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Formigueiro de estudos para o controle da formiga saúva
Material: vidro, madeira, areia e folhagem
Autor: Oswaldo Cruz
Local: Rio de Janeiro
Dimensões: 49 x 57 x 24 cm

Esta maquete que simula um formigueiro representa um audacioso, porém inconcluso projeto de pesquisa realizado pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz nos seus últimos anos de vida.

Após o sucesso das campanhas sanitárias contra mosquitos e ratos na cidade do Rio de Janeiro, Oswaldo Cruz, a pedido do então governador Nilo Peçanha, iniciou em 1915 um trabalho que tinha o propósito de estudar técnicas para o controle de formigas.

As saúvas representavam uma praga de grande preocupação nas lavouras nas primeiras décadas do século XX. Mais de 10% da produção agrícola era devastada por causa dos ataques dos insetos.

Oswaldo Cruz imaginou poder combatê-las com um plano semelhante ao usado para destruir os mosquitos e suas larvas por meio de uma campanha sistemática e contínua contra os focos, com o auxílio de uma grande brigada de técnicos treinados e bem aparelhados para este serviço, como eram seus “mata-mosquitos”.

Em um primeiro exame do problema, pensou em insuflar gases asfixiantes nas galerias do formigueiro, dividindo o Estado do Rio de Janeiro em três grandes territórios de ação. Mas ao exercer esta experiência em pequena escala verificou que a injeção contínua e prolongada de gases poderia prejudicar as plantações mais do que as próprias formigas.

Ao abandonar este plano de ação, Oswaldo Cruz iniciou uma pesquisa para conhecer algumas particularidades da vida, dos hábitos e dos costumes desses insetos tanto na natureza como no formigueiro artificial engenhosamente construído sob suas indicações. Ele idealizou uma maquete com paredes de vidro que permitia a observação em seu interior com formigas coletadas de sauveiros naturais que até hoje são comuns em Manguinhos.

Ao se apropriar de pormenores da vida do inseto, Oswaldo Cruz observou que poderia se valer dos hábitos coletivos das formigas para desenvolver uma forma de controle através do contágio. Propôs inocular germes de alta virulência em alguns indivíduos que propagariam rapidamente uma epidemia mortífera em toda a comunidade.

Oswaldo Cruz desta forma sugere uma maneira original de controle de pragas, mas que infelizmente configurou-se um trabalho incompleto devido ao descolamento de retina e o agravamento de outros problemas de saúde que o forçou a interromper este e outros estudos.


O formigueiro de Oswaldo Cruz ficou exposto em sua sala de trabalho no segundo andar do Castelo Mourisco, que, após a sua morte prematura em 1917, tornou-se um memorial onde foram reunidos seus objetos pessoais e de trabalho como forma de homenagear o pioneiro da instituição.

Para saber mais:

ARAGÃO, Henrique Beaurepaire. Notícia Histórica sobre a fundação do Instituto Oswaldo Cruz (Instituto de Manguinhos). Memórias do Instituto Oswaldo Cruz, tomo 48, 1950, p. 1-50.

DIAS, Ezequiel. O Instituto Oswaldo Cruz. Resumo histórico (1899-1918). Rio de Janeiro: Manguinhos, 1918.

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ – Casa de Oswaldo Cruz. Almanaque Histórico. Oswaldo Cruz: o médico do Brasil. Rio de Janeiro: Pancron, 2003. Disponível em: http://www.projetomemoria.art.br/OswaldoCruz/eventos/pdf/almanaque%20_capa.pdf 

GUERRA, E. Sales. Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro: Vecchi, 1940.

Publicado em 24/9/2015
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