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No Campo de São Domingos, é possível encontrar mais de 26 espécies de sempre-vivas.

Após uma noite estrelada e relativamente amena, amanhece no Campo de São Domingos, região onde se localiza a base de apoio do Parque Nacional das Sempre-Vivas. Numa casa com energia gerada por um sistema solar-eólico, brigadistas, pesquisadores, analistas ambientais e outros profissionais despertam para mais um dia de trabalho em campo. Para a equipe do projeto Parques do Brasil é o quinto e último dia de expedição. A base está localizada num imenso planalto quase plano, coberto por campos rupestres. Ao longe, é possível observar cumes de montanhas e alguns capões de mata. Nos arredores, encontramos um jardim natural de incrível beleza e diversidade biológica, onde mais de 26 espécies de sempre-vivas são encontradas.

Com a transformação dos campos de sempre-vivas em áreas de pastagem para gado bovino e em plantio de eucalipto, muitas espécies já foram extintas ou se tornaram raras fora da unidade de conservação. Outros fatores também contribuem, como o excesso de coleta das sempre-vivas e incêndios constantes. Essa realidade torna o parque um banco genético de fundamental importância para a conservação e estudo dessas plantas que guardam ainda inúmeros segredos. Em meio ao campo, encontramos a nascente do rio Jequitaí, apresentando no seu entorno espécies de plantas carnívoras, algumas extremamente raras, como a do gênero Drosera, descrita pela primeira vez pelo naturalista e botânico Auguste Saint-Hilaire, em 1817.

Afastando-se um pouco da base do Parque, é possível encontrar a Serra do Galho. Marcando as coordenadas de viajantes de hoje e de outrora, o Morro do Galho, com seus 1.525 metros de altitude, ponto culminante da serra, destaca-se na paisagem. Nuvens escuras surgem no horizonte, trovoadas longínquas são ouvidas. No início da tarde, uma chuva inesperada e bem-vinda surge e marca o momento final da expedição.

No centro do Parque Nacional das Sempre-Vivas, muitas espécies da fauna brasileira. 


Seguimos em direção ao centro do parque, na região mais conhecida como Fazenda Arrenegado, considerada a área mais conservada da unidade de conservação. No caminho, nos deparamos com várias pegadas. Por conta da caça, muitas espécies foram extintas na região, como o veado galheiro e a ema. Ainda assim, o parque apresenta uma fauna considerável com várias espécies endêmicas e muitas ameaçadas de extinção. Encontramos pegadas do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), anta (Tapirus terrestres), do gato do mato (Leopardus tigrinus), cachorro do mato (Cerdocyon thous), entre outras espécies. Embora não avistados nessa curta expedição, na região ainda é possível encontrar onças pintadas (Panthera onca), jaguatiricas (Leopardus pardalis), cinco espécies de primatas e outros bichos.

No parque, ainda é possível avistar 195 espécies de aves e várias espécies de serpentes e anfíbios, alguns endêmicos da região. No caminho tivemos também a oportunidade de conhecer um pouco da fitofisionomia do parque. A região está localizada dentro do bioma cerrado, mas sofre influência de dois outros biomas: mata atlântica e caatinga.

A equipe percorreu as margens do Rio Preto e chegou à Cachoeira de Santa Rita.

No dia seguinte, encontramos o analista ambiental Daniel Borges e seguimos para o Distrito de Curimataí, passando por diversas cancelas até chegarmos à comunidade de Santa Rita, onde encontramos o ex-brigadista e produtor rural Branco. Após percorrermos um pequeno trecho íngreme de carro, chegamos à borda de um vale. Caminhamos por uma trilha pedregosa até alcançarmos um penhasco de extrema beleza onde já podíamos vislumbrar o Rio Preto. Descemos por uma fenda vertical na encosta até chegar a uma mata de galeria fechada e espinhosa.

