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O escarificador é um instrumento com oito pequenas lâminas ajustáveis de aço, utilizado para a realização de sangrias. A alavanca na parte superior aciona um mecanismo de molas que permite que as lâminas fiquem engatilhadas para fora da superfície inferior do objeto. O botão lateral desfaz o acionamento das molas e faz com que as lâminas retornem para o interior do instrumento.

O objeto em foco foi incorporado ao acervo em 1995 e faz parte da coleção de instrumentos médicos doados pelo Dr. Sylvio Lemgruber Sertã (1907-2001), obstetra fluminense atuante no associativismo médico.

A sangria foi uma prática comum a diversas culturas antigas, como método profilático e terapêutico. Hipócrates, em 500 antes de Cristo, a utilizava para equilibrar os humores corporais. Entre os séculos XVII e XIX foram desenvolvidas e aperfeiçoadas técnicas e instrumentos para sangria, que incluíam o uso de lancetas variadas, aparelhos pneumáticos e escarificadores, além das sanguessugas.

No Brasil, a sangria foi muito popular até o início do século 20. Era realizada por cirurgiões e por barbeiros sangradores, homens majoritariamente negros ou pardos, livres ou escravos, que, além de cortarem cabelo e fazerem barba, utilizavam seus instrumentos, especialmente lancetas e escarificadores, também conhecidos como sarjadores, para realizar pequenas cirurgias, escarificações na pele e aplicação de ventosas e sanguessugas.

Os escarificadores eram considerados eficientes, pois seu uso infligia um sofrimento menor aos pacientes. Após um rápido procedimento de escarificação da pele, ventosas de vidro aquecidas eram aplicadas sobre a área ferida, criando um vácuo que acelerava a sucção do sangue.

Na medicina ocidental, o declínio dessa prática terapêutica data de meados do século 19, quando as modernas teorias médicas, como a da antissepsia, de Lister, se afirmaram. Sem comprovação científica de sua eficácia no tratamento das doenças e após ser identificada como provável causadora de agravos ao estado dos pacientes, a técnica da sangria foi definitivamente abandonada no decorrer das primeiras décadas do século 20.

Para saber mais:

DAVIS, Audrey; APPEL, Toby. Bloodletting Instruments in the National Museum of History and Technology. Washington: Smithsonian Institution Press, 1979. Disponível em: http://www.sil.si.edu/smithsoniancontributions/HistoryTechnology/pdf_lo/SSHT-0041.pdf

COOK,H. J. Physical Methods. In: BYNUM,W.F; PORTER, Roy. Companion Encyclopedia of the History of Medecine. Vol 2. New York: Routledge, 1994, p. 939-960.

FIGUEIREDO, Betânia G. Barbeiros e cirurgiões: atuação dos práticos ao longo do século XIX. História Ciência Saúde-Manguinhos vol.6 no.2 Rio de Janeiro, Junho/Out. 1999.

SCARIFICATEUR. Dictionaire des Sciences Médicales, volume 50. Paris: C. L. F. Panckoucke, 1820, p. 117-119. Clique aqui

Publicado em 08/12/2014
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