Ir para o conteúdo
O biólogo Miguel de Oliveira, do Serviço de Educação do Museu da Vida, recebeu perguntas de internautas nas redes sociais do MV! As primeiras dúvidas estão aqui, devidamente respondidas. Compartilhe! Você tem mais dúvidas? Procura a gente nas redes sociais e envie sua questão por lá!
 
Se a pessoa pegar o coronavírus, fica imune? (Helô Serra e Professora Lucineide)

Resposta: Não sabemos ainda. Este é um novo vírus, e as pesquisas ainda estão sendo feitas. Outros coronavírus já causam resfriados comuns entre nós, e as pessoas não têm uma imunidade de longo prazo para eles. Por isso, pegamos resfriados de tempos em tempos. Como esta epidemia só tem alguns meses, podemos dizer que, até o momento, quem pegar fica com uma imunidade - pois produz os chamados anticorpos contra o coronavírus –, mas não sabemos por quanto tempo a pessoa será capaz de produzir esses anticorpos.
 
Qual o tempo de vida do vírus em ambiente comum, tipo no chão ou em superfície de plástico? (Artesão Rangel)
 
Resposta: O vírus não é uma coisa viva, ele está ativo ou inativo. Então, a pergunta deveria ser: por quanto tempo o vírus fica ativo em superfícies? Esse vírus, o SARS-COV-2, ainda é muito novo e não há estudos de quanto tempo ele dura em superfícies diferentes. Há estudos, já feitos com outros coronavírus, que dizem que eles podem ficar de 2 horas a 9 dias ativos em superfícies, dependendo do tipo de superfície, da temperatura, umidade e pH. Um pH alcalino inativa o vírus. Temperaturas acima de 30º C diminuem a persistência dele no ambiente e uma umidade baixa (de 30%) também não o favorece. O chão nunca foi testado e, em plásticos, os coronavírus podem permanecer por cerca de cinco dias (em uma temperatura de 20 a 25ºC). Há mais informações aqui.
 
Quero saber se no alimento contaminado por gotículas de saliva, após ir ao forno pra assar, o vírus ainda está ativo? (Erica Cicilia Suares)
 
Resposta: Já foi feito um experimento que mostra que o vírus fica inativo após cinco minutos a uma temperatura de 70ºC. O resultado foi descrito por cientistas na revista The Lancet Microbe. Então, se você atingir essa temperatura ou outras maiores após cozinhar qualquer prato no forno ou fogão, o alimento estará livre do vírus.
 
Ainda não entendi como surgiu o novo coronavírus. (Vera Alves)
 
Resposta: Diversos cientistas estão fazendo estudos baseados no sequenciamento do genoma desse vírus – o SARS-COV-2 - e de outros coronavírus que infectam seres humanos, comparando-os com os de outras espécies de animais também. Algumas espécies de morcegos da Ásia (como o Rhinolophus affinis) também são infectadas por coronavírus, que têm 96% de seu genoma igual ao do SARS-COV-2, mas faltam-lhe algumas características importantes, as quais permitem que o vírus entre em células humanas.
 
Por outro lado, os pangolins (Manis javanica) têm coronavírus que são altamente parecidos com os SARS-COV-2 (são 99% iguais), além de terem características que podem facilitar a entrada dos vírus em células humanas. Ainda assim, o coronavírus dos pangolins não tem outras características que o SARS-COV-2 tem. Com base nesses estudos, existem duas hipóteses:
 
1) Houve evolução do vírus em um animal (como no morcego e/ou no pangolim) e, depois, esse vírus entrou em contato com os humanos, causando a pandemia;
2) O ancestral do SARS-COV-2 “pulou” de um animal (morcego e/ou pangolim) para humanos e, assim, foi transmitido durante vários surtos que não foram detectados pelas autoridades de saúde, evoluindo dentro de seres humanos. Até que, então, ele pode ter mudado para uma forma que aumentou o seu potencial de transmissão.
 
No entanto, são hipóteses que necessitam de mais estudos para serem confirmadas. O legal é que o mesmo estudo mostrou que não é provável que o vírus tenha sido feito em laboratório, como espalham por aí algumas fake news, pois as características desse coronavírus só apareceriam por meio da seleção natural.
 
Veja uma figura que ilustra estas questões, retirada do artigo "COVID-19: what has been learned and to be learned about the novel coronavirus disease", publicado no International Journal of Biological Sciences, agora em 2020.
 
Queria saber um pouco mais sobre a limpeza das máscaras de tecido. (Thiago Serrano)
 
Resposta: Segundo a Nota informativa nº 3/2020 do Ministério da Saúde, as máscaras podem ser higienizadas deixando-as de molho por 30 minutos em água sanitária e lavando-as com água e sabão. Segundo o texto, que pode ser encontrado neste link, as instruções para a higienização das máscaras caseiras são:
 
- Faça a imersão da máscara em recipiente com água potável e água sanitária (2,0 a 2,5%) por 30 minutos. A proporção de diluição a ser utilizada é de 1 parte de água sanitária para 50 partes de água (por exemplo, 10 ml de água sanitária para 500 ml de água potável).
- Após o tempo de imersão, realizar o enxágue em água corrente e lavar com água e sabão.
 
Máscara de papel feita em casa funciona? Quem tem rinite está no grupo de risco? (Clarinda Guedes)
 
Resposta: Segundo a Nota informativa nº3/2020 do Ministério da Saúde, “os tecidos recomendados para utilização são, em ordem decrescente de capacidade de filtragem de partículas virais:
a) Tecido de saco de aspirador
b) Cotton (composto de poliéster 55% e algodão 45%)
c) Tecido de algodão (como camisetas 100% algodão)
d) Fronhas de tecido antimicrobiano."
 
O mais importante, no entanto, é que as máscaras sejam feitas “nas medidas corretas, cobrindo totalmente a boca e nariz, e que estejam bem ajustadas ao rosto, sem deixar espaços nas laterais". Quem tem rinite não está no grupo de risco, segundo a Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde e a Fiocruz.
 
(CRBio do Miguel: 32.907/02)
 
Publicado em 15/04/2020
Link para o site Invivo
link para o site do explorador mirim
link para o site brasiliana

funcionamento terça a sexta-feira: 9-16h30, sábados: 10h-16h

agendamento de visitas 55 21 3865-2138

Fiocruz, Av. Brasil, 4365 - Manguinhos, Rio de Janeiro| CEP: 21040-900

Copyright © Museu da vida | Casa de Oswaldo Cruz | Fiocruz

museudavida@fiocruz.br

Assessoria de imprensa: divulgacao@coc.fiocruz.br.

O Museu da Vida faz parte de:

abcmc astc redpop ecsite icom

Amigos do Museu da Vida: uma rede de Saúde, ciência e cultura

patrocínio master

ibm Johnson & Johnson Nova Rio conheça