Apesar de alguma dificuldade, logo encontramos a beira do rio. Subimos mais algumas pedras e nos deparamos com uma cachoeira majestosa: a Cachoeira do Rio Preto ou Cachoeira de Santa Rita. A água do rio caía a uma altura de mais de 60 metros, formando uma enorme piscina de água escura e gelada. Ficamos lá por mais de duas horas tentando descrever com alguma exatidão a dimensão e a beleza dessa cachoeira, que com certeza está entre as mais belas do país. O Parque Nacional é um divisor de águas de duas importantes bacias hidrográficas, a bacia do Rio São Francisco e a bacia do Jequitinhonha. Dos planaltos do parque nascem mais de 600 nascentes, formando córregos, rios, cavando cânions e presenteando os visitantes com várias cachoeiras. Uma informação interessante é que todos os rios e córregos que correm pelo parque nascem no seu interior: não há rio ali que venha de fora da área protegida. As águas do parque atendem comunidades e cidades do entorno.

No segundo dia, a equipe encontrou pinturas rupestres impressionantes.


No segundo dia, a equipe recebeu ajuda do brigadista e guia local Nonô. Depois de um trecho em automóvel, seguimos a pé através de uma região campestre e brejosa cercada por morros e chegamos a um com características peculiares. No alto dele, podíamos observar uma reentrância. Ao subirmos a trilha em meio a pedras pontiagudas, encontramos um espaço bastante conservado, sem marcas de ocupação humana recente. No entanto, continuando a trilha, chegamos a um local com pinturas rupestres impressionantes.

Na rocha brilhante da montanha, desenhos milenares de animais e figuras abstratas. Veados, gatos selvagens, antas, pacas, várias espécies estavam ali registradas. O incrível é que os registros só existiam ali naquele lugar exposto para um imenso vale, indicando que havia sido produzido justamente para permitir que fosse visto a uma grande distância. Para que serviria? Para indicar espécies encontradas? Com certeza possuíam um objetivo muito específico para aquela sociedade. Depois dessa viagem no tempo voltamos a Diamantina.
A expedição começou pelo planalto Galho do Miguel, formação rochosa com mais de um bilhão de anos.

Antes de iniciar a jornada e após uma longa viagem do Rio de Janeiro a Diamantina, percorrendo 728 km de estradas, a equipe do projeto se reuniu na sede administrativa do parque com Márcio Lucca e Daniel Borges, analistas ambientais do ICMBio, com o objetivo de definir os últimos detalhes da expedição. Na manhã seguinte, seguimos com Márcio Lucca, chefe do parque, até a entrada sul do local. Após percorrermos 70 km, sendo 60 em estradas de terra, chegamos ao vilarejo de Macacos, situado no entorno imediato do parque. Macacos é uma pequena vila que surgiu de uma antiga fazenda de mesmo nome e hoje possui poucos moradores que desfrutam de uma belíssima paisagem. Depois de ultrapassarmos os limites da unidade de conservação, seguimos mais 10 km até chegarmos à base do Parque.

A formação Galho do Miguel ocupa 90% da área do PNSV e é composta por quartzitos (um tipo de rocha) finos e puros, formando um enorme planalto com montanhas a perder de vista, surgidas a mais de um bilhão de anos. Essa estrutura gigante já sofreu muita erosão, mas ainda impressiona. Mais de 50% do parque é composto por formações rochosas, criando paisagens bastante singulares. Como resultado de todo o processo de corrosão da rocha, os quartzitos acabam por se transformar numa areia muita branca, criando um ambiente propício ao desenvolvimento das sempre-vivas.
O Museu da Vida preparou uma programação especial para celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente.


A Semana do Meio Ambiente de 2016 trouxe várias atividades ao Museu! Vale lembrar que o dia 5 de junho marcou o Dia Mundial do Meio Ambiente. Este ano, realizamos uma atividade em parceria com a Diretoria de Administração do Campus da Fiocruz. Nada melhor que refletir sobre nossa relação com o planeta Terra colocando a mão na massa e curtindo as atividades que preparamos. Veja a programação que rolou!

