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Neste informe:

1. Enfrentamento da pandemia sob a perspectiva da justiça social
2. Seria a pandemia uma chance de “tornar a ciência grande novamente”
3. Covid-19: mais ciência e menos política
4. A crise sanitária e a equidade de gênero na academia
5. A autoridade cultural da ciência
6. Um museu de ciência e seu papel social
7. Site reúne textos sobre acessibilidade, museus e divulgação científica
8. Periódicos em divulgação científica com acesso aberto
9. VideoSaúde busca filmes e vídeos sobre Covid-19
10. Revista Liinc recebe artigos para dossiê sobre pandemia

 

1. Enfrentamento da pandemia sob a perspectiva da justiça social – A pandemia da Covid-19 expõe, e agrava, desigualdades estruturais da nossa sociedade. Em “Responding to the pandemic: a social justice perspective”, publicado na revista Spokes, Emily Dawson, da University College London (Reino Unido), e Barbara Streicher, do centro de ciência Netzwerk (Áustria), apontam que a crise sanitária reforça, ainda mais, a necessidade de propostas mais inclusivas de engajamento científico. As autoras criticam o debate “sobrevivência versus responsabilidade social” – estruturado em nome de interesses econômicos e práticas de exclusão –, que vem sendo realizado no campo da divulgação científica (DC). Elas defendem que a justiça social seja o foco das ações e planejamentos do campo e explicam que práticas e prioridades precisariam mudar. Em consequência, comunidades carentes seriam atendidas, a DC seria revigorada e teria uma nova relevância para a sociedade. Em apoio a essa proposta, as autoras trazem reflexões sobre as implicações negativas das medidas geralmente adotadas em períodos de crise, como a redução de diversidade tanto nas equipes quanto no público atendido. Dawson e Streicher sugerem aproveitar esse momento de incertezas para construir relações de apoio mútuo com grupos vulneráveis e refletir para uma redefinição da DC com base em equidade, justiça e inclusão social. Leia o texto completo, em inglês, em: <https://bit.ly/30bE23M>.

 2. Seria a pandemia uma chance de “tornar a ciência grande novamente”? – Muito tem se falado, no último ano, sobre uma suposta crise de confiança da população na ciência. Entretanto, dados das quatro enquetes brasileiras de percepção pública da ciência (sendo a última de 2019) têm mostrado um grau elevado de confiança da população nos cientistas. Por outro lado, é fato que a ciência não vive seus tempos áureos, como aponta o artigo “‘Make science great again’? O impacto da Covid-19 na percepção pública da ciência”, publicado em maio na Dilemas - Revista de Estudos de Conflito e Controle Social. Pesquisadora do Museu da Vida (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz), a autora Carla Almeida destaca não apenas os cortes sucessivos vividos pelo setor científico no Brasil, mas também o fenômeno da pós-verdade: “De repente, nos damos conta de que, cada vez mais, meras opiniões, carregadas de emoções, valem mais (...) nas decisões políticas”. Trata-se de uma crise generalizada da verdade em diversos setores – inclusive na ciência. Almeida aponta, porém, que justamente quando parecia que a pós-verdade ampliava vantagem em relação às evidências científicas, o mundo foi chacoalhado pela pandemia, um contexto em que aumenta exponencialmente a demanda por dados produzidos por especialistas. Almeida, então, questiona: “Seria, portanto, a chance de ‘tornar a ciência grande novamente’?” Ela afirma que é cedo para entender o impacto da epidemia na percepção pública da ciência, mas opina ser pouco provável que a crise sanitária nos tire repentinamente do contexto da pós-verdade. Argumenta, porém, que esta é uma oportunidade importante para a divulgação científica, que deveria investir mais em expor o modus operandi da ciência como forma de aproximá-la da sociedade. Leia o texto em: <https://bit.ly/3gx6d2P>.

3. Covid-19: mais ciência e menos política – No que se refere a assuntos sobre o novo coronavírus, é preciso ouvir mais os cientistas e menos os políticos. Essa é a opinião de 89% dos brasileiros entrevistados na pesquisa da agência global de comunicação Edelman, divulgada em abril. O estudo ouviu 10 mil pessoas em 10 países – Brasil, Canadá, Japão, Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, África do Sul e Coreia do Sul – entre 6 e 10 de março. A fonte mais confiável para informações relacionadas à Covid-19, para 91% dos brasileiros, são os cientistas, seguidos por médicos pessoais (86%). Esses e outros dados estão disponíveis na reportagem “Laços em recuperação”, publicada em 8 de maio na revista Pesquisa Fapesp. O autor repercute o estudo com alguns cientistas, entre eles, o biólogo e divulgador científico Átila Iamarino, que opina que os dados “sugerem que a ciência está recuperando parte do prestígio outrora perdido, em maior ou menor grau, em sociedades do mundo todo, inclusive no Brasil”. Iamarino aponta, porém, o risco da cobrança intensa por respostas rápidas e milagrosas da ciência. Nesse contexto, o filósofo Marcos Nobre (Unicamp) argumenta que a pandemia de Covid-19 pode ser uma oportunidade para os cientistas mostrarem à sociedade como a ciência funciona e por que ela é importante para o desenvolvimento dos países. A reportagem aponta também consequências negativas das fake news em torno do novo coronavírus. Acesse o texto gratuitamente em: <https://bit.ly/2XDyFYe>. Acesse mais dados brasileiros da pesquisa em: <https://bit.ly/2TFqkSP>.

