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Texto: Melissa Cannabrava
Colaboração: Julianne Gouveia

Bernardo Egito é fotógrafo e professor, Pós-graduando em Divulgação Científica na Fiocruz, fundador do #ProjetoDivulgar, da #TrupeNaturalista e defensor dos insetos. Crédito: acervo pessoal

O Museu da Vida está apoiando um projeto de conteúdo de divulgação científica no Twitter, rede social com quase 200 milhões de usuários no planeta. O aluno da Especialização em Divulgação e Popularização da Ciência Bernardo Egito é o criador da Série Naturalistas, com conteúdo científico semanal criado a partir de visitas dele à CFMA - Campus Fiocruz da Mata Atlântica, cuja área verde é rica em biodiversidade e repleto de valiosas fontes de pesquisa. O projeto conta com orientação de Suzi Aguiar e Miguel de Oliveira, ambos profissionais do Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, e vai ser lançado nesta terça-feira (19) no perfil do pesquisador.

Bernardo Egito vai realizar saídas de campo para fazer registros fotográficos da Mata Atlântica, com o auxílio de equipes do próprio centro de pesquisa. As postagens serão regulares e vão utilizar recursos da fotografia e design. O material será publicado no formato de threads / fios científicos no perfil @BernardoEgito, onde ele já desenvolve ações do tipo. 

"A disseminação do conhecimento sobre a paisagem natural do Rio de Janeiro possui certos empecilhos, sobretudo acerca da fauna local e sua preservação", explica Egito.

Saiba mais sobre divulgação científica no Twitter e o projeto de Bernardo Egito na nossa entrevista da semana.
 

Oi, Bernardo! Antes de tudo, parabéns pelo trabalh! A gente quer saber: por qual motivo o Twitter foi escolhido como a principal rede de divulgação da sua pesquisa? Será usada alguma hashtag, onde os interessados vão conseguir acompanhar?  
Bernardo Egito:
O Twitter foi escolhido como rede social por se apresentar de forma interessante, ser considerada uma rede de disseminação e informação. (Savi e Silve; 2009). O Twitter é certamente uma rede social que se destaca por se conectar com as pessoas. Estudos acadêmicos na área chamam o Twitter de ‘microblog’. As pessoas se  por postagens relacionadas a animais, diferentes bichos, perguntam sobre seus nomes, espécies, “que bicho é esse no meu quintal?” e etc. O Twitter se apresenta de forma mais aberta. Um tuíte de 280 caracteres sobre alguma curiosidade acerca dos insetos pode alcançar milhares de pessoas, o que ajuda e muito para quem trabalha com engajamento online. Hoje, a comunidade de divulgação científica no Twitter é muito rica, se fazendo presente perfis de diversos pesquisadores e estudiosos de várias áreas, desde o pessoal de biológicas (eu incluso) até a galera que estuda astronomia e física. A busca pela divulgação que caia na boca do povo, de maneira fácil e amigável, é unânime e as interações entre os públicos é algo que essa rede social tem de mais incrível.  

No Twitter, encontramos muitas pessoas interessadas em ciência que não estão em constante contato com alguma área de estudo, mas desejam participar de alguma forma. Muitas vezes, a oportunidade surge para promovermos a chamada “ciência cidadã”, na qual o público participa do próprio processo científico de maneira simbólica, como na identificação de animais através de fotografias que as próprias pessoas fizeram. Isso é algo que se estimula bastante, e é a partir desse tipo de interação que uma melhor aproximação é conquistada. Imagina se alguém encontra uma espécie nova de algum animal, por exemplo? Para ajudar no alcance das postagens do projeto, algumas hashtags vão identificar o conteúdo, como a já conhecida #BioThreadBR  - familiar para a comunidade divulgadora do Twitter -, além de #SérieNaturalista, baseado no nome do projeto de divulgação “Série Naturalista - Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica”, além #NaturalistaFMA e #FiocruzMataAtlântica. Outras tags poderão surgir dependendo de qual assunto estará aquecido no momento. 