Circuito ambiental da Dirac
7 de junho, às 10h, na Tenda da Ciência
Legados ambientais olímpicos: realidade ou enganação? | Palestra com o biólogo Mario Moscatelli

Tapete de histórias: Romeu e Julieta, duas borboletas em um belo jardim
8 de junho, de 9h às 13h, para público de 5 a 8 anos
Local: Sala Costa Lima, no Castelo Mourisco

A história conta as descobertas e diferenças de duas borboletas, numa atividade que incentiva o diálogo sobre a biodiversidade.

Com um cenário de garrafas PET, Curumim Quer Música! te convida a fazer um passeio pela floresta do indiozinho Ynhire
Curumim quer música!
7 de junho, de 10h30 às 13h30, de 6 a 8 anos
Local: Epidauro

Um indiozinho descobre que não há nenhum barulho na floresta e se pergunta: onde estão os sons? Em sua busca pela música, os pequenos visitantes da peça conhecem alguns conceitos musicais e ajudam o índio Ynhire a recuperar os sons!

Ver de perto
8 e 9 de junho, às 10h30, para crianças a partir de 8 anos
Local: o ponto de encontro é no Centro de Recepção

O que você faz quando vê um inseto? Você espanta ele? Sente medo ou curiosidade? A boa é vê-los bem de perto!

Trilha científica Oswaldo Cruz com passeio pelo horto Fiocruz
8 de junho, às 15h, para público a partir de 7 anos
Local: Centro de Recepção

Venha conhecer o Caminho de Oswaldo Cruz e visitar o horto! Uma atividade cheia de curiosidades sobre plantas e o patrimônio ambiental da Fiocruz.

O indesejável do Egito
7 e 8 de junho, às 9h e 15h, a partir de 10 anos
Local: Pirâmide

Com a ajuda de uma lupa, é possível identificar características do Aedes aegypti.

Há vida na gota d´água?
7, 8 e 9 de junho, às 10h30 e 13h30, a partir de 10 anos
Local: Pirâmide

Ao coletar a água de bromélias do campus da Fiocruz, é possível observar diversos microrganismos ao microscópio. Hummm, bate aquela curiosidade para descobrir quais! Corra para a Pirâmide e descubra!

Sabão sustentável
7 e 8 de junho, às 9h e 13h30, para público a partir de 12 anos
Local: Parque da Ciência

Sabia que dá para fazer sabão com o óleo que sobra na cozinha? Então, que tal fazer seu próprio sabão com óleo vegetal usado?

Oficina de brinquedos com sucatas
9 de junho, às 10h30 e 13h30, a partir de 10 anos
Local: Epidauro

A partir do poema "Quadrilha da sujeira", venha conversar sobre lixo, brincadeiras, nossa saúde e a saúde do planeta. A ideia é descobrir o quanto pode ser divertido brincar com sucatas, usando a criatividade para fazer o próprio brinquedo!



Atualizado em 10 de junho de 2016

O projeto é uma iniciativa educativa audiovisual de divulgação científica que tem como objetivo principal dar visibilidade às principais unidades de conservação do país.



Você conhece as sempre-vivas? Elas são plantas da família das eriocauláceas com inflorescências que, mesmo depois de colhidas, destacadas e secas, continuam a apresentar a aparência de estruturas vivas, abrindo e fechando conforme a umidade do ar e a luminosidade. Irado, né? Pois saiba que existe um parque aqui no Brasil com um montão delas: o Parque Nacional das Sempre-Vivas (PNSV), localizado próximo à cidade histórica de Diamantina, no estado de Minas Gerais.