4. A crise sanitária e a equidade de gênero na academia – A pandemia da Covid-19 tem afetado a divulgação científica e a ciência em vários aspectos, incluindo questões de gênero. Com a adoção da quarentena para conter a disseminação do novo coronavírus, divulgadores científicos e cientistas se encontram sobrecarregados com as tarefas do trabalho e da vida familiar. Mas o impacto dessa nova realidade é o mesmo para todos? Evidências já mostravam que mulheres realizam mais trabalhos domésticos, dispensam mais horas aos cuidados dos filhos e têm maior probabilidade de assumir o cuidado de parentes doentes do que os homens. Dados levantados pelo grupo Parent in Science (www.parentinscience.com) apontam que alunas de pós-graduação, sobretudo as com filhos, têm tido dificuldades para produzir. Em carta publicada na Science, o grupo chama atenção da comunidade científica para essa questão. Visando contribuir para o debate, a revista Dados investigou o número de artigos recebidos com autoria e coautoria de mulheres. Resultados preliminares indicam um declínio substancial de submissões de artigos assinados por mulheres. Em matéria na Nature, análises preliminares de artigos pré-impressos também seguem a mesma tendência. Reportagem publicada no site SciDev.Net também repercute a situação com pesquisadoras latinas. É verdade que esses resultados são preliminares e demandam cautela, mas a questão exige acompanhamento, debates e ações concretas para garantir a equidade de gênero na ciência. Acesse a carta do Parent Science em: <https://bit.ly/3eSEube>. Leia a matéria da Nature em: <https://go.nature.com/371ezeZ> e do site SciDev.Net em: <https://bit.ly/3gZTeH4>. Confira o texto da Dados em: <https://bit.ly/2A7gkei>.

5. A autoridade cultural da ciência – O livro foi lançado originalmente em 2018, bem antes de estourar a crise sanitária mundial. O tema, no entanto, não poderia ser mais oportuno: como a autoridade da ciência tem se manifestado em diferentes países do globo. A obra The Cultural Authority of Science: Comparing Across Europe, Asia, Africa and the Americas, da editora Routledge, é composta por estudos envolvendo análise de discurso, análise de textos assistida por computador e análise de enquetes em larga escala para mapear a autoridade cultural da ciência em diferentes países, no período entre as décadas de 1980 e 2010. Os 23 artigos estão distribuídos em cinco grupos: “Conceitos e teoria”, “Autoridade mediada - comparando o fluxo de notícias científicas”, “Autoridade percebida - transversal e longitudinal”, “Pressupostos inferidos: comparando a cultura como quadro de referência” e “Conclusão”, onde o leitor confere uma agenda proposta para pesquisas futuras. A reputação da ciência e da tecnologia na sociedade brasileira, em particular, é objeto de estudo do capítulo “Decades of change - Brazilian perceptions of science 1987–2015”, escrito por Yurij Castelfranchi, com base em quatro pesquisas nacionais sobre percepção pública da ciência no Brasil. Após revisitar diferentes experiências nacionais a respeito da autoridade da ciência, a obra reforça seu pressuposto original: ainda que a ciência seja global, a cultura científica permanece local. Uma versão digital da obra pode ser acessada gratuitamente por sete dias, no site da Kortext. Na mesma página, é possível adquirir, por tempo limitado, a mesma versão pelo preço promocional de 10 libras esterlinas. Acesse em: <https://bit.ly/2ZYTY9z>.

6. Um museu de ciência e seu papel social – Medir o impacto das experiências promovidas por museus e centros de ciência para os seus visitantes é uma tarefa desafiadora – para a maioria das pessoas, o interesse e o entendimento da ciência resultam de um conjunto de experiências vividas em contextos e tempos diferentes. O estudo sobre o impacto social do Museu da Vida (MV) em comunidades do Rio de Janeiro, realizado por pesquisadores da Fiocruz, usou uma alternativa mais viável. Adotou-se uma abordagem epidemiológica – metodologia em que procedimentos estatísticos fornecem uma medida do grau de relação das variáveis consideradas –, para investigar a contribuição do MV para a obtenção de determinados “resultados”. Informações sobre o perfil sociodemográfico dos participantes e seus interesses, hábitos e percepções sobre o campo científico foram obtidos por meio de um questionário. No artigo “Museu da Vida e seus públicos: reflexões sobre a zona de influência e o papel social de um museu de ciência”, publicado na revista Em Questão, os pesquisadores apresentam as análises de 1.296 questionários, coletados de novembro de 2017 a abril de 2018. A pesquisa mostra que 68% dos respondentes que visitaram o Museu da Vida moram na zona Norte, com predominância de pessoas com ensino superior. Mostra, também, que o público visitante percebe a influência da visita ao MV em seu interesse e conhecimento sobre C&T, no entanto, o mesmo não pode ser dito sobre o engajamento com atividades de C&T. Acesse o artigo em: <https://bit.ly/3cBydPQ>.

