres – O British Council, em parceria com o Museu da Amanhã, vai oferecer treinamento em jornalismo científico para dez mulheres que cobrirão o festival “Women of the World (WOW)” em novembro, no Rio de Janeiro. Para se inscrever (até 30 de setembro), as candidatas devem se enquadrar em uma das seguintes categorias: graduadas em STEM (sigla em inglês para Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemática) que não tenham vivência no campo da divulgação científica; ou formadas em qualquer área do conhecimento que tenham experiência em divulgação de ciência. As dez selecionadas terão dois dias de capacitação em jornalismo científico, seguidos por três dias de prática durante o Festival WOW, compreendendo o período de 14 a 18 de novembro. Durante o evento, elas terão seus textos publicados em canais institucionais e nas redes sociais – onde espera-se que tenham impacto em alcance e engajamento de público, chamando a atenção para a temática de mulheres na ciência. O material produzido poderá, também, ser replicado nas redes do Museu do Amanhã, British Council e seus parceiros. Gastos com viagem, hospedagem e alimentação das participantes serão cobertos pelo programa. O treinamento faz parte do Programa MULHERES NA CIÊNCIA, do British Council. Inscreva-se em: <http://britishcouncilbrasil.mulheres-na-ciencia-treinamento.sgizmo.com/s3/?_ga=2.35152034.2008170041.1535723941-371985665.1535723941>.               

11. Curso on-line de comunicação pública da ciência – Estão abertas até 26 de setembro as inscrições para o curso à distância “Bases conceptuales y prácticas para la comunicación pública de la ciencia”, oferecido pela Sociedade Mexicana para a Divulgação da Ciência e da Técnica. As aulas, que duram cerca de 70 horas, estarão disponíveis de 1º de outubro a 16 de novembro de 2018, divididas em três seções: Ciência; Ciência e comunicação; e Comunicação pública da ciência e tecnologia. O objetivo é introduzir aos interessados os conceitos, enfoques, métodos, análises e formas de trabalho da comunicação pública da ciência. O curso inclui vídeos, leituras obrigatórias e de apoio, além de atividades de aprendizagem, com um tutor para esclarecer dúvidas e trocar experiências – tudo em espanhol. Para mexicanos, o curso custa 3.500 pesos mexicanos. Para estrangeiros, 175 dólares. Há descontos para pagamentos realizados até 17 de setembro (3.150 pesos mexicanos ou 157 dólares) e para aqueles que se inscreverem em grupos de quatro pessoas (2.520 pesos ou 126 dólares cada). Saiba mais sobre o programa e formas de pagamento em: <http://www.somedicyt.org.mx/actividades/proyectos/bases-conceptuales-y-practicas-para-la-comunicacion-publica-de-la-ciencia.html>.

 

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