Em maio, rolou uma super expedição por lá realizada pelo projeto Parques do Brasil, uma iniciativa educativa audiovisual de divulgação científica que tem como objetivo principal dar visibilidade às principais unidades de conservação do país. Desenvolvido pela pesquisadora Luciana Alvarenga, do Serviço de Educação em Ciências e Saúde do Museu da Vida, o projeto é uma parceria entre o Museu, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o produtor de TV e cineasta Carlos Sanches, da TV Brasil.

No Parque, já foram registradas cerca de 60 espécies de sempre-vivas, tornando essa unidade de conservação a área com mais espécies dessa planta no planeta. Mas saiba que mais espécies estão sendo gradativamente descritas a partir de novas pesquisas. Estima-se que existam mais de 100 espécies dessa família na área do parque, sendo que oito são consideradas raras e cinco já estão ameaçadas de extinção!

Preservando um dos trechos mais importantes da Serra do Espinhaço, onde o PNSV está localizado, o parque apresenta peculiaridades ecológicas e guarda memórias de diferentes períodos da pré-história e de épocas mais recentes, incluindo registros de naturalistas como Auguste Saint-Hilaire, Carl Von Martius, Johann Baptiste Von Spix, entre outros nomes. A equipe da expedição fez um relato do dia a dia da viagem, com cada foto iradíssima! Para conhecer a expedição, acompanhe os textos abaixo. Spoiler: o visual é realmente deslumbrante, você vai se apaixonar!

Primeiro dia de expedição: conferindo os últimos detalhes!
Após uma longa viagem do Rio de Janeiro a Diamantina, a equipe se prepara para conhecer o Parque. Mais de 50% do PNSV é composto por formações rochosas, criando paisagens únicas. Como resultado do processo de corrosão de uma rocha encontrada no local, o quartzito, uma areia muito branca se forma e acaba virando um ambiente propício para o desenvolvimento das sempre-vivas.

Segundo dia: pinturas rupestres à vista
Numa rocha brilhante, a equipe encontra desenhos milenares de animais e figuras abstratas. Veados, gatos selvagens, antas, pacas e outras espécies dão pistas sobre a vida pré-histórica que aconteceu ali há milhares de anos.

Terceiro dia: desbravando a cachoeira do Rio Preto
O PNSV é um divisor de águas de duas importantes bacias hidrográficas, a bacia do Rio São Francisco e a bacia do Jequitinhonha. Dos planaltos do parque nascem mais de 600 nascentes, formando córregos, rios, cavando cânions e presenteando os visitantes com várias cachoeiras.

Quarto dia: fauna e flora do Parque Nacional
No parque, é possível avistar 195 espécies de aves e várias espécies de serpentes e anfíbios, alguns endêmicos da região, além de animais como a onça pintada, jaguatirica, lobo guará e outros. Conheça quais!

Quinto dia: é chegada a hora de partir!
Depois de mais um dia de expedição, nuvens escuras surgem no horizonte, trovoadas longínquas são ouvidas. No início da tarde, uma chuva inesperada e bem-vinda surge e marca a despedida da equipe.


Publicado em 10 de junho de 2016

A pesquisadora ainda aponta que aqueles que desejam seguir na área, no Brasil, já podem contar com mais oportunidades de trabalho.




Luisa ganhou o prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica este ano na categoria "Pesquisador e escritor"
"As crianças são cientistas naturais, sempre curiosas por tudo que ocorre à volta delas", assim a pesquisadora do Museu da Vida Luisa Massarani descreve os que ela também chama carinhosamente de “pequenos curiosos”. Pelo jeito, ou melhor dizendo, pelo jeito da Luisa, é possível manter esta curiosidade.

Coordenando e participando de inúmeras iniciativas de pesquisa e de práticas em divulgação científica ( algumas delas podem ser conhecidas aqui), ela acaba de ser reconhecida pelo CNPq com o 36º Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, na categoria "Pesquisador e escritor".

Aproveitamos a oportunidade e batemos um papo com ela, que nos contou como era a área da divulgação quando começou, em 1987, e disse que, atualmente, há mais oportunidades para pessoas que desejam trabalhar com a área. Para 2016, dois novos projetos estão para sair do forno! Acompanhe a entrevista.