7. Site reúne textos sobre acessibilidade, museus e divulgação científica – Por ocasião da última Semana de Museus (celebrada de 18 a 24 de maio de 2020), cuja temática foi “Museus pela Igualdade: Diversidade e Inclusão”, o grupo Museus e Centros de Ciências Acessíveis e o Instituto Nacional de Comunicação Pública da Ciência e Tecnologia disponibilizaram, online e gratuitamente, um mapeamento de mais de 400 títulos de artigos e demais publicações sobre essas temáticas, de autoria de pesquisadores brasileiros e de várias outras nacionalidades – em português (e em Libras pela Hand Talk), inglês e espanhol. Os textos podem ser filtrados por ano  de publicação (o mais antigo é de 1926) ou por busca de palavras-chave. Grande parte dos títulos conta com link para acesso gratuito. Confira, compartilhe, estude e use à vontade! <https://bit.ly/2Uc1tX0>. Os leitores podem indicar outros textos sobre as mesmas temáticas pelo email: <publicacessibilidade@grupomccac.org>.

8. Periódicos em divulgação científica com acesso aberto – Ainda jovem e em fase de consolidação, a área de pesquisa em divulgação científica não conta com tantos periódicos científicos dedicados à temática, mas ao menos três são bem consolidados e conceituados na área: Journal of Science Communication, Public Understanding of Science (PUS) e Science Communication. O primeiro é de acesso aberto e os outros dois – mais tradicionais – estão com acesso liberado para testes por 90 dias. Usando o link ao final da nota é possível ativar uma assinatura e ter acesso a todos os mais de 1000 periódicos da editora SAGE, aí incluídos a PUS e a Science Communication. É a oportunidade, por exemplo, de explorar os mais de 1300 artigos, resenhas de livros e editoriais publicados pela Public Understanding of Science desde seu lançamento em 1992. Após 90 dias, o acesso é bloqueado automaticamente. Apesar das dificuldades trazidas pela Covid-19, é um bom momento para montar uma boa base de referências para dissertações, teses e projetos em andamento. Informações em: <https://bit.ly/3dzPrhP>.

9. VideoSaúde busca filmes e vídeos sobre Covid-19 – Polo de guarda e preservação, produção, distribuição e veiculação de audiovisuais, a VideoSaúde/Fiocruz recebe até 31 de julho filmes e vídeos para comporem o acervo “Olhares sobre a Covid-19”. O objetivo é montar um banco audiovisual público com diferentes histórias e narrativas envolvendo a doença e seus contextos. Serão aceitos vídeos de curta, média e longa duração, captados em equipamentos profissionais ou celulares. A proposta é a composição de um grande painel audiovisual, plural, que retrate memórias, visões, depoimentos e distintas formas de contar histórias e estórias e que sirvam para ampliar o debate e a comunicação pública sobre saúde e ciência e seus determinantes sociais. Os vídeos e filmes passarão a compor o acervo público da VideoSaúde, que já conta com mais de 8 mil produções, para exibições em canais de televisão, internet e meios digitais, em ações de educação e ensino, mobilização social e cidadania, em mostras e festivais organizados pela instituição. O regulamento completo pode ser acessado em: <https://bit.ly/2Y5IMVU>.

10. Revista Liinc recebe artigos para dossiê sobre pandemia – A Liinc em Revista, periódico científico de acesso aberto do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict), recebe, até 15 de agosto, contribuições para o seu dossiê temático “Perspectivas e desafios informacionais em tempos da pandemia da Covid-19”. A edição irá focar em diferentes aspectos, inovações e desafios colocados à informação, suas formas de organização, recuperação, representação e acesso, ante o quadro da pandemia. Entre os temas sugeridos, estão os riscos advindos de movimentos de desinformação e manipulação da opinião; os desafios ante desiguais condições e posições sociais, geopolíticas e geoeconômicas; e os contornos do direito de acesso a dados, informação, conhecimento e produção científica e tecnológica frente às normas de direitos autorais, propriedade industrial e exclusividade de informações e dados, no contexto da pandemia. São aceitos artigos originais em português, espanhol e inglês. As regras completas para submissão estão disponíveis em: <https://bit.ly/2z4aHxb>.

 

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Ciência & Sociedade é o informativo eletrônico do Núcleo de Estudos da Divulgação Científica do Museu da Vida (Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz). Editores de Ciência & Sociedade: Marina Ramalho e Carla Almeida. Redatores: Luís Amorim e Rosicler Neves. Projeto gráfico: Luis Cláudio Calvert. Informações, sugestões, comentários, críticas etc. são bem-vindos pelo endereço eletrônico <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>. Para se inscrever ou cancelar sua assinatura do Ciência & Sociedade, envie um e-mail para <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>.
 
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