Quem são seus orientadores? Além deles, você possui o auxílio de uma equipe durante suas saídas de campo?
Bernardo Egito:
Meus orientadores são Miguel de Oliveira e Suzi Aguiar, ambos profissionais do Museu da Vida/Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz. São pessoas incríveis e que vêm me ajudando desde o início a promover essa produção de divulgação da Mata Atlântica, meu carro-chefe na divulgação online. Foi através deles também que eu pude dialogar com o CFMA para tornar possível essa parceria. Em novembro, acompanhei um pouco a equipe de estudos de Covid-19 com morcegos do Ricardo Moratelli, coordenador do Campus Fiocruz Mata Atlântica. Nos primeiros contatos com o laboratório do Ricardo, pude conferir junto a seus estagiários todo o processo de sua pesquisa com coleta de amostras de RNA que irão para o laboratório para conferir a presença do vírus. 

É uma área com a qual tenho pouca afinidade, então, foi uma tremenda experiência ver todo aquele processo de coleta e manejo de morcegos. Pude registrar esses momentos e, certamente, vai virar uma postagem especial sobre a pesquisa, uma vez que estamos em um contexto de pandemia em que ainda vale muito a pena falar sobre. Recentemente, pude fazer a caminhada na trilha principal do Campus Fiocruz Mata Atlântica com amigos pesquisadores de um projeto de divulgação científica do qual faço parte, o Projeto Divulgar, e, em breve, devo dialogar com o pessoal responsável pela área de botânica do CFMA para fazer um campo dedicado à observação e registro de plantas. 

 

Em qual momento surgiu a ideia de realizar a divulgação científica em formato de série?  
Bernardo Egito:
Durante toda a minha graduação, eu já desejava experimentar um pouco desse mundo de criação de conteúdo na internet com uma linguagem acessível. Não queria virar youtuber ou algo do tipo, mas sempre adorei o recurso do audiovisual e todas as possibilidades que ele pode nos trazer. Hoje, sou formado em biologia, mas sempre fui muito nerd de fotografias e filmagens de qualidade, e simplesmente adoro poder registrar a natureza dessa maneira - de repente, fazer algum trabalho de comunicação, tipo um documentário sobre meio ambiente? Infelizmente, por causa da graduação, sempre me faltou tempo e disponibilidade para tentar qualquer tipo de abordagem assim, o que me levou a mergulhar numa plataforma de rápida produção de conteúdo e muito movimentada até hoje: o Twitter. Caiu como uma luva, pois eu já utilizava a rede social desde 2010 e já acompanhava sua funcionalidade há um tempo. Hoje, com um perfil dedicado à divulgação científica e uma proposta de ser um perfil de cientista mais próximo das pessoas, pude desenvolver as séries de conteúdo que idealizava, tanto utilizando as minhas fotos quanto usando a linguagem que eu tanto defendia. É relevante, para mim, poder promover a imagem do meu perfil como um jovem cientista e fotógrafo que está ali compartilhando informações sobre entomologia, defendendo os insetos e trazendo fotos de qualidade para as pessoas aprenderem e interagirem. Isso compõe o que, para mim, é um compromisso formal, como alguém que estuda ciência pode transparecer e traduzir o que eu aprendo para as populações em geral. Para garantir essa tradução, abordagem é tudo, e esse é o meu maior objetivo atualmente. No Curso de Especialização em Divulgação e Popularização da Ciência da Casa de Oswaldo Cruz / Fiocruz, aprendi bastante sobre essa abordagem e, sobretudo, a respeitar o espaço das pessoas nesse tipo de atividade. Ao mesmo tempo que as pessoas nos ouvem, precisamos ouvi-las, principalmente para enriquecer essa relação. Acho que, em tempos de disseminação intensa de informação, me promover como um porta-voz de ciência biológicas para alavancar um grupo que não é tão bem visto, como os insetos, é bastante nobre e fico muito feliz de que o retorno seja sempre excelente. Costumo dizer que fazer ciência é promover um estudo coletivo, que é um compromisso moral para a sociedade. Precisa ser acessível. Planejo no futuro lapidar essa abordagem através de lives, novas saídas de campo para produzir novas séries e até conteúdos mais informais, como stream de jogos com conteúdo de biologia, para trabalhar um pouco meu lado mais nerd.  