Ao longo de sua trajetória, você desenvolveu diversos trabalhos voltados para a divulgação da ciência para o público infantil. O que te move ao pensar em aproximar a ciência das crianças?

Luisa Massarani: As crianças são cientistas naturais, sempre curiosas por tudo que ocorre à volta delas. Elas têm muita imaginação. Além disso, talvez mais do que em qualquer outra faixa etária, não há uma receita de como se fazer divulgação científica. O gostoso é, caso a caso, procurar os melhores caminhos de se conversar sobre temas de ciência. Há a expectativa, ainda, de que a divulgação científica para o público infantil pode de fato fazer a diferença para formar cidadãos mais engajados com temas de ciência, fazendo-os tomar decisões mais bem informadas em temas que se relacionem com a área.

Como você avalia a divulgação científica hoje no Brasil? Há mais consciência sobre a relevância do campo?

Eu comecei a atuar na área em 1987. Era um momento de entusiasmo. Poucos anos antes foram criados o primeiro museu interativo de ciência do país, o Espaço Ciência Viva, e o projeto Ciência Hoje, com uma revista para adulto, outra para crianças e a newsletter de política científica. Foi um momento de estímulo à criação de outras revistas de divulgação científica, ao jornalismo científico, com a criação de seções de ciência nos principais jornais do país, entre outros fatores.

Na década de 1990, por sua vez, ganhou peso a área de museus de ciência, que, desde então, aumentaram em número em várias partes do país. O que creio que mudou foi o estabelecimento de políticas de divulgação científica, que incluíram a criação Departamento de Popularização e Difusão da Ciência e Tecnologia no então Ministério de Ciência e Tecnologia; o estabelecimento, por decreto presidencial, da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, com seu imenso caráter mobilizador; e o apoio sistemático à área de divulgação por editais. Agências de fomento, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e as Fundações de Apoio à Pesquisa (FAPs) de diversos estados, colocaram a divulgação científica na agenda. Acho que essas ações fizeram toda a diferença. O Brasil virou referência na América Latina na área da divulgação científica. No entanto, a recente fusão do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação com a pasta de Comunicações, além de ser um retrocesso na área da ciência, coloca em risco todo este esforço de mais de uma década de consolidação de políticas na área de divulgação científica.

Pensando em alguém que está começando nesse campo, qual conselho você daria?

Na época em que comecei a trabalhar na área, dava para contar nos dedos quantas pessoas trabalhavam em divulgação científica em tempo integral. Muitos atuavam na área como atividade secundária, movidos pela paixão. Eu decidi que esta era a minha área e que, também movida pela paixão, seria meu ganha pão. Meu conselho é: se a pessoa acha que esta é a área do coração, invista nela! Hoje em dia há possibilidades de estágios, há cursos de pós-graduação...

Em termos de projetos, quais trabalhos que ainda estão por vir você gostaria de destacar?

Há dois que gostaria de destacar: já está no forno - estão sentindo o cheirinho gostoso? - meu próximo livro de divulgação científica para crianças. Acho que até julho estará nas lojas. Já no âmbito da Rede de Popularização da Ciência e Tecnologia na América Latina e Caribe (RedPOP), estamos fazendo um diagnóstico da divulgação científica na região; em setembro, lançaremos os resultados em um grande fórum que a Unesco realizará no Uruguai. Até onde sabemos, será o primeiro na área.


Publicado em 06 de junho de 2016

Luisa Massarani, do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica, foi a ganhadora na modalidade "Pesquisador e escritor".




A pesquisadora Luisa Massarani, do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida, foi escolhida pela comissão julgadora do 36º Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica como a grande vencedora neste ano. A cerimônia de entrega do prêmio aconteceu na 68ª reunião anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), na cidade baiana de Porto Seguro, na qual Luisa proferiu a conferência "Divulgação científica – e agora, José?".

