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Olá! Eu sou o Felipe, do projeto Planta Vida, e hoje vamos falar de sangue de dragão... Ficou curioso? Então vem comigo!

As plantas medicinais são utilizadas há séculos para tratamentos de doenças, prática que continua sendo muito comum nos dias de hoje. Por serem de fonte natural, as pessoas, muitas vezes, não acreditam que essas plantas também podem trazer malefícios à saúde. Mas a grande maioria das espécies vegetais utilizadas como medicinais ainda não teve seus princípios farmacológicos e toxicológicos identificados.

Pesquisas que avaliam o potencial tóxico de plantas medicinais são de extrema importância, servindo para informar a população sobre os riscos do uso indiscriminado dos extratos. Um desses estudos foi realizado com a espécie Croton lechleri – popularmente conhecida como “sangue de dragão” por produzir um látex vermelho e viscoso.

A sangue de dragão tem sido utilizada como cicatrizante de feridas e de úlceras gástricas, antimicrobiano, antioxidante, antiviral, anticancerígeno, anti-inflamatório, analgésico bucal e antidiarreico. Porém, se consumida em excesso, pode causar anemia, prisão de ventre e, em casos extremos, até cegueira.  

No estudo, os cientistas testaram um extrato comercial de Croton lechleri, comprado em uma loja de produtos naturais no município de Porto Velho, Rondônia. O rótulo do produto dizia “seiva de sangue de dragão”, mas ele não apresentava o aspecto de resina característico da seiva bruta, indicando uma possível diluição em álcool elítico e água.

Para analisar o produto, os pesquisadores utilizaram cebolas, que são um modelo de teste bastante usado nesse tipo de análise científica.  As cebolas foram descascadas e higienizadas para a retirada de possíveis impurezas; em seguida, foram colocadas em contato com o extrato comercial de sangue de dragão em quatro concentrações diferentes. Cada concentração foi testada em dez cebolas e os testes tiveram duração de 48 horas. Após esse tempo, os cientistas mediram o crescimento das raízes, o índice de mitose (divisão celular) e a presença de micronúcleos.

Se comparadas a cebolas que não entraram em contato com o extrato, as cebolas do teste apresentaram inibição no crescimento das raízes, diminuição no índice mitótico e aumento da ocorrência de micronúcleos. Essas alterações foram mais significativas nas cebolas que tiveram contato com a maior concentração do extrato de sangue de dragão. De acordo com os pesquisadores, os resultados indicam que essa planta tem um potencial tóxico, podendo causar danos às células e até risco de mutações genéticas. 

Devido ao perigo da utilização indiscriminada do produto, são necessários mais estudos para garantir a segurança da população. Fique atento e não consuma produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

O estudo que descrevi aqui foi realizado pelos pesquisadores Fernanda Karen Virgolino de Almeida, Valéria Pinheiro de Novais e Jeferson de Oliveira Salvi, do Centro Universitário Luterano de Ji-Paraná, e Renan Fava Marson, da Instituição de Ensino Superior de Cacoal. A equipe publicou um artigo científico sobre o tema este ano na Revista Fitos do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz). Quem se interessar, pode ler mais sobre a pesquisa aqui

Até a próxima, pessoal!

Felipe Chuquer
Jovem aprendiz do Museu da Vida

Imagem: dissertação de mestrado de Ayumi Osakada (Inpa/Ufam)

Publicado em 25/10/2019.

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