E como está sendo o processo de documentação do projeto? 
Bernardo Egito:
Está sendo excelente! As saídas de campo têm sido maravilhosas, e venho fazendo alguns dos melhores registros que já consegui! Desde a minha graduação, eu sou apaixonado por trilhas e saídas de campo. Eu faço sempre trilhas semanais e só deixo de sair quando o clima não está firme. Essa parte é importante, pois a riqueza da Mata Atlântica é muito beneficiada pelo clima local. São detalhes que são bem relevantes, até mesmo para as publicações futuras. Nesse projeto, cada pequeno detalhe pode gerar uma potencial postagem, que pode virar um conteúdo interessante. Recentemente, encontrei uma borboleta que possui um desenho nas escamas de suas asas que se assemelham a olhos de coruja. Trata-se da espécie Olho-de-coruja (Caligo sp.), que possui esse detalhe visual para afastar predadores. Este é um simbólico exemplo do quanto a estética da natureza esbanja informação e curiosidade, basta explorar e fotografar! Ao final do processo, todo dia, eu sento na minha mesa de estudo e paro para realizar uma seleção das fotos e pensar em postagens. É um processo muito prazeroso e que coexiste bem com a etapa mais aventureira, que é ir pro meio da mata. A primeira postagem deve sair na semana que vem, falando brevemente sobre a proposta e introduzindo à Estação Biológica Fiocruz Mata Atlântica e ao conteúdo da produção do projeto. 

Para a gente fechar a entrevista e aguçar a curiosidade de quem nos acompanha, conta pra gente o que mais te chamou atenção no Campus Fiocruz Mata Atlântica? 
Bernardo Egito:
Certamente, é a imensidão da área do campus. Eu não conhecia o CFMA antes do projeto, apenas o Campus Manguinhos da Fiocruz, e fiquei muito surpreso positivamente em ver que a área é basicamente mato (risos)! Eu sou suspeito de falar sobre meu gosto por uma boa trilha em floresta densa de Mata Atlântica, mas me sinto muito confortável com o CFMA e com o ambiente que ele me traz. É uma área de estudo cercada de verde, com uma verdadeira sinfonia natural de cigarras cantantes e pererecas se comunicando aos montes. É como estar num sítio isolado da cidade, com uma impecável estrutura principal, responsável pelos laboratórios dos estudos locais, e muito verde ao redor. As idas a campo se tornam menos intimidadoras e até mesmo mais relaxantes em um ambiente como esse. Fico muito contente em estar por trás da divulgação de uma área natural tão interessante. Uma das premissas que sempre busco enfatizar sobre a divulgação dessas áreas é estimular a visitação aos locais de áreas verdes da cidade. Há tantos passeios possíveis e tantas coisas para aprender com as nossas florestas urbanas que não vale a pena só chamar de área de estudo. Também deveria ser uma área de aprendizado popular para, quem sabe, tornar um componente inspirador para um professor levar sua turma e entrar em contato com a natureza. Felizmente, o CFMA tem uma mente super aberta para esse tipo de proposta, tanto de modo independente, quanto através dessa parceria. Esse projeto fará muito bem para essa proposta, principalmente porque a área verde do campus, geralmente aberta ao público, se encontra fechada por conta da crise do Covid-19. Num contexto futuro de pós-pandemia, o campus certamente receberá as pessoas de braços abertos para conhecer toda a sua estação biológica. O projeto deve servir como um convite para quando esse dia chegar. Tudo depende do quanto podemos valorizar nossas áreas verdes e nossa natureza em geral. Basta que possamos dialogar e divulgar!  

Publicado em 19 de janeiro de 2021
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