Este ano, o objetivo era premiar um "Pesquisador e escritor" na área, levando em conta critérios como a qualidade e a relevância dos trabalhos apresentados, a experiência, trajetória profissional e a contribuição em prol da divulgação da ciência, tecnologia e inovação. Em entrevista ao site do MV, ela comentou os rumos da divulgação científica no Brasil.

"Existe um abismo entre quem realiza atividades práticas em divulgação científica e quem pesquisa no campo em divulgação científica. Na minha trajetória, busquei realizar tanto atividades práticas como acadêmicas neste campo, e o foco do trabalho tem sido dar subsídios para aprimorar a divulgação científica", enfatizou a pesquisadora.

Pesquisadora de produtividade 1C do CNPq e atual coordenadora do mestrado acadêmico em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Casa de Oswaldo Cruz, Luisa tem uma ampla atividade acadêmica, científica e de gestão voltada para a divulgação científica. Ela lidera o Grupo de Pesquisa do CNPq Ciência, Comunicação & Sociedade; coordena o portal SciDev.Net para América Latina e Caribe; é a diretora executiva da Rede de Popularização da Ciência e Tecnologia na América Latina e Caribe (RedPOP) e ainda é membro do comitê científico da rede internacional de Public Communication of Science and Technology (PCST, na sigla em inglês).

Ex-diretora do Museu da Vida de 2009 a 2013, ela se dedica à área da divulgação científica desde 1987, realizando atividades práticas e de pesquisa relacionadas aos aspectos históricos e contemporâneos da área, ciência na mídia e percepção pública da ciência. A entrega do prêmio, diploma e troféu ocorrerá durante a 68ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que acontece entre 3 e 9 de julho, na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), em Porto Seguro (BA)

Confira, abaixo, alguns momentos da marcante trajetória de Luisa.


Guia de Centros e Museus de Ciência da América Latina e do Caribe

Em 2015, Luisa coordenou a organização do Guia de Centros e Museus de Ciência da América Latina e do Caribe. A publicação é uma iniciativa da RedPOP, Museu da Vida e Escritório Regional de Ciência da Unesco e traz uma relação de aproximadamente 470 centros da região. Além de disponível para download gratuito aqui no site, o guia, com versões em português e espanhol, também está acessível no portal da RedPOP. Dez anos antes, em 2005, Luisa se juntou a Ribamar Ferreira, atual presidente da Associação Brasileira de Centros e Museus de Ciência, e Fátima Brito, da Casa da Ciência da UFRJ, na primeira versão do Centro e Museus de Ciência do Brasil, que mapeou cerca de cem instituições culturais e científicas à época no cenário brasileiro.

Popularização da ciência na América Latina

À frente da direção da RedPOP desde 2014, Luisa esteve envolvida diretamente na produção do livro “RedPOP: 25 años de popularización de la ciencia en América Latina”, lançado em 2015 em homenagem à história de 25 anos da instituição. A publicação foi lançada em parceria com o Museu da Vida e o Escritório Regional de Ciência da Unesco. Além de resgatar fatos históricos da RedPOP e da divulgação científica na América Latina nas últimas décadas, o livro conta com artigos sobre a relação entre museu e escola, a conexão entre popularização da ciência e a cultura popular, jornalismo de ciência e outros temas relevantes.

Acervo do médico José Reis

Desde 2014, Luisa está se dedicando, junto com uma equipe, ao tratamento, estudo e disponibilização da coleção pessoal de José Reis, doada pela família à Casa de Oswaldo Cruz. Reis é um ícone da divulgação científica no país e teve um papel chave na criação e consolidação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Estima-se que a coleção tenha cerca de 9.500 itens, entre acervo documental, museológico e bibliográfico. O acervo arquivístico será digitalizado e disponibilizado pela internet em breve.

Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia

Junto com a pesquisadora Marina Ramalho (Museu da Vida) e outros profissionais de diversos países da América Latina, Luisa conquistou a edição 2014 do prêmio, que teve como tema a popularização da ciência. Com o trabalho “Monitoramento, capacitação e aprimoramento em jornalismo científico em países do Mercosul”, realizado no âmbito da Rede Ibero-Americana de Monitoramento e Capacitação em Jornalismo Científico, a equipe ganhou na categoria “Integração”. Em termos de pesquisa, a rede desenvolveu uma ferramenta para analisar matérias de ciência e tecnologia em telejornais do Brasil e na Colômbia. A partir do diagnóstico observado e da experiência prática da equipe, foram realizadas capacitações em cinco países do Mercosul e em outros da América Central, sempre com foco em jornalistas, cientistas e estudantes interessados em jornalismo científico. Essa colaboração resultou em dois livros: “Jornalismo e ciência: uma perspectiva ibero-americana” e “Monitoramento e capacitação em jornalismo científico: a experiência de uma rede ibero-americana”, ambos disponíveis para download gratuito.

Rede de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia

Luisa é membro do comitê científico do PCST (Public Communication of Science and Technology, em inglês), uma rede que reúne profissionais de divulgação científica a nível mundial. A cada dois anos é realizada a conferência do PCST em um determinado país e, em 2014, Luisa e o Núcleo de Estudos da Divulgação Científica estiveram à frente da organização do evento, que foi realizado em Salvador, na Bahia. As memórias do encontro estão disponíveis para consulta.

Dinossauros no Brasil

O livro explica uma porção de curiosidades sobre 16 espécies que habitaram nosso país, como nome científico, idade, tamanho, preferência de comida e outros detalhes. Em uma verdadeira viagem pré-histórica, Luisa revela, para o público infanto-juvenil, como pesquisadores conseguem ir atrás de fósseis para conseguir entender a era dos dinossauros.

A ciência no Jornal do Commercio

Em 2011, junto com Claudia Jurberg e Leopoldo de Meis, Luisa se dedicou ao livro “Um gesto ameno para acordar o país – a ciência no Jornal do Commercio”, que conta a trajetória pouca conhecida da seção dominical de ciência do Jornal do Commercio, diário carioca criado em 1958. Leopoldo, inclusive, fez parte dessa iniciativa que marcou a história da divulgação científica no Brasil. Leia a publicação aqui.

Uma aventura por cheiros e cores da flora brasileira

Para instigar a descoberta do olfato e do cheiro de plantas brasileiras junto a crianças de 8 a 12 anos, Luisa coordenou a criação de um livro-jogo, “Cheiro de quê?”, em que a história se passa na cidade de Narizópolis. O leitor é convidado a sentir cheiros descritos pelos personagens em potes que trazem essências das plantas citadas na trama, além de ter que se aventurar em atividades propostas por cartas presentes no jogo.

Curso on-line de jornalismo científico

Em 2009, Luisa coordenou a versão brasileira desta publicação, que foi lançada em 2008 pela Federação Mundial dos Jornalistas Científicos (WFSJ, na sigla em inglês) e pela Rede de Ciência e Desenvolvimento (SciDev.Net). Jornalistas de várias partes do mundo colaboraram com dicas e experiências sobre como cobrir temas científicos. A versão on-line está disponível aqui.

Ciência para pequenos curiosos

Sempre preocupada com a divulgação científica para o público infantil, Luisa coordenou a pesquisa “Pequenos curiosos - um espaço de ciência para crianças”, de 2009 a 2011, que acabou resultando em duas exposições do Museu da Vida para o público de seis a oito anos: “ Floresta do Sentidos” e “ Aventura pelo corpo humano”. Além disso, ela foi editora da revista Ciência Hoje das Crianças, de 1994 a 1999, e já colaborou como colunista no suplemento infantil do jornal Folha de S. Paulo, a Folhinha. Os textos publicados nesta coluna serão lançados em livro ainda em 2016.

Divulgação da ciência de forma acessível

Em mais uma coordenação, Luisa participou ativamente da construção do site “Brasiliana”, do Museu da Vida, montado com o intuito de divulgar informações sobre a divulgação científica no Brasil. O site tem um conteúdo precioso para quem estuda o tema, revelando diferentes trabalhos já realizados em jornais, TV, literatura, músicas, festas populares, trabalhos acadêmicos e outros meios.

SciDev.net

No âmbito da América do Sul, Luisa se mantém como editora da América Latina e Caribe para o SciDev.net, um portal de notícias jornalísticas sobre ciência, com base na Inglaterra, que tem ramificação em diferentes continentes. Já escreveu inúmeras notícias para o site, como “Why do people choose to live in disaster areas?” e “Científicos brasileños se oponen a la reducción de fondos”, bem como edita textos de outros jornalistas.

Terra incógnita: caminhos da divulgação científica no Brasil e no mundo

Em 2002, ao lado de Ildeu de Castro Moreira e Fátima Brito, Luisa lançou o primeiro livro da série Terra Incógnita, “Ciência e Público – caminhos da divulgação científica no Brasil”. Além desse, a série conta com dois outros livros que trazem artigos e contribuições de grandes nomes da divulgação científica para estimular a reflexão sobre o significado da área, diferentes práticas e conceitos, sempre lembrando de vincular a ciência à sociedade. Os outros dois, ambos de 2005, são: “Terra incógnita: a interface entre ciência e público” e “O pequeno cientista amador: a divulgação científica e o público infantil”.



Atualizado em 31 de maio de 2016

Luisa Massarani foi selecionada com o projeto National Institute of Science and Technology in Public Communication of Science and Technology.



A pesquisadora Luisa Massarani, do Museu da Vida, e o pesquisador Ildeu de Castro Moreira, da UFRJ, foram selecionados na chamada pública do Programa dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia com o projeto National Institute of Science and Technology in Public Communication of Science and Technology. A iniciativa tem como objetivo apoiar atividades de pesquisa de alto impacto em áreas estratégicas e/ou na fronteira do conhecimento visando buscar soluções de grandes problemas nacionais.

As 345 propostas apresentadas foram avaliadas por, no mínimo, três consultores internacionais e, posteriormente, pelo Comitê Julgador, que se reuniu na sede do CNPq, em Brasília. Dessas, 252 propostas receberam recomendação no processo de análise para financiamento.

“Na nossa avaliação, é uma grande conquista e um reconhecimento para a área de divulgação científica do país, visto que se trata de um edital de grande prestígio para a comunidade científica brasileira, em que tradicionalmente as áreas contempladas são as hard sciences", afirma Luisa.“Tal conquista só foi possível por conta da grande articulação dos principais grupos de pesquisa nessa área [de divulgação científica] no país e no exterior, que rapidamente se somaram a esta iniciativa”, ressalta. A proposta de Massarani inclui a participação de 126 pesquisadores de diversas instituições do Brasil, da Alemanha, Argentina, China, Colômbia, Estados Unidos, Franca, Inglaterra e Itália.

Luisa Massarani é Cientista do Nosso Estado (Faperj) e recebeu o Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia 2014 (categoria integração, como líder do grupo). Ela é membro do comitê científico da rede internacional da Public Communication for Science and Technology (PCST) e diretora executiva da Rede de Popularização da Ciência e Tecnologia na América Latina e Caribe (RedPOP).

A Fiocruz teve outros cinco pesquisadores beneficiados: Wilson Savino, diretor do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Patrícia Bozza (IOC), Samuel Goldenberg, diretor do Instituto Carlos Chagas (Fiocruz Paraná), Carlos Morel (coordenar do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fiocruz), e Henrique Krieger (Fiocruz Rondônia).

Publicado em 17 de maio de